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Veredito das urnas é maior do que Biden ou Trump

Transição pacífica do poder e democracia dos EUA estão em jogo em eleição crucial e dominada por pandemia.

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Foto: AP Photo/File

Os dois candidatos chegam com expectativas distintas ao Dia D da eleição mais determinante para o futuro dos EUA. Isolado, o presidente Donald Trump encerra uma extenuante maratona de comícios, com mensagens contraditórias: ameaça reconhecer o resultado antes do tempo ou ir à Suprema Corte para contestar a apuração. O democrata Joe Biden despachou figurões do partido pelo país, empenhado em demonstrar unidade e disciplina em torno dele, numa “batalha pela alma da nação.”

Trump fez campanha por conta própria, sem expoentes republicanos ao redor para defender seu histórico. No máximo contou com a ajuda dos filhos ou parentes próximos em comícios. Despejou informações falsas como se fossem verdades, tentando recuperar o estilo de forasteiro que ajudou a elegê-lo em 2016.

A pandemia do novo coronavírus ditou as regras deste pleito atípico e acentuou as diferenças entre os dois candidatos diante de 230 mil mortos e cerca de cem mil diagnósticos positivos por dia. O presidente ainda se mantém desafiador, subestimando seus efeitos; ameaça demitir Anthony Fauci, o principal epidemiologista do país, que trabalhou com seus últimos cinco antecessores.A vacina prometida não chegou a tempo da eleição. O ex-vice-presidente Biden tirou proveito da incapacidade do governo de domar o vírus, pregando uso de máscaras e distanciamento social. Ele amanhece no dia da eleição com clara vantagem sobre o atual presidente, sobretudo no teste de popularidade. Há poucas dúvidas de que os democratas conquistarão a preferência dos americanos no voto popular pela sétima vez em oito eleições.

“Estou aqui para lembrá-lo de que Trump ainda pode vencer. E que uma chance de 10% não é zero”, advertiu Nate Silver, autor do blog FiveThirtyEight. “Todos os modelos eleitorais são otimistas em relação a Biden, mas estão unidos no sentido de que uma vitória de Trump ainda é plausível, apesar de seu déficit aparentemente acentuado nas pesquisas.”

A diferença é que a terça-feira eleitoral começa com mais de 96 milhões de votos já depositados ou enviados pelo correio. Este precedente promete ser justamente o ponto mais vulnerável do pleito de 2020. Trump passou a campanha questionando a legitimidade do voto antecipado e vai levar isso adiante caso esteja em desvantagem.

A lentidão na apuração das cédulas que chegam por correio e que favorecem os democratas pode levar o presidente a declarar vitória prematuramente. Trump tem dado claros sinais de que vai tumultuar o processo. Aproveitou a fase final da campanha para incitar partidários, invocando a fraude eleitoral em versões variadas.

Entre as muitas incertezas deste dia de votação, o nome do candidato vitorioso — seja Joe Biden ou Donald Trump — não é a maior delas. Está em jogo uma transição pacífica de poder ou, em última forma, a democracia dos EUA.

 
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