Nota 10

Contestado: A bocarra do ouro das guianas

Foca uma selvagem e atrativa região riquíssima em minerais, constantemente ameaçada por persistentes invasores estrangeiros, todos ávidos em acumular fortuna para si e seus senhores.


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Não é de hoje que ocorrem conflitos em áreas de garimpo localizadas na região de fronteira tucuju. É uma longa história que precisa ser muito bem entendida como obrigação de leitura de todos nós, amapaenses. Nosso subsolo é rico em ouro, metais preciosos e minerais estratégicos. Sabemos que a cobiça internacional por nossa riqueza natural é histórica. A descoberta das minas de ouro de Calçoene, em 1893, e a instalação da intitulada República do Cunani, fundada por franceses em solo brasileiro e a formação do governo do Triunvirato, organizada por Cabralzinho, podem ser o início histórico do fio da meada.

Esse embolado barbante histórico é pesquisado, organizado e elucidado pela professora e pesquisadora Cacilda Barreto em sua obra Contestado: A Boca Escancarada de Ouro das Guianas. O desembargador Luiz Carlos Gomes dos Santos, em seu texto prefacial, assim a define:

“É um trabalho que engrandece a pesquisadora. Ele traz esclarecimento sobre um tema que, embora antigo, se torna atual pela luz que ilumina o assunto. A exploração do ouro em modalidade denominada garimpo foi o motor de toda a existência na região do Contestado do Amapá. O metal era tão importante que um aventureiro francês chamado Jules Grons, no século 19, institui uma espécie de Estado, a República do Cunani. Desse ouro, pouco se sabe…”

E é essa a busca de Cacilda Barreto. Uma caçadora de informações, ou, como se intitula, Dom Quixote da pesquisa e das palavras:

“Conhecimento traz liberdade e poder. Compreender a nossa história tem, não somente o poder de informar, como mudar. O Amapá precisa urgentemente se transformar num estado próspero para seu povo”.

Contestado: A Boca Escancarada de Ouro das Guianas reúne fatos históricos de um passado distante. Mostra um processo de apropriação indébita ou, como queiram chamar, a ocupação de um território apelidado de Contestado. Foca uma selvagem e atrativa região riquíssima em minerais, constantemente ameaçada por persistentes invasores estrangeiros, todos ávidos em acumular fortuna para si e seus senhores. De lá para cá, século XXI, mudou apenas o refinamento nas atividades de exploração geopolítica e mineral.

Na avaliação de Cacilda, a Questão do Amapá embaralha fatos, escurece interpretações, cria mitos. E ela alerta:

“a Geopolítica e a Geografia nos dão embasamentos básicos indispensáveis para repensar o Estado e suas fronteiras. Só o título desse trabalho justifica e confirma o silêncio sobre esses fatos, uma das piores pragas da história de um povo.”

 
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