Entrevista

“Em até cinco anos vai existir franquia de tudo”

Diário do Amapá – 2020 foi um ano complicadíssimo do ponto de vista econômico, tanto para brasileiros como para o contexto do mundo, foi a mais profunda e dura depressão econômica já vivida?
Ricardo Amorim – No entanto ela durou dois meses. […]


 

Cléber Barbosa
Da Redação

 

Diário do Amapá – 2020 foi um ano complicadíssimo do ponto de vista econômico, tanto para brasileiros como para o contexto do mundo, foi a mais profunda e dura depressão econômica já vivida?
Ricardo Amorim – No entanto ela durou dois meses. A indústria não só vem crescendo há sete meses, mas, mais do que isso, ela está acima dos níveis pré-quarentena. Quando a gente olha o setor de comércio é melhor ainda, não só está acima dos níveis anteriores à quarentena, mas já está no nível mais alto de produção e de venda desde 2014”, ressalta e previu uma grande diversidade de novos negócios no setor: Vai ter franquia de tudo nos próximos cinco anos.

 

Diário – Dá pra adotar essas inovações que a pandemia trouxeram, as franquias como acelerador de negócio?
Ricardo – Em momentos de transformação, a informação e o conhecimento se tornam um item mais valioso, e é exatamente isso que o modelo de franquias traz. A pandemia, que muita gente acha que foi a razão dessas transformações, na verdade só acelerou um processo que iria acontecer. A mudança já estava acontecendo. O e-commerce cresceu na pandemia mais do que nos dez anos anteriores. Plataformas de videoconferência e telemedicina são coisas que já iriam acontecer, mas tiveram o processo acelerado.

 

Diário – Décio Pecin aproveitou para destacar a importância do comitê estratégico em ocasiões como a atual.
Ricardo – Foi um momento de tomar decisões rápidas, que a gente precisou do apoio da rede e a rede, do nosso apoio. A gente montou um comitê, discutimos algumas soluções e testamos o piloto. Em 16 dias conseguimos colocar tudo em prática.

 

Diário – A vida agora é “on-life”? A palavra foi utilizada por Denis Santini para abordar as questões do mundo “on e off” em tempos de vida pós-pandemia. ?
Ricardo – O ‘on-life’ é sobre a vida das pessoas. É preciso estar onde a vida das pessoas está acontecendo, seja no mundo on-line ou no físico. Se você ainda está naquele ponto em que pensa se tem que estar aqui ou ali, provavelmente você precisa repensar se não deve estar nos dois e em como fazer isso e, principalmente, em como fazer que um alavanque o outro.

 

Diário – Para Danyelle Van Straten, apesar do crescimento no ominichanel [estratégia de conteúdo] da sua rede, a experiência da marca e do produto para o cliente ainda tem um papel fundamental.
Ricardo – A presença física influencia bastante no segmento de beleza, pois é o cuidado, a atenção aos detalhes. Entretanto, durante a pandemia, o online nos ajudou a nos manter na ativa.

 

Diário – Há espaço para novos negócios no mundo de franquias?
Ricardo – Primeiramente, os panelistas destacaram três pilares que foram essenciais para crescer nos últimos meses: acesso à informação, tecnologia — inteligência artificial, realidade virtual, realidade aumentada, 5G — e dinheiro. “Quando a taxa de juros no Brasil cai para os níveis mais baixos da história, a disponibilidade de financiamento para inovação e empreendedorismo também cresce num patamar que a gente nunca viu. Se vai ter inovação, é possível ter franquia de tudo”, destacou Amorim. É o caso do segmento de seguros, que, no mercado de franquias, ainda é um conceito inicial, de acordo com Humberto Madeira. Ele disse que o seguro de vida está ligado a planejamento. Tudo o que estamos vivendo faz você pensar mais sobre a vida, em se planejar. Hoje, cerca de 15% da população economicamente ativa do Brasil tem um tipo de seguro relacionado à vida. Nos EUA, esse dado é de 70% da população americana. No Japão e Coreia é de 90%. Então o Brasil tem um espaço de crescimento gigante, pois passa por um processo de cultura e necessidade. Com certeza, é um setor com potencial dentro do franchising.

 

Diário – Uma das grandes tendências do franchising será a consultoria de campo?
Ricardo – O mercado de franchising é multissetorial. Pesquisa é a palavra-chave para a pessoa que está buscando entrar no franchising. “É preciso fazer uma autoanálise para entender se tem perfil, ou não, para se tornar um franqueado. Nem todo mundo tem esse perfil. Depois, tem que buscar os segmentos de negócios com os quais a pessoa tem afinidade, conforme apontou André Friedman.

 

Perfil

Ricardo Amorim – Formado em Economia pela Universidade de São Paulo (USP), com pós-graduação em Administração e Finanças Internacionais pela École supérieure des sciences économiques et commerciales (ESSEC) de Paris, trabalha desde 1992 no mercado financeiro como economista, estrategista e gestor de investimentos.

 

 

Sobre a carreira – Sobre a carreira

– Eleito pela Revista Forbes uma das 100 pessoas mais influentes do país e economista mais influente do Brasil,
– Único brasileiro incluído entre os melhores palestrantes mundiais pelo Speakers Corner,
– Um dos apresentadores do programa Manhattan Connection na GloboNews,
– CEO da Ricam Consultoria,
– Co-fundador da Smartrips, da AAA Inovação e da Mentoria Ricardo Amorim,
– Colunista da revista IstoÉ,
– Influenciador latino-americano mais seguido no LinkedIn e Top Voices Influencers em 2016, 2018 e 2019,
– Ganhador do Prêmio Os + Admirados da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças em 2017, 2018 e 2019,
– Autor do podcast Economia Falada, escolhido um dos melhores podcasts de 2019 e podcast número 1 de empreendedorismo da Apple Podcasts
– Autor do best-seller Depois da Tempestade,
– Mais de 20 anos de atuação destacada no mercado financeiro mundial.

 

 


Deixe seu comentário


Publicidade