Entrevista

“Só o marketing digital não resolve, eleitor tem que ser olhado, tocado, voto se pede

Com as eleições às portas, cada vez mais é importante para candidatos e eleitores conhecerem as novas técnicas e ferramentas disponíveis para estreitar essa relação, como o marketing digital. Para o especialista amapaense Heyder Barata, que é um dos novos profissionais em atuação no mercado da consultoria e do marketing eleitoral, a coisa não pode prescindir da técnica, do estudo e da experiência. Ele foi ao rádio ontem, esclarecer as dúvidas de ouvintes da Diário FM e da equipe do programa Conexão Brasília, dando dicas valiosas sobre a linha tênue existente entre quem quer o voto e quem vai votar. Diz que apostar somente na divulgação das redes sociais não resolve, ajuda na promoção e divulgação, mas o convencimento mesmo vem com a proximidade do eleitor.

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CLEBER BARBOSA
DA REDAÇÃO

Diário do Amapá – O senhor é oriundo das ciências da computação, então a primeira pergunta é sobre o que o levou para as ciências políticas?
Heyder Barata – Para falar a verdade, quando a gente nasce na política a gente vai para dentro do comitê, desde o trabalho de pintar bandeira até o grau de consultor político, ou cientista político como eu estou buscando, ou como a sociedade chama comumente, o marqueteiro.

Diário – Então não só na área de tecnologia da informação como nas ciências políticas deve ter estudado a fundo o “case” que foi a primeira eleição do presidente americano Barak Obama, não é?
Heyder – Sim, a eleição dele colocou na história o marketing político e o eleitoral também. A diferença é que o marketing político é quando você está no mandato, aí nós fazemos o marketing do deputado, vereador, enfim, da liderança que está com cargo eletivo. Já o marketing eleitoral é quando você está concorrendo, então você tem que analisar uma série de situações, não uma análise de boca, com achismos, mas sim com a técnica, com pesquisas, quando a gente vai identificar a necessidade do eleitor, quais as perspectivas que ele apresenta, para poder montar o marketing do candidato.

Diário – E com as eleições aí à porta, o marketing digital está sendo bastante utilizado? E utilizado corretamente?
Heyder – É o que todos estão trabalhando. Só que infelizmente, os maiores consultores políticos, alguns que defendem o marketing digital porque é a área que mais se desenvolve, só que eu gosto tanto do digital quanto do convencional, porque você não consegue fazer uma campanha só no digital. Quem quiser vender um pré-candidato só com o digital e achar que vai ganhar a eleição está totalmente enganado. O digital serve muito bem para fazer uma divulgação, mostrar o trabalho do candidato, mas daí a dizer que tem 50 mil, 100 mil likes não resolve, pois muitos estão fazendo isso em suas redes sociais, mas impulsionando, então podem achar que estão sendo absorvidos pela sociedade, mas para o eleitor não, é totalmente diferente, pois o que o eleitor quer é a proximidade.

Diário – O famoso corpo a corpo?
Heyder – Sim, o eleitor quer estar mais próximo do pré-candidato, do candidato, do político, e uma das formas é o marketing digital, mas não a única. Infelizmente o que a gente tem visto, não só no Amapá, é os políticos, os representantes da sociedade distantes e quem quer fazer o marketing digital o faz na virtualidade, o que o eleitor quer é afinidade, quer ter aquele contato, aquele feedback, então quando isso não pode acontecer pessoalmente é que a equipe do pré-candidato tem que ter essa interação, uma atenção às mídias digitais, que são sim importantes.

Diário – Mas essas aparições nas redes sociais são um grande termômetro para se medir a popularidade desses representantes, não é?
Heyder – Agora é o momento… [risos] As redes sociais vieram para ajudar, mas quando você sabe usar. Sabendo utilizar, você consegue estar mais próximo do eleitor, nem que seja pela internet, fica muito mais fácil. Só que hoje não adianta você só divulgar, tem que ter aquele feedback que falei anteriormente. Hoje quando você toca num assunto família é tudo o que o eleitor quer, pois o eleitor está se sentindo desprotegido pelos seus representantes políticos. A partir do momento que você consegue abraçar, consegue ter um diálogo, sabe? Pelas redes sociais é totalmente diferente, a temperatura do digital é totalmente diferente. É no trabalho de campo, de rua em rua que a gente pode medir a viabilidade de uma candidatura. Costumo dizer que é melhor ter 5% de chance de se eleger do que você ter 40% de rejeição com a sociedade.

Diário – O professor Jacks Andrade, outro especialista recentemente ouvido aqui pelo Diário, defende campanhas eleitorais de quatro anos, pois a campanha de último ano por si só já é desgastante perante o eleitor. O senhor concorda?
Heyder – Sim, política a gente faz todo dia. Então para um político que tem quatro anos de mandato deixar para trabalhar somente no ano da eleição não dá, a sociedade já abriu os olhos, vamos ser realistas. Só, que infelizmente as leis que são feitas são para beneficiar quem já está no mandato. Quem vem pela primeira vez, é pré-candidato, tem chance sim, com certeza, fazer uma renovação, só que as condições para quem disputa a reeleição é que são diferenciadas, com certeza. Agora, defendo que quem tem segmento, tem representatividade, tem uma chance muito grande.

Diário – E isso vale tanto para quem é detentor de mandato quanto para quem não tem, afinal o modelo de democracia que a gente tem é representativo, daí a gente ver as casas legislativas com as bancadas segmentadas, não é?
Heyder – Isso mesmo, quem tem nicho, quem tem representatividade na sociedade, como a agricultura, empreendedorismo, desenvolvimento, enfim, quem nessas condições vem para as eleições tem uma chance muito grande.

Diário – No Congresso Nacional mesmo está cheio desses segmentos representados, a bancada ruralista, a bancada da bola e até a bancada da bala.
Heyder – Sim, essas bancadas são essa representatividade que estou falando, mas nas bancadas federais em estados como o nosso é diferente, são apenas oito deputados, cinquenta por cento volta [se reelege], podendo chegar a sessenta por cento, até porque nas regras para o financiamento partidário a maior parte vai para o deputado federal, pois o partido quer fazer dois, três deputados federais.

Diário – E dificilmente um presidente de partido não tem mandato, não é?
Heyder – Totalmente difícil. Quando o presidente de partido não tem mandato ele coloca o que se chama de testa de ferro… [mais risos]

Diário – E com relação ao eleitorado jovem, o que o senhor também pode discorrer a respeito do cenário em que esse voto jovem pode fazer a diferença, especialmente em tempos de redes sociais?
Heyder – Nós temos hoje um crescimento de 23 mil novos eleitores no Amapá, em relação às eleições de 2016, então na média de 60% a 65% do eleitorado atual é jovem. E o marketing digital vai abranger exatamente essa juventude. Hoje 75% a 90% do eleitorado amapaense tem acesso ao Whatsapp por exemplo, e as mídias digitais.

Diário – Segundo dados recentes do IBGE são mais de 450 mil pessoas no Amapá conectadas à internet, com 97% delas acessando via celular.
Heyder – É a febre do momento. Já o notebook, o computador, enfim, a gente utiliza mais no escritório, no trabalho. Além disso, tem smartphones hoje que fazem mais coisas que um computador, que uma máquina fotográfica, então basta apenas saber utilizar o [marketing] digital, tem técnica para isso, pois conteúdo tem que ter relevância.

 

Perfil…

Entrevistado. Heyder Barata é amapaense, oriundo de escolas públicas do Amapá, como a Escola Estadual Gabriel de Almeida Café, é casado e pai de uma filha. É formado em Ciências da Computação pela Faculdade de Tecnologia do Amapá – META, possui também especialização em Docência do Ensino Superior, pela Faculdade Brasil Norte (FABRAN) e atualmente é graduando em Ciências Políticas. Atua como Gerente de Tecnologia da Informação, mas também especializou-se em marketing político, sendo consultor político devidamente registrado junto à ABCOP (Associação Brasileira de Consultores Políticos) e possui escritório especializado em Consultoria em Comunicação Governamental, Acessória de Imprensa e Mandatos Políticos.

 
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