Presidente do Memorial Amapá critica proposta de mudança do nome da Rádio Difusora de Macapá
Em fala no programa LuizMeloEntrevista, Walter Júnior defendeu que homenagem a Hermínio Gurgel não deve apagar memória de outros profissionais que construíram trajetória da emissora

Douglas Lima
Editor
A proposta de mudar o nome da Rádio Difusora de Macapá para Rádio Difusora Hermínio Gurgel provocou um debate sobre a preservação da memória da comunicação amapaense. Para o presidente do Memorial Amapá, jornalista Walter Júnior, a homenagem ao radialista Hermínio Gurgel é legítima, mas não deve ocorrer por meio da alteração do nome de uma emissora que representa parte importante da história do estado. O assunto foi abordado durante fala no programa LuizMeloEntrevista, nesta quarta-feira, 4.
O projeto de lei, de autoria do deputado estadual Hildegard Gurgel, sobrinho de Hermínio, propõe acrescentar o nome do tio à identificação da Rádio Difusora. Durante a conversa, Walter Júnior avaliou que a iniciativa demonstra desconhecimento sobre a trajetória da emissora e sobre a contribuição de dezenas de profissionais que passaram por seus estúdios ao longo das décadas.
“São dois desrespeitos. Primeiro, com a memória de Hermínio Gurgel e também com todos aqueles que ajudaram a construir a Difusora. Não dá para colocar o nome de uma pessoa e desconsiderar os demais profissionais que fizeram parte dessa história”, argumentou o jornalista.
Walter reconheceu a importância de Hermínio Gurgel para o rádio amapaense, destacando que ele marcou época com um programa de grande audiência, que alcançava especialmente a população nordestina nas primeiras horas da manhã. Segundo o entrevistado, o comunicador contribuiu para aproximar a emissora da comunidade e teve papel importante na comunicação popular.
Entretanto, ressaltou que ele não integrou o quadro de servidores da rádio, embora tenha mantido um programa na programação da emissora. Para Walter, isso não diminui sua contribuição, mas reforça que a homenagem precisa considerar também os profissionais que trabalharam diretamente na construção da identidade da Difusora.
Memória da comunicação amapaense
Durante a entrevista, o presidente do Memorial Amapá lembrou que a Rádio Difusora passou por diferentes fases, incluindo os períodos em que funcionou como Rádio Nacional e, posteriormente, retomou a identidade de Difusora. Nesse percurso, diversos comunicadores, radialistas e profissionais contribuíram para consolidar a emissora como referência na comunicação do estado.
Ele citou nomes como Pedro Afonso da Silveira, Amazonas Tapajós, Edvaldo Espírito Santo, Humberto Moreira e Arnaldo Araújo, entre outros. Também destacou que a própria estrutura da emissora preserva registros e homenagens a profissionais que fizeram parte dessa trajetória.
Walter informou que o Memorial Amapá pretende dialogar com o parlamentar responsável pela proposta, apresentando informações sobre a história da rádio e a contribuição de seus profissionais. A entidade também iniciou uma mobilização para divulgar esse patrimônio histórico e ampliar o debate público sobre o projeto.
O jornalista defendeu que homenagens a personalidades importantes sejam feitas sem retirar denominações históricas já consolidadas. Como alternativa, sugeriu que outros espaços públicos, especialmente locais que ainda não possuem nomes de personalidades, possam receber essas homenagens.
Preservação histórica
Ao ampliar a discussão, Walter Júnior chamou a atenção para outras propostas de alteração de nomes de espaços públicos no Amapá. Ele lembrou debates anteriores envolvendo o Teatro das Bacabeiras e o Hospital Alberto Lima, além de mudanças na identificação de rodovias e logradouros.
Para ele, falta maior diálogo com a sociedade e pesquisa histórica antes da apresentação e aprovação de projetos dessa natureza. O jornalista também defendeu que os parlamentares contem com assessoria especializada para evitar decisões que possam apagar referências importantes da identidade amapaense.
Como exemplo de iniciativa positiva, citou a preservação da antiga residência governamental, transformada em espaço de memória, onde a população pode conhecer parte da história política e institucional do estado.
“Um povo sem história, sem memória é um povo que não tem referência para o futuro”, afirmou Walter, ao defender a manutenção do nome Rádio Difusora de Macapá e o resgate do antigo slogan da emissora: “Uma voz da Amazônia a serviço do Brasil”.
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