Entrevista

“Como presidente do Senado Federal irei levantar a bandeira municipalista”

Davi chegou chegando, como se costuma dizer para definir o protagonismo de um aparição pública. Com uma extensa agenda de compromissos oficiais em pleno período do Carnaval, desabafa em muitas rodas políticas sobre o maior feito de sua carreira política, ao ter derrotado alguém tão influente na política brasileira como Renan Calheiros, na disputa – literalmente – pelo direito de senar à cadeira da mais importante casa legislativa do Brasil, o Senado da República. Mas foi ainda no desembarque no aeroporto de Macapá que o Diário coletou as primeiras impressões e revelações do mais jovem dirigente do Congresso Nacional em 193 de fundação da República. Davi anuncia que pretende usar a visibilidade e relevância do cargo para ajudar a destravar obras públicas para o Amapá.

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CLEBER BARBOSA
DA REDAÇÃO

Diário do Amapá – O governo federal já ensaia talvez alterar a proposta de reforma previdenciária enviada ao Congresso Nacional, como o senhor acha que será daqui para a frente senador?
Davi Alcolumbre – O projeto foi protocolado inicialmente na Câmara dos Deputados, então nós no Senado decidimos criar uma comissão de acompanhamento, composta por nove senadores, que serão indicados pelos blocos partidários a partir do dia 12, logo após o Carnaval. O intuito dessa comissão é meramente acompanhar, pois ainda vai tramitar na Câmara e certamente deverá sofrer alterações, legitimamente, claro, em atualizar, modernizar, aperfeiçoar, mas acima de tudo ouvir todos os segmentos, afinal esse é um tema de fundamental importância para o país e para os estados, que precisam de um aprofundamento sobre a matéria, a primeira de uma série de reformas.

Diário – O senhor já tem opinião formada?
Davi – Como presidente do Senado eu serei um magistrado na condução do projeto quando chegar à Casa. Não sou líder do governo, sou presidente de um Poder, os senadores irão debater esse tema no momento em que a reforma chegar ao Senado Federal, então com certeza essa comissão de acompanhamento vai dar celeridade para que enquanto ela tramite na Câmara possa estar pari passu levando o sentimento do Senado.

Diário – E com relação ao benefício da prestação continuada senador?
Davi – Eu pessoalmente comuniquei ao presidente da República que o Senado tinha restrição em relação ao modelo do benefício. O cidadão portador de necessidades especiais e o idoso na redução de cinco anos passam a ganhar R$ 400 em relação ao salário mínimo, eu acho muito pouco dinheiro em relação à economia que se vai dar ao Brasil pelo que as pessoas vão sofrer. Mas, lógico, a partir das mudanças as reformas que forem propostas pelos deputados, o Senado irá debater essa matéria como nunca se furtou de debater nenhuma outra de interesse do país.

Diário – Em relação ao Amapá, como o senhor pensa em aproveitar sua influência no cargo a favor do estado?
Davi – Eu quero até aproveitar essa pergunta para agradecer profundamente ao povo amapaense que me deu a honra e o privilegio de estar no Senado da República num momento decisivo da história do Brasil. Agradecer também aos companheiros do Senado que foram fundamentais na construção desse projeto, como o senador Lucas Barreto, com a liderança dele e chegando ao Senado viabilizou a possibilidade de um partido político, o PSD, com oito senadores de um total de dez senadores declararem apoio à nossa candidatura. O senador Randolfe Rodrigues ajudou a construir um bloco independente, com a maioria desses senadores, ou seja, oito de um total de quatorze senadores, que apoiaram a proposta de mudar o Senado e mudar o Brasil. É um momento histórico para o Amapá também, de termos a possibilidade diante do que vive o país, ter um presidente do Senado do Amapá, legitimamente amapaense, que conhece os quatro cantos do Estado. Eu me sinto honrado de estar nessa cadeira.

Diário – Foi uma eleição muito tumultuada mesmo, tensa o senhor diria?
Davi – Foram oitenta e dois senadores que confiaram em mim em uma eleição histórica, um marco para a história do Brasil e para a história do próprio Senado, que em 193 anos de existência jamais teve um presidente mais jovem do que eu, é também a primeira vez na história do Senado que um senador em primeiro mandato, de um estado pequeno do Brasil, assenta naquela cadeira como dirigente da maior e mais importante câmara do nosso país, pois o presidente do Senado é também o presidente do Congresso Nacional. Mas o meu compromisso com o Amapá é o mesmo de sempre, eu sempre lutei pelo Amapá com o coração, então como presidente do Senado o Amapá terá na minha figura, assim como toda a nossa bancada, um guerreiro, um homem que vai levantar a bandeira municipalista, pois os problemas das pessoas estão nas ruas, nos bairros, nos distritos e nas comunidades. Como presidente do Senado o Brasil começa a me conhecer, mas o meu Amapá me conhece desde 1999, quando me candidatei a vereador de Macapá, com muita honra, quando tive uma votação histórica, o mais votado inclusive. Vinte anos depois o seu filho, aliado a líderes políticos que ajudam o Amapá, volta ao Amapá depois de sessenta dias de saudades, viajando o Brasil, pela eleição do Senado, mas pelo povo do Amapá.

Diário – Eunício Oliveira, que também presidiu o Senado, conseguiu para o seu Ceará R$ 7 bilhões para o Estado, como o senhor também quer aproveitar a passagem pelo cargo para ajudar o Amapá?
Davi – No ano passado, sem ser candidato à Presidência do Senado, fui com Randolfe e Lucas que já tinha sido eleito senador, até o presidente da República Michel Temer, em novembro, depois da eleição. Eu consegui para o Amapá R$ 50 milhões para a saúde pública de todos os municípios do estado; a nossa capital Macapá recebeu R$ 15 milhões na última semana do ano; o Hospital do Amor conseguiu R$ 4 milhões, para o custeio de um ano de operações naquela unidade que vai salvar as vidas das pessoas na prevenção do câncer; então hoje volto ao Amapá com a certeza de que sempre fiz e sempre busquei em Brasília os recursos para trazer para o Amapá os recursos necessários para diminuir as desigualdades e as diferenças desse estado tão sofrido. Então como presidente do senado não me faltará, dia após dia, coragem para enfrentar os desafios de buscar os recursos e terminar obras importantes, fundamentais até, como a BR 156 que não pode continuar a ser a obra mais antiga do Brasil, 78 anos, a mais antiga do planeta como diz o senador Lucas. Essa é a prioridade dessa bancada, dentre outras, claro que levem à construção de um Amapá que os amapaenses tanto sonham há muitas décadas.

Diário – E essa agenda inicial em que se anuncia a visita de ministros da nova gestão do país?
Davi – Na próxima semana estaremos aqui no Amapá com a visita do ministro da Saúde, para garantir ao povo do Amapá que a obra do Hospital Universitário é prioridade para a nossa bancada, trezentos leitos, o maior hospital do norte do Brasil, a maior obra de saúde pública no estado e a mudança de uma página na história do estado de cinquenta anos de uma saúde ultrapassada onde as pessoas morrem nos corredores. Esse mesmo ministro virá assumir com o prefeito e com o governador a conclusão do Hospital Metropolitano, que se transformou em Hospital de Trauma, já estão assegurados todos os recursos para que a gente também possa entregar aquela obra que está paralisada há muito tempo. O ministro também vai visitar Santana, o segundo maior município do Amapá, onde tem uma maternidade que começou a ser construída há quinze anos e que está por ser concluída, então ele irá visitar lá também e garantir a entrega de uma maternidade para Santana, uma comunidade com 120 mil pessoas. Em relação à pauta parlamentar e legislativa, atuaremos ao lado do senador Randolfe em relação à atualização da tabela do SUS, então atuaremos junto ao governo federal para que se transforme em lei e possamos paulatinamente corrigir distorções que se arrastam há quinze anos no Brasil, para de uma vez por todas fortalecer o SUS e tirar do setor privado a saúde das pessoas mais carentes para que elas possam ter um atendimento digno.

 

Perfil…

Entrevistado. David Samuel Alcolumbre Tobelem nasceu em Macapá no dia 19 de junho de 1977, filho de Samuel José Tobelem e de Júlia Peres Alcolumbre. Comerciante, em 1996 tornou-se membro da Associação Comercial e Industrial de Macapá. Sua trajetória política teve início em 1999, quando se filiou ao Partido Democrático Trabalhista (PDT). Nessa legenda elegeu-se vereador em Macapá em 2000. Em 2002 foi eleito deputado federal assumiu uma cadeira na Câmara dos Deputados em fevereiro de 2003. Por dois anos consecutivos, foi coordenador da bancada. Em 2012 concorreu a prefeito de Macapá e em 2018 disputou a eleição para governador, sendo o terceiro mais votado. Em fevereiro deste ano o proejto mais audacioso, ganhando a Presidência do Senado.

 
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