Suspeitos fogem e deixam para trás armas e drogas no Zerão
Equipes da Rotam/Bope interceptaram a dupla durante partilha de cocaína, crack e maconha; apreensão faz parte de mobilização nacional do Ministério da Justiça

Elen Costa
Da Redação
Na noite de terça-feira, 18, uma incursão do Batalhão de Operações Especiais (Bope) resultou na retirada de circulação de quase dois quilos de drogas, incluindo crack, maconha e cocaína, e três armas de fabricação caseira. Mais do que os números, o flagrante expõe a tática das facções locais: o uso da geografia de difícil acesso para o refino rápido e a distribuição pulverizada de entorpecentes.
A ação encontrou o obstáculo histórico da região. Ao avistar a equipe da Ronda Ostensiva Tática Motorizada (Rotam), dois suspeitos armados iniciaram uma fuga estratégica saltando por quintais e quitinetes até sumirem na escuridão da área alagada. O terreno, que serve de escudo natural para os criminosos, impediu as prisões, mas não evitou o prejuízo financeiro às bocas de fumo.
Ao refazer os passos dos fugitivos, os policiais militares descobriram que o local funcionava como um ‘laboratório de transição’. Uma balança de precisão e uma grande quantidade de dinheiro em notas baixas foram apreendidos ao lado dos pacotes de entorpecentes.
Segundo o tenente-coronel Wilkson Santana, comandante do Bope, os criminosos foram surpreendidos no momento exato em que transformavam os tabletes de atacado em pequenas porções para o varejo. Essa pulverização é uma estratégia para diluir os prejuízos em caso de apreensão e facilitar o transporte rápido pelas pontes.
Além disso, as três armas artesanais de calibres diferentes encontradas com as drogas reforçam o perfil de violência dessas bases comunitárias, utilizadas tanto para defender o território de grupos rivais quanto para impor o medo entre os moradores.
O estouro do ponto de distribuição no Zerão não foi um fato isolado. A investida fez parte da Operação Desarme, uma mobilização nacional coordenada pela Rede Nacional de Combate ao Narcotráfico (Renarc), ligada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (Senasp).
A inteligência por trás da operação nacional ataca diretamente a logística interestadual do crime. Ao fechar o cerco simultaneamente em vários estados, as forças de segurança quebram a principal rota de fuga dos líderes de facções: a migração. “A gente evita que o criminoso migre de um estado para o outro procurando refúgio”, explicou o comandante do Bope.
A Polícia Civil agora trabalha com as impressões digitais e o material genético coletado nos objetos deixados para trás. O objetivo é identificar os dois homens que escaparam e mapear de qual fornecedor nacional veio a droga que abasteceria a zona sul da capital amapaense.
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