Cidades

Samu do Amapá registra mais de 19 mil chamadas no primeiro semestre de 2026 e reforça combate aos trotes

Serviço contabilizou 766 ligações falsas até 15 de julho; prática mobiliza equipes, compromete atendimentos reais e coloca vidas em risco


 

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) do Amapá contabilizou 19.054 chamadas entre os dias 1º de janeiro e 15 de julho de 2026. Desse total, 8.002 resultaram no envio de ambulâncias e demais veículos de atendimento, evidenciando a importância do serviço no atendimento de urgências e emergências em todo o estado.

 

Os dados da Central de Regulação  do Samu apontam que as ocorrências clínicas lideram as solicitações de atendimento, com 6.298 registros. Em seguida, aparecem os casos relacionados a causas externas, como acidentes e traumas, que somaram 3.598 chamados, além de atendimentos psiquiátricos, pediátricos e gineco-obstétricos.

 

Entre os principais motivos que levaram ao acionamento do Samu estão os transportes clínicos, colisões entre carros e motocicletas, quadros de dispneia, quedas, dores agudas, mal-estar, acidentes de trânsito e suspeitas de acidente vascular cerebral (AVC).

 

Segundo o diretor do Samu Estadual, Elso Gemaque, o volume de atendimentos demonstra a relevância estratégica do serviço para a rede pública de saúde e reforça a necessidade do uso responsável do telefone 192.

 

“O Samu atua diariamente no salvamento de vidas, prestando assistência em acidentes, emergências clínicas e transferências hospitalares. Cada atendimento exige planejamento, equipes capacitadas e uma estrutura preparada para responder rapidamente às ocorrências em todo o estado”, destacou Gemaque.

 

A Central de Regulação atende chamadas provenientes de diferentes municípios amapaenses e também de localidades do Pará atendidas pelo serviço. A capital do estado concentrou a maior parte das ligações, com 16.989 registros, seguida por Santana, com 1.742 chamados.

 

As ocorrências tiveram origem, principalmente, em residências, unidades de saúde e vias públicas, o que demonstra a amplitude da cobertura prestada pelas equipes do Samu.

 

 

Trotes comprometem atendimento e colocam vidas em risco

Apesar da importância do serviço, os trotes continuam sendo um desafio para o funcionamento da rede de urgência. Entre janeiro e 15 de julho deste ano, a Central de Regulação registrou 766 ligações falsas, número que corresponde a aproximadamente 4% do total de chamadas recebidas.

 

De acordo com Elso Gemaque, cada trote representa um desperdício de recursos públicos e pode comprometer o atendimento de pessoas que realmente precisam de socorro.

 

“Uma ligação falsa mobiliza profissionais, ambulâncias e toda a estrutura operacional do Samu. Enquanto a equipe está empenhada em verificar uma ocorrência inexistente, outra pessoa pode estar aguardando atendimento em uma situação de risco real”, alertou o diretor.

 

O gestor ressalta que a conscientização da população é fundamental para reduzir esse tipo de ocorrência. Atualmente, o Samu desenvolve ações educativas para orientar crianças, adolescentes e adultos sobre a utilização correta do serviço.

 

Quando acionar o Samu

O número 192 deve ser utilizado exclusivamente em situações de urgência e emergência, como acidentes de trânsito, dores intensas no peito, perda de consciência, crises convulsivas, quedas com ferimentos graves, queimaduras, afogamentos, intoxicações, ferimentos por arma de fogo ou arma branca e emergências obstétricas.

 

Ao receber a ligação, a Central de Regulação realiza uma triagem para identificar a gravidade do caso, orientar o solicitante e definir o tipo de veículo e equipe mais adequados para o atendimento.

 

“O cidadão precisa compreender que as perguntas feitas durante a ligação são essenciais para que a equipe consiga dimensionar a ocorrência e enviar o suporte necessário. Essas informações podem fazer a diferença entre a vida e a morte”, enfatizou Elso Gemaque.

 

Trote é crime

A prática de trote ao Samu configura crime previsto no artigo 266 do Código Penal Brasileiro, que trata da interrupção ou perturbação de serviço de utilidade pública, com pena que pode chegar a três anos de detenção, além de multa.

 

No Amapá, a Lei Estadual nº 2.089/2016 também estabelece penalidades administrativas para quem realiza falsas comunicações de ocorrência. No caso de adolescentes, os responsáveis legais podem ser responsabilizados pelos atos praticados, inclusive com aplicação de medidas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente.

 

Somente no primeiro semestre deste ano, o Samu mobilizou mais de oito mil saídas de veículos, entre unidades de suporte básico e avançado, reforçando o papel essencial do serviço no atendimento pré-hospitalar e na preservação de vidas.

 


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