Polícia

DECCM expediu quase 900 medidas protetivas em 2020; violência doméstica ‘explodiu’ com a pandemia

Entre 01 de janeiro e os dez primeiros dias de agosto a Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher (DECCM), registrou, presencialmente, 256 Boletins de Ocorrência (B.O) e 878 pedidos de medidas protetivas de urgência.

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Elden Carlos
Editor

 

Durante os cinco meses de quarentena [150 dias], provocados pela pandemia do novo coronavírus no Amapá, os casos de violência doméstica aumentaram astronomicamente, inclusive, com a elevação dos feminicídios e tentativas de feminicídios, ou seja, as agressões físicas e o assassinato de mulheres por seus companheiros ou ex-companheiros.

Entre 01 de janeiro e os dez primeiros dias de agosto a Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher (DECCM), registrou, presencialmente, 256 Boletins de Ocorrência (B.O) e 878 pedidos de medidas protetivas de urgência. Atualmente existem na DECCM 328 inquéritos policiais instaurados para apurar esses crimes.

A informação foi confirmada durante entrevista na manhã desta quinta-feira (13) ao programa radiofônico LuizMeloEntrevista (Diário 90,9FM) pela delegada Sandra Dantas, titular da especializada.

A delegada explicou ainda que desde o início da pandemia houve uma redução no atendimento presencial, mas que as denúncias [online] explodiram por meio do site da Polícia Civil (www.policiacivil.ap.gov.br), sendo que cerca de 100 medidas protetivas de urgência foram requeridas através da página. Pelo disk denúncia (180) foram registradas mais de 200 ocorrências.

“Pelo balanço feito junto ao Centro de Referência de Atendimento à Mulher (Cram) e o Centro de Atendimento à Mulher e a Família (Camuf), constatamos notoriamente o aumento de casos de violência doméstica durante à pandemia. Apuramos ainda que no caso dos feminicídios, ou tentativa deles, não foram apenas os ex-companheiros, mas, sim, os atuais conjugues, o que é mais assustador. Também é perceptível o aumento das denúncias feitas por vizinhos ou familiares das vítimas. Muitas mulheres acabam se calando diante de uma agressão por temer perder o patrimônio, pela dependência financeira e até mesmo por tentar manter a família unida. Elas pensam nos filhos antes de denunciar, mas isso pode ser sua sentença de morte. Então, o correto é denunciar. Quem faz uma vez, certamente fará outras, e mais violentas a cada ataque”, disse a delegada.

Sandra Dantas, que é tida como uma das mais experientes delegadas na área de conflitos familiares disse ainda que os dados do site da Polícia Civil, que foi reformulado para dar maior celeridade às denuncias e registro de ocorrências, estão sendo copilados por uma força-tarefa para que se tenha um mapa claro da violência doméstica no estado.

“Os dados a que me referi aqui são, na sua grande maioria, aqueles constantes apenas na DECCM, de forma presencial. Então, precisamos copilar esses dados virtuais e das demais unidades policiais para termos uma radiografia clara dessa mancha criminal que destrói e enluta tantas famílias”, concluiu.

 
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