Política Nacional

Presidente Bolsonaro é alvo de críticas em debate no Parlamento Europeu da pandemia na América Latina

Eurodeputados criticaram o ‘negacionismo’ e a ‘necropolítica’ do presidente brasileiro. Conservadores também apresentaram críticas, mas sem citar Bolsonaro nominalmente

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O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, virou alvo de críticas no Parlamento Europeu , em uma sessão para discutir a pandemia na América Latina. Durante o debate, foram criticados o “negacionismo” e a “necropolítica” do mandatário brasileiro.

O objetivo da sessão era discutir o impacto da pandemia na América Latina e como a União Europeia pode ajudar os países latino-americanos a enfrentar a Covid-19.
As discussões pretendiam analisar a relação entre a elevada desigualdade social e econômica e o avanço da pandemia na região, mas as denúncias contra Bolsonaro acabaram por dominar a sessão. “Por ação ou omissão, a necropolítica de Bolsonaro constitui um crime contra a Humanidade que deve ser investigado”, afirmou o eurodeputado espanhol Miguel Urbán.

Outro eurodeputado espanhol, Jordi Solé, advertiu que a gestão da crise de saúde por parte do presidente brasileiro pode “transformar o país em uma incubadora de novas cepas” do coronavírus. Para a portuguesa Isabel Santos, a situação no Brasil é mais difícil por causa do “irracional negacionismo de Bolsonaro”, a quem acusou de “fazer tudo para que a população não seja vacinada”. “Não é um erro, e sim uma irresponsabilidade deliberada”.

Os legisladores conservadores que participaram no debate também apresentaram críticas, mas sem mencionar o nome do presidente brasileiro.
Para o também português Paulo Rangel, o impacto da pandemia foi agravado “por erros políticos e por visões negacionistas, como é o caso do Brasil”.

O espanhol Leopoldo López afirmou que é necessário “destacar a negação da gravidade por parte dos governantes de alguns dos países com maior população”. O Brasil é o país mais populoso da região, com 212 milhões de habitantes. Na sequência vêm o México (128 milhões), Colômbia (50 milhões) e Argentina (45 milhões).

 

Países mais afetados

Brasil e México são também os países latino-americanos mais afetados pela pandemia. O Brasil é o segundo do mundo em número de mortes (398 mil) e o terceiro em casos confirmados (14,4 milhões).

O México é o terceiro em óbitos (215 mil) e o 15º em infectados (2,3 milhões), mesmo sendo um dos que menos testam no mundo. O país tem uma média diária de 100 testes a cada 1 milhão de habitantes, patamar próximo ao de nações africanas como Gana (90), Quênia (109) e Togo (110).
A Colômbia é o 11º país com mais mortes (72 mil) e o 12º em casos (2,8 milhões), e Argentina, o 14º em vítimas da Covid-19 (62 mil) e o 11º em infectados (2,9 milhões).

 

CPI da Covid

As críticas ao presidente brasileiro ocorrem na semana em que o Senado brasileiro instalou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a atuação do governo na pandemia, no momento em que o país se aproxima das 400 mil mortes.

 
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