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Petrobrás inicia no segundo semestre perfuração do primeiro poço de petróleo na Costa do Amapá

Pesquisa por hidrocarboneto se dará em águas profundas, com uma lâmina d’água de 2,8 mil metros de profundidade a 170 quilômetros de Oiapoque.


Cleber Barbosa
Da Redação

 

A Petrobrás avocou pra si a prospecção por hidrocarbonetos na Costa do Amapá. Nesta terça-feira (28) a companhia anunciou para o segundo semestre deste ano a perfuração do primeiro de uma série de até 14 poços na chamada Margem Equatorial, a uma profundidade de 2,8 mil metros abaixo da lâmina d’água.

 

De acordo com as primeiras informações da estatal, a chamada Margem Equatorial é uma faixa do mar territorial brasileiro que inclui os estados do Amapá, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte, sendo que o Amapá é o mais próximo da plataforma que já vem sendo explorada comercialmente por países vizinhos, como a Guiana Francesa e a República da Guiana – onde as descobertas são consideradas de grande relevância.

 

Para se ter uma ideia, já foram catalogadas 36 descobertas na bacia do Platô das Guianas, o que não deixa dúvida do expressivo potencial que deve haver também na Costa do Amapá. Projeções dão conta de que os países da faixa de fronteira poderão explorar até 10 bilhões de barris de petróleo, numa média de 1,8 milhões por dia.

A quase certeza dessa possibilidade, além da tecnologia disponível atualmente, com dados sísmicos de qualidade e até o uso de inteligência artificial, poderão garantir a assertividade das perfurações, otimizando o número de intervenções e diminuindo os riscos operacionais.

 

Aliás, há toda uma preocupação por parte da Petrobrás em dialogar muito sobre a segurança operacional do projeto e o controle dos dados, visando reduzir os impactos ao meio ambiente e a “pegada de carbono”. Trata-se do cálculo da emissão total de gases de efeito estufa (GEEs), incluindo o dióxido de carbono (CO2) e o metano (CH4), associados atividades humanas no Planeta. A conta inclui as emissões que têm origem na produção, no uso e no descarte de produtos ou serviços.

 

Natureza

– A Petrobras também diz que está se preparando para a avaliação pré-operacional, que é um requisito para emissão da licença ambiental. Além disso, de acordo com a empresa, os ventos, as aves migratórias, as praias arenosas e as correntes e biotas marinhas serão monitorados, como objetivo de proteção da natureza local. A atividade, que terá a colaboração da comunidade acadêmica, irá gerar conhecimento cientifico sobre o ecossistema da região.

 

Monopólio

A Petrobras já foi, oficialmente, a única empresa permitida a atuar na indústria de petróleo e derivados no Brasil, o que lhe dava o monopólio de fato do mercado e, por extensão, ao governo, que tinha controle pleno dos preços por meio de sua estatal. Foi assim por 44 dos 68 anos de vida da companhia, desde que foi criada pelo presidente Getulio Vargas, em 1953, até 1997, quando o governo de Fernando Henrique Cardoso editou a nova Lei do Petróleo e quebrou o monopólio, o que permitiu que outras concorrentes passassem também a atuar no Brasil.

 

Na exploração do petróleo bruto, várias de fato vieram. A Agência Nacional de Petróleo (ANP) conta, hoje, mais de 30 companhias retirando óleo e gás das reservas brasileiras ao lado da Petrobras. No refino, porém, quase nenhuma apareceu, e a estatal segue sendo praticamente a única fornecedora de combustíveis para os brasileiros.


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