Turismo

GUARDA-PARQUES

A formação dos protetores da floresta

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CLEBER BARBOSA
EDITOR DE TURISMO

O Amapá detém o título de estado mais preservado do país. E para não perder tamanha distinção, existem verdadeiros protetores, os guardas-parques. O Diário do Amapá acompanhou a formação de uma turma desses valorosos profissionais, numca capacitação chamada “Intercâmbio de experiências para gestão territorial”, dentro do Projeto Capacitar para Conservar. As atividades são organizadas pela Equipe de Conservação da Amazônia (Ecam), em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Universidade Federal do Amapá (Unifap), Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Amapá (Sema /AP), a Associação de Guarda-Parques do Amapá (AGPA) e financiamento do Fundo Amazônia, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).


A capacitação se propõe a promover a troca de experiências em Gestão Territorial e é destinada a gestores de Unidades de Conservação e guarda-parques já formados, com experiência de atuação em ações de conservação, visando aperfeiçoar as atividades ambientais nas áreas protegidas e nas comunidades, conforme informou a organização. “O curso é divido em dois momentos: O presencial, que aconteceu em Macapá, no Atalanta Hotel na capital, no centro da cidade, e a fase de acompanhamento, quando os cursistas voltam às suas unidades”, explica a turismóloga Ana Gabriela Fontoura, uma das coordenadoras do treinamento.

Conceitos
De acordo com a organização do evento, as atividades iniciaram com a divisão dos participantes em grupos, para debaterem sobre os conceitos fundamentais de gestão territorial, gestão ambiental pública, legislação ambiental e participação social. Nos dias seguintes do treinamento são discutidos planejamento de paisagem sustentáveis, participação e comunicação, turismo, unidades de conservação e gestão de conflitos.

Calendário
Falando à reportagem, Ana Gabriela destaca a importância dessa capacitação e da retomada das compensações pela criação do parque Nacional Montanhas do Tumucumaque. E destaca a transparência do processo. “Um dos módulos trabalhados com os cursistas foi o de Participação e Comunicação. Os produtos que vocês acompanham pela nossa fanpage foram produzidos pelos cursistas, como exercícios práticos. Ficamos muito felizes com os resultados e o desempenho da turma”, concluiu.

 

Treinamento para novos desafios ambientais


Os primeiros dias de atividades do curso de Formação de Guarda-Parques são de aulas teóricas, mas de grande utilidade para a prática dos guias, guardas e monitores. As instruções do primeiro dia são sobre cartografia e uso do aparelho de GPS. Os Cursos de Formação de Guarda-Parques são oferecidos dentro do projeto Capacitar para Conservar. O projeto vem sendo realizado desde 2014, e é resultado de uma parceria da Equipe de Conservação da Amazônia (Ecam) com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a Universidade Federal do Amapá (Unifap), a Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Amapá (Sema-AP) e a Associação de Guarda-Parques do Amapá (AGPA). Tem o apoio do Fundo Amazônia, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Um dos guardas ouvidos pelo Diário, Marcelo de Sá, diz que havia uma grande expectativa com relação ao incremento das atividades de visitações ao Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, daí ver com bons olhos essa capacitação. “Até porque a Guiana Francesa tem o seu e os visitantes certamente virão para o lado de cá, onde atuamos”, diz.

 

Comunidades locais participam de capacitação para ser monitores

A segunda edição do curso de formação de monitores da biodiversidade dos Parques Nacionais Montanhas do Tumucumaque e Cabo Orange, no Amapá, contou com a participação de 24 pessoas, moradores de comunidades do entorno das duas Unidades de Conservação, e gestores da Estação Ecológica Maracá-Jipióca. Durante cinco dias de curso, foram realizadas aulas teóricas e práticas sobre metodologias de coleta de dados do Programa de Monitoramento da Biodiversidade (ICMBio). As atividades pedagógicas unem metodologias lúdicas e participativas de forma complementar aos conteúdos principais.


Maria do Socorro Abreu de Araújo (de vermelho, na foto) é agora uma das mais novas monitoras do Parna Montanhas do Tumucumaque. Ela defende a participação feminina em atividades como essa e afirma estar preparada para colaborar os estudos sobre a situação de borboletas, aves e mamíferos da Unidade de Conservação. A participação de mulheres para esse tipo de atividade de campo não é fato comum, porém o IPÊ e ICMBio têm valorizado e incentivado o maior envolvimento feminino nessas atividades. “Temos as mesmas capacidades que os homens para realização de trabalhos como esse ou de guarda-parques, por exemplo. As mulheres precisam se interessar em atividades como essa, pois a gente se dá muito bem com isso”, afirma ela, que fez a sua primeira expedição como monitora no final do ano passado. Socorro já acompanhava as atividades de monitoramento auxiliando nas expedições com serviços de limpeza e alimentação. Agora, como monitora, vai poder colocar em prática o que aprendeu no curso. “Sempre vivi nas imediações do parque, conheço os bichos, as aves, mas não sabia que eles tinham um nome científico”, diz, descontraída.

CURIOSIDADES

– O Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque é uma unidade de conservação brasileira de proteção integral da natureza localizada nos estados do Amapá e do Pará, com território distribuído pelos municípios de Almeirim, Amapá, Calçoene, Ferreira Gomes, Laranjal do Jari, Oiapoque, Pedra Branca do Amapari, Pracuuba e Serra do Navio.
– O parque limita-se ao norte com a Guiana Francesa e com a República do Suriname.
3,8milhões
De hectares. Área total do Parque do Tumucumaque.

 
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