Diário Política

‘Muito dinheiro’ e ‘pouca efetividade’, diz secretário sobre fundo para tentar frear alta de combustíveis

Esteves Colnago diz que redução de tributos seria mais efetiva, mas déficit público é obstáculo. Governo estuda ‘contornar’ LRF para diminuir imposto do diesel em 2022 sem contrapartida


O secretário especial de Tesouro e Orçamento do Ministério da Economia, Esteves Colnago, afirmou que a proposta de criar um fundo para estabilizar o preço dos combustíveis gastaria muito dinheiro público para gerar um impacto pequeno nas bombas.

“Não acho que um fundo de estabilização seja uma solução. Acho que é muito dinheiro para pouca efetividade”, afirmou.

Como parte do pacote elaborado pelo governo para tentar amenizar a escalada nos preços dos combustíveis, o Executivo chegou a avaliar a criação de um fundo de estabilização dos preços.
A estratégia seria usar parte da arrecadação federal com os royalties do petróleo para evitar que a Petrobras e outras importadoras repassem aos consumidores a elevação no preço internacional. A equipe econômica, no entanto, passou a descartar publicamente essa proposta.

Em evento virtual promovido por um banco privado, nesta terça, Colnago afirmou que os preços dos combustíveis não aumentaram só no Brasil e citou dois motivos “internacionais” para a alta – a valorização do dólar e a elevação do preço dos barris de petróleo.

“Não creio que a gente tenha força suficiente para mudar um preço que de certa forma é mundial, é dado por mercados muito maiores que a gente”, ponderou o secretário.

Pela manhã, o ministro Paulo Guedes havia dito que mais de 80% dos fundos de estabilização de outros países “deram errado” e “custam muito para a população”.

 

Déficit complica cenário

Ainda sobre o tema, Colnago disse avaliar que uma redução de tributos sobre os combustíveis seria mais efetiva para combater a alta desses preços – mesmo que apenas no curto prazo.

O secretário ponderou, no entanto, que as contas do governo federal ainda estão no vermelho (déficit público), e que esse tipo de medida geraria custos adicionais ao Tesouro.

“[Reduzir impostos] Seria menos caro que um fundo e teria efeito de curto prazo. Mas o ideal seria que a gente tivesse superávit”, declarou.

Colnago afirmou ainda que, mesmo se o governo escolhesse reduzir impostos para ajudar no combate à inflação, seria preferível cortar o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) – tributo que incide sobre a cadeia de produção e, segundo ele, poderia ser reduzido para aumentar a competitividade da indústria nacional.
“Vejo com melhores olhos do que a redução de tributos nos combustíveis, porque você teria uma redução geral para a indústria”, avaliou. “É uma medida de maior qualidade”, concluiu.


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