Política Nacional

Dividido e polarizado, futuro Congresso não trará vida fácil a próximo presidente

Parlamentares escolhidos refletem a acirrada polarização

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Plenário da Câmara dos Deputados.

Fragmentado, polarizado e com relativa renovação, o Congresso Nacional eleito no último domingo trará desafios e uma boa carga de imprevisibilidade a quem quer que saia vitorioso da disputa pela Presidência da República no segundo turno.

O conjunto de parlamentares escolhidos pela população para os próximos quatro reflete a acirrada polarização entre o PSL de Jair Bolsonaro e o PT de Fernando Haddad, uma indicação que ambos sofrerão uma oposição sistemática de cara.

“Qualquer que seja o presidente eleito, ele vai partir de um veto, de uma oposição de pelo menos 120 parlamentares, seja pela esquerda, seja pela direita”, avaliou Antônio Augusto de Queiroz, analista político do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).

Segundo ele, houve leve aumento da esquerda –partidos como PSB, PDT e PSOL, por exemplo, conseguiram ampliar suas bancadas, um crescimento expressivo na direita –o PSL partiu de 8 deputados federais atualmente para 52, e um encolhimento do centro tradicional. Outros partidos conseguiram espaço no Legislativo, aumentando o rol de siglas.

Nesse contexto, justamente por conta da polarização, o centro será importante peça para a governabilidade.

Na avaliação do cientista político Silvio Cascione, analista para Brasil da consultoria Eurasia, é necessário ainda observar o comportamento do novo Congresso, mas a fragmentação traz um elemento de imprevisibilidade e não favorece a fidelidade dos que integrarem a base do novo governo.
“Não há nenhuma bancada de fato com uma votação mais expressiva que as outras, em uma posição de facilmente conseguir definir a mesa. Todo mundo ali vai ter alguma coisa para dizer e há uma possibilidade maior de traição”, explicou Cascione.

Bolsonaro conseguiu, antes mesmo da votação do primeiro turno, angariar o apoio da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), e conta com a simpatia de outros grupos parlamentares ligados a evangélicos e forças de segurança pública. As frentes parlamentares são extintas ao fim de uma legislatura, mas esses setores, muito organizados e articulados no Congresso, renovam sua representação a cada eleição.

O analista da Eurasia pondera, no entanto, que o apoio de uma frente não equivale à formação de uma base sustentada por partidos. A previsão é que representantes das siglas que não ofereçam oposição procurem o vencedor para integrar formalmente o governo eleito.

“Uma coisa é você ter uma bancada de deputados do setor agro que pensem como você, que vão te ajudar a passar determinada medida ali do agro, ou você ter uma bancada da segurança que pode se alinhar contigo. Uma coisa é você ter essas afinidades que aqui e ali podem te ajudar em alguns temas”, disse.

“Outra coisa muito diferente é você construir uma base que seja sólida e seja leal. Que te permita ter quórum, vencer obstrução, que te permita andar nas comissões, passar os rolos compressores. São coisas bem diferentes.”

 
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