Como a tecnologia mudou as eleições no país
Biometria é importante aliada da Justiça Eleitoral para tornar a identificação dos votantes mais segura

Evandro Luiz
Da Redação
Desde 2008, a biometria faz parte do processo de modernização das eleições brasileiras e, atualmente, é uma importante aliada da Justiça Eleitoral para tornar a identificação do eleitorado mais segura. Nas Eleições 2026, a tecnologia continuará sendo utilizada em todas as seções eleitorais do país, contribuindo para evitar fraudes e garantir a autenticidade do voto de cada pessoa.
A corrida para regularizar o título de eleitor às vésperas das eleições marca a consolidação de uma das maiores transformações no processo de votação no Brasil: a biometria. Essa tecnologia, que utiliza as impressões digitais para identificar o eleitor, se tornou peça-chave para garantir a segurança do voto e modernizar a participação democrática no país.
Implementado de forma gradual pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ao longo de mais de uma década, o sistema biométrico começou como um projeto-piloto em 2008 nos municípios de São João Batista (SC), Fátima do Sul (MS) e Colorado do Oeste (RO), e foi criado com um objetivo central: impedir fraudes de identidade. Ao associar o cadastro de cada cidadão a características físicas únicas e intransferíveis, a Justiça Eleitoral garante que uma pessoa não possa votar no lugar de outra.
A mudança eliminou a possibilidade de uso de documentos falsos ou de títulos de eleitores já falecidos para manipular resultados. O processo de cadastramento envolveu a coleta das impressões digitais de todos os dedos das mãos direita e esquerda, além de uma fotografia e da assinatura digitalizada, criando um banco de dados robusto e seguro.
No dia da eleição, o eleitor se apresenta na seção de votação com um documento oficial com foto. Em vez de apenas assinar o caderno de votação, ele posiciona um dos dedos no leitor biométrico acoplado à urna eletrônica. O sistema faz a verificação instantânea e, após a confirmação da identidade, libera a urna para o voto.
A tecnologia biométrica também facilitou o acesso a serviços online, como a emissão do e-Título. O aplicativo oficial da Justiça Eleitoral funciona como uma versão digital do documento. Para eleitores com cadastro biométrico, o e-Título exibe fotografia e pode ser utilizado como identificação oficial no dia da votação.
Hoje, o sistema está implementado para aproximadamente 87% do eleitorado brasileiro, com cerca de 135 milhões de eleitores cadastrados biometricamente, representando um avanço fundamental na transparência e na confiabilidade do processo eleitoral. A identificação digital transformou o antigo título de papel em uma ferramenta de segurança que garante a integridade de cada voto.
O que acontece se a biometria não for reconhecida pela urna?
O não reconhecimento da impressão digital também não impede a votação.
Inicialmente, a leitura biométrica poderá ser repetida por até quatro vezes. Persistindo a dificuldade, a mesa receptora fará novas verificações para confirmar a identidade da eleitora ou do eleitor. Será solicitado o ano de nascimento a ser confrontado com as informações registradas no cadastro eleitoral. Se os dados coincidirem, a votação será autorizada. Nessa situação, a pessoa irá assinar o caderno de votação ou registrar a impressão digital, caso não saiba ou não possa assinar, e será orientada a comparecer posteriormente à Justiça Eleitoral para atualizar seus dados biométricos.
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