Política

Voto, instrumento importante de participação popular

Democracia é entendida como governo do povo, ou seja, governo da maioria; não se pode pensar em democracia sem a participação da sociedade nas decisões políticas


 

Evandro Luiz
Da Redação

 

O voto no Brasil já passou por diversas restrições, mudanças de regras e até mesmo por períodos de suspensão. Nas primeiras experiências eleitorais, durante os períodos Colonial e Imperial, apenas homens que possuíam determinado nível de renda podiam exercer esse direito. Após a Proclamação da República, ainda existiam várias restrições ao direito de votar, pois eram impedidos de participar das eleições os analfabetos, mendigos, menores de 21 anos, mulheres, soldados de baixa patente, indígenas e membros do clero.

 

O país também viveu momentos em que as eleições foram suspensas, como durante o Estado Novo (1937–1945), e períodos em que as eleições diretas para a Presidência da República foram canceladas, como ocorreu durante a Ditadura Militar (1964–1985). Em 1984, o Brasil assistiu ao grande movimento conhecido como Diretas Já, que defendia a volta das eleições diretas para presidente. Em 1988, com a promulgação da Constituição Federal, consolidou-se o sufrágio universal, com eleições diretas, secretas e obrigatórias.

 

O voto não é a única ferramenta para o exercício da democracia, mas talvez seja o instrumento mais importante de participação popular. A democracia é entendida como o governo do povo, ou seja, o governo da maioria. Por isso, não se pode pensar em democracia sem a participação da sociedade nas decisões políticas.

 

Hoje, o Brasil vive uma democracia representativa, na qual escolhemos representantes e lhes conferimos o direito de atuar em nosso nome nas instituições políticas. Por essa razão, é fundamental compreender os posicionamentos dos candidatos e verificar se eles estão de acordo com os valores e ideias que defendemos. Infelizmente, existe uma crescente desvalorização do voto no país, resultado de inúmeras insatisfações e da descrença na política. No entanto, podemos contribuir para o fortalecimento da democracia ao compreender a importância desse instrumento e exercer um voto consciente.

 

 

Há 94 anos, as mulheres conquistaram o direito ao voto no Brasil. Em 24 de fevereiro de 1932, o país deu um passo histórico na ampliação dos direitos políticos ao garantir às mulheres o direito de votar e serem votadas. Essa conquista foi oficializada por meio do Decreto nº 21.076, que instituiu o Código Eleitoral e foi assinado pelo então chefe do Governo Provisório, Getúlio Vargas. A nova legislação também criou a Justiça Eleitoral e estabeleceu o voto secreto, representando uma importante reforma no sistema político brasileiro.

 

Essa vitória, entretanto, não aconteceu de forma repentina. Foi resultado de mais de cinquenta anos de mobilização de mulheres que, desde o final do século XIX, reivindicavam participação política em uma sociedade dominada exclusivamente pelos homens. As lideranças femininas organizaram associações, promoveram debates públicos e pressionaram o poder público pelo reconhecimento da igualdade política.

 

Em 1933, as brasileiras puderam votar e também se candidatar pela primeira vez, nas eleições para a Assembleia Nacional Constituinte. No ano seguinte, a Constituição de 1934 consolidou o voto feminino, incorporando definitivamente esse direito à legislação brasileira.

 

O voto é uma forma de expressar opinião, vontade ou preferência sobre algo que está sendo submetido à decisão coletiva. Nas eleições municipais, por exemplo, ao votarmos em um candidato, manifestamos nossa vontade de que ele seja eleito. Essa escolha é feita com base em nossos valores, crenças e naquilo que consideramos melhor para a sociedade. Contudo, o voto está presente em nossas vidas para além das eleições e dos cargos públicos, pois representa um importante instrumento de participação cidadã.

 

Mais do que uma obrigação legal, votar é um ato de responsabilidade social. Cada voto carrega a esperança de construir uma sociedade mais justa, democrática e comprometida com o bem comum. Quando exercido com consciência e reflexão, o voto fortalece as instituições, amplia a participação popular e contribui para o desenvolvimento do país.

 


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