Felipe Patroni, mente em ebulição

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O paraense Felipe Alberto Patroni Martins Maciel Parente, natural de Acará, onde nasceu em 1798, deixou seu recanto natal em 1816, para residir em Belém, embora tivesse em mente obter uma oportunidade para ir estudar Direito em Portugal. Era filho do alferes Manoel Joaquim da Silva Martins e afilhado do capitão de fragata Felipe Alberto Patroni, do qual herdou o nome. No mesmo ano em que se estabeleceu na capital do Pará, Felipe Patroni embarcou para Lisboa, seguindo depois para Coimbra, matriculando-se em sua famosa universidade. Aderiu às ideias iluministas e passou a embalar o sonho de dar novos rumos à política Vicente na Província do Pará. Aportou em Belém em janeiro de 1822, levando em sua bagagem uma impressora comprada na Imprensa Nacional de Lisboa, contando com a sociedade do tenente coronel Simões Cunha e tenente de milícia José Batista Camecram. Instalou a impressora na via que hoje tem o nome de Tomázia Perdigão. No dia 1º/4/1822 Felipe Patroni fundou “O Paraense”, o primeiro jornal da Amazônia.

A edição inicial circulou no dia 22/5, defendendo uma Constituição paraense. Também defendia a Independência do Brasil e a liberdade de imprensa. Antes deste feito, quando ainda residia em Lisboa, teve a primazia de ser o primeiro a falar na Assembleia Constituinte Portuguesa, no dia 22.11.1822, na Sala das Cortes, na presença do rei D. João VI. Proferia contundente discurso sem poder concluí-lo devido à interferência dos bajuladores do monarca. Rogava a D. João a adoção de um plano de eleições, contendo normas para escolher a nova Junta Governativa do Pará. O jornal português “Indagador Constitucional” publicou o seguinte texto: “Um deputado deverá corresponder a cada 30 mil almas, entrando neste número os escravos, os quais mais que ninguém devem ter quem se compadeça deles, proporcionando-lhes um sorte mais feliz até que um dia se lhe restituam seus direitos”. Fez isso na condição de delegado da Junta Provisória do Pará. O jornal “O Paraense” contou com a circulação de 70 edições, mas silenciou a partir de fevereiro de 1823. O Brasil era independente, mas a Província do Pará não a aderiu, mantendo seus laços com Portugal.

O jornal fundado por Felipe Patroni infernizou a vida dos governantes do Pará. Num determinado momento, as críticas veiculadas pelo jornal abalaram a estrutura governamental. Seus titulares recorreram ao tenente coronel Simões Cunha, sócio de Felipe Patroni, para fazer sumir os tipos de metal utilizados na impressão do jornal. Simões Cunha se prestou a atender a solicitação dos governantes, garantindo o encerramento das atividades do periódico. Para surpresa geral, O Paraense voltou a ser impresso, acentuando o grau de suas críticas. Previdente, Felipe Patroni tinha outros tipos bem guardados, pois sabia que não poderia confiar demais em seus sócios. Eles acabaram retirando-se da sociedade em troca de promoções de patente e outras vantagens pessoais. Outras tentativas para calar o jornal ocorreram. Nem a prisão de Felipe Patroni fez o jornal parar de circular. Com sua ausência, o cônego Batista Campos assumiu a direção do órgão e foi perseguido por isso.

Em fevereiro de 1823, Felipe Patroni foi preso no Forte do Castelo e neste local deveria permanecer até julgamento. Porém, acabou sendo mandado para Portugal que, pelo menos para os governantes da Província do Pará, mantinha jurisdição em seu território. Livre da prisão, retornou para Brasil e passou a residir no Rio de Janeiro, sede do governo imperial do Brasil. Sua mente já estava mais tranquila, fato que lhe permitiu instalar um escritório de advocacia. Casou com a prima Maria Ana, em 1929, indo exercer o cargo de juiz de fora de Niterói. Em 1842, alimentando pretensões políticas, retornou para Belém e conseguiu eleger-se deputado na Assembleia Nacional. Teve notável atuação na legislatura de 1842 a 1845, representando o Pará, mas não obteve novo mandato. Em 1851 vendeu seus bens e escravos para residir em Lisboa, onde faleceu no dia 15/7/1866, com 68 anos de idade. A cidade de Belém lhe prestou uma justíssima homenagem, declarando-o patrono da praça localizada na Cidade Velha à margem da avenida 16 de novembro.


Chacina nos porões do brigue Palhaço

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No dia 16.10.1823, uma portentosa agitação, agregando mais de mil brasileiros, sacudiu a capital do Pará. A manifestação foi engendrada por elementos que não eram favoráveis a adesão da Província do Pará à independência do Brasil e apregoavam a formação de um governo popular. Vale lembrar, que em janeiro de 1823, quando a adesão do Para ainda não havia ocorrido, o Cônego Batista Campos, apoiado principalmente por comerciantes brasileiros, chefiava um grupo de revoltosos denominado Os Patriotas.

Os integrantes do grupo se diziam liberais radicais e contavam com o apoio do povo das vilas de Cametá, Vigia Macapá, Mazagão, Monte Alegre e Santarém. Formaram uma junta governativa, sob o comando do Cônego Batista Campos, que foi destituída pelo Imperador Pedro I. No dia 11 de agosto, o oficial inglês John Pascoe Greenfel, oficial da Real Marinha Britânica a serviço do Império do Brasil, chega a Belém e declara os portos da cidade bloqueados. Notifica aos integrantes da Junta Governativa Provisória, que agirá com extremo rigor para impor a paz na região. Garante aos portugueses que aceitarem o desligamento do Brasil de Portugal como ponto pacifico a preservação de seus bens. Assegura que tinha vindo para oficializar a definitiva condição do Brasil como nação livre e manter a ordem na província. Pressionou a Junta Governativa para que a adesão paraense acontecesse com a máxima brevidade possível. Isso ocorreu no dia 15 de agosto. Voltando a apreciar o acontecido no dia 16 de outubro, dizemos que John Greenfel determinou a prisão de supostos agitadores, inclusive integrantes das tropas do 1º, 2º e 3º Regimentos de Infantaria e do esquadrão de Cavalaria, que se haviam amotinado. Cumprida sua ordem, os agitadores foram dominados por força das armas.

No dia 17 de outubro em frente ao Palácio do Governo, ordenou a execução sumária de cinco elementos que ele mesmo escolhera aleatoriamente dentre os detidos. Através da brutalidade, Greenfel pretendeu amedrontar os sublevados. Tão grande era sua fúria, que mandou amarrar à boca de um canhão o Cônego Batista Campos, só não consumando seu intento de matá-lo porque membros da Junta Provisória interferiram, ponderando que o prisioneiro fosse remetido para o Rio de Janeiro. Entretanto, no dia 19 de outubro o religioso foi colocado em liberdade. No dia 20 de outubro, 256 presos que estavam na cadeia publica fazendo tremenda algazarra, foram transferidos para bordo de um brigue denominado Diligente, que ancorou no meio da baia de Guajará. O porão tinha aproximadamente 30 palmos de cumprimento, por 20 de largura e doze de alto. As escotilhas foram fechadas e apenas uma fresta ficou aberta para entrada de ar.

O fortíssimo calor levou os presos ao desespero. Reivindicando a abertura das escotilhas, pois a falta de ar os fustigava, os presos irromperam em gritos, clamando por água e formulando ameaças á guarnição do navio e demais autoridades do Pará. A guarnição atirou sobre eles água de má qualidade. Mesmo assim, a disputa entre os amotinados foi feroz. Os presos brigaram, apunhalaram-se, usaram unhas e dentes para ver que primeiro se serviria do precioso liquido. Temendo que a turba conseguisse sair do porão do navio, os guardas dispararam suas armas para dentro do brigue e depois lançaram sobre aquelas pobres criaturas cal virgem. Por duas horas os presos debateram-se em agonia. Em três horas reinava silêncio absoluto.

Na manhã do dia 22.10.1823, quando as escotilhas foram abertas, viu-se no fundo do porão um montão de 252 corpos, cobertos de sangue e dilacerados. Aos poucos os cadáveres foram sendo retirados e transportados para a margem esquerda da baia de Guajará até o local do sitio Penacova. Uma longa vala comum foi escavada para receber os corpos. Ao ser concluída a remoção dos mortos, a guarnição do brigue Diligente constatou, que ainda agonizavam quatro elementos. Levados para o tombadilho deram sinal de melhora, o que motivou a transferência dos mesmos para o hospital. Três deles morreram no transcurso de 4 horas. Apenas um rapaz de 20 anos escapou da morte, mas levou uma vida de constantes sofrimentos.


Uma noite sob o Equador

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Às 24h do dia 17/10/1945, no Clube dos Caçadores, cujo presidente era o tenente e inspetor de ensino Glicério de Souza Marques, tinha início, no cineteatro Macapá, o programa lítero musical denominado “Uma noite sob o Equador”. Os senhores Hélio Gurjão Praxedes, Pauxy Gentil Nunes, Aluísio Carvão e José Maria da Silva, membros da mesa diretora da mencionada sociedade, também se fizeram presentes, atuando na execução do importante evento. Segundo o jornalista Ranufo Flexa de Miranda, membro da equipe de reportagem do Jornal Amapá, “o amplo salão de espetáculos apresentava um aspecto original, por sua decoração artística, relembrando algum recanto paradisíaco do Pacifico, ou uma ilha marajoara mirando-se na versão do Rio Mar. Ambiente sadio, saturado de entusiasmo e garbo da rapaziada elegante da cidade, que homenageava o Dr. Coaracy Gentil Monteiro Nunes, representante do Território Federal do Amapá na capital federal (Rio de Janeiro) e os técnicos americanos que vieram observar as jazidas de ferro do rio Vila Nova, as quais se poderão tornar o berço da siderurgia amazônica.

Luar magnífico se descortinava lá fora, emprestando uma feição bizarra ao limiar daquele cenário, em que se via pompear na imaginação a floresta virgem e exuberante que se esparrama sobre a planície. Folhas de palmeiras e bananeiras, esmeraldinas e graciosas, debruçando-se através dos parapeitos do ventilado cine-teatro. Bancas espalhadas por toda parte. Aprumo de gran-senhores.Imponência de madames.Garrulice de moços entusiastas. Sorrisos encantadores de bonecas perfumosas. O Sr. Governador(Janary Gentil Nunes) as principais autoridades e pessoas gradas, figuras exponenciais da nossa sociedade, compartilhando daquele momento de inefável prazer. A música deleitosa, variada, repercutindo sons alegres nos ouvidos da gente”.

O show se estendeu pela madrugada do dia 18, uma quinta-feira, sendo aberto pelo violinista Mário Rocha, professor de música egresso de Belém, que mantinha um curso particular na cidade de Macapá. Os violonistas Walter Banhos de Araújo e Sidônio Figueiredo o acompanharam. Mário Rocha interpretou duas belas composições musicais: “Santa” e o tango argentino “La Cumparsita”. A seguir, o conjunto musical “Batutas do Ritmo” apresentou números bem populares, que agradaram intensamente à seleta platéia. Uma extraordinária surpresa ficou a cargo do jovem médico Mário de Medeiros Barbosa, cidadão que tem seu nome incluso na galeria dos Governadores do Território Federal do Amapá. Quase ninguém sabia que o ilustre profissional da medicina era também um pianista de reconhecidos méritos. Tocando “blues” e “foxs” ele agitou a platéia. Dr. Barbosa era rotulado pela imprensa e por seus amigos de profissão como o “Solitário de Mazagão”, porque era o único facultativo a atuar na sede do citado município. Sua participação na programação compreendeu uma homenagem aos médicos, haja vista, que, no calendário cívico nacional, o dia 18 de outubro é consagrado a eles. Embora muitos participantes pleiteassem que o show se estendesse até o amanhecer, os organizadores do evento o encerraram por volta das 4 horas da madrugada. Coube ao músico Mário Rocha e seus acompanhantes Walter Banhos e Sidônio Figueiredo fechar a belíssima programação.

O Cine Teatro Territorial foi estrategicamente erguido por trás do Grupo Escolar Barão do Rio Branco, com acesso por dentro do estabelecimento de ensino, quando as programações envolvessem os alunos e os professores e pela lateral da escola, para o público em geral. Embora ainda não fosse utilizado para a exibição cinematográfica, o cine-teatro Macapá, que depois passou a ser identificado como cine-teatro Territorial servia para a realização de eventos importantes. Somente por ocasião das comemorações alusivas aos 45 anos da vigência do Laudo Suíço, que assegurou ao Brasil a posse definitiva da região entre os rios Araguary e Oiapoque é que o cinema foi inaugurado. Isso ocorreu no dia 1/12/1945. A partir de então ele ficou servindo para a exibição de filmes educativos, artes cênicas e solenidades diversas.


Engraxataria 10 de Novembro

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Não se pode afirmar que os homens residentes em Macapá só passaram a ter seus sapatos brilhando após a instalação da “Engraxataria 10 de Novembro”. Porém, o empreendimento facilitou a vida de quem necessitava andar com os sapatos bem cuidados. Em vez de comprar graxa, escova e flanela, o sujeito procurava o engraxate, sentava-se numa cadeira apropriada e ainda lia jornais e revistas de graça. Essa cortesia só era permitida a quem engraxasse seus sapatos. A idéia de montar uma engraxataria em Macapá partiu do senhor Manoel dos Santos, cidadão egresso de Belém, onde exercia a atividade de engraxate e vendedor de jornais e revistas. Ciente de que a cidade de Macapá havia sido definida como a capital do Território Federal do Amapá, portanto sede de uma nova unidade federada tratou de obter informações sobre o local onde pretendia trabalhar. Não conhecendo outra profissão, o engraxate Manuel dos Santos não reunia condições para se candidatar a um emprego de operário das obras públicas que vinham sendo realizadas no burgo. Sabendo que poderia ganhar a vida com o trabalho de engraxate confabulou com a esposa e embarcou para Macapá. Trouxe seus apetrechos e os instalou na calçada do casarão amarelo que havia pertencido ao Coronel Coriolano Fineas Jucá, de frente para o prédio da Prefeitura Municipal de Macapá, que também servia de abrigo para o governo territorial. O casarão amarelo abrigava a Pensão da Madame Charlotte e o Café Aymoré, ambos à direita da Travessa Siqueira Campos e o Elite Bar, este de frente para a Rua Independência (atual Vereador Binga Uchoa). A pensão alugava quartos e fornecia alimentação a seus inquilinos e terceiros.

O Café Aymoré e o Elite Bar eram os pontos dos intelectuais e dos boêmios macapaenses. Os funcionários públicos procuravam andar bem vestidos e ter os sapatos brilhando. Manter os calçados sempre limpos não era tarefa fácil, porque as ruas de Macapá não eram calçadas. Estabelecido em um local privilegiado, Manuel dos Santos angariou um punhado de bons clientes. Uma singela placa de madeira, com a inscrição “Engraxataria 10 de Novembro” identificava seu ponto de trabalho. O nome do empreendimento correspondia a uma homenagem a Getúlio Dorneles Vargas, Presidente da República dos Estados Unidos do Brasil, que, no dia 10 de novembro de 1937 havia decretado o “Estado Novo”, transformando nosso país numa ditadura. Manuel dos Santos passou a conviver com servidores públicos, comerciantes, trabalhadores avulsos e quaisquer outros cidadãos que recorriam aos seus préstimos. Isso o transformou numa pessoa muito bem informada, desde fatos ocorridos no serviço público aos corriqueiros de uma cidade. Entretanto, Manuel dos Santos tinha a hombridade de manter-se discreto.

O homem sabia de tudo, mas preferia vender a imagem de quem estava alheio as conversas que ouvia. Antigos clientes do Manuel me disseram que uns cruzeirinhos de gorjeta ajudavam a clarear a sua mente. Algo do tipo: ”eu vou te revelar um segredo, mas não espalha”. O “Elite Bar”, instalado por João Vieira de Assis, mudou de local de funcionamento e levou consigo a “Engraxataria 10 de Novembro”. Amplo, moderno e aconchegante, o estabelecimento comercial do João Assis passou a funcionar na esquina da Av. Presidente Getúlio Vargas com a Rua São José. Mesas e cadeiras novas espalhadas no terraço a cerca de 50 centímetros de altura do leito das citadas vias públicas. A engraxataria e os freqüentadores contumazes ocupavam espaço na parte do terraço que tinha como limite a parede da casa do casal João Picanço e Raimunda Marques Picanço. Dessa forma, se sentiam mais à vontade e longe dos “perus”. Além de engraxar sapatos, Manuel dos Santos vendia jornais e revistas. Os jornais vinham de Belém no avião dos Serviços Aéreos Cruzeiro do Sul, principalmente a Folha do Norte e a Província do Pará. As revistas nem sempre eram novas,mas tinham boa aceitação. No dia 4 de outubro de 1946, a cidade de Macapá perdeu o concurso de Manuel dos Santos, falecido no reduto do seu lar, Deixou viúva a senhora Itamar Pereira dos Santos e órfãos as filhos Léa, Lecy e Lael.


Herundino, alfaiate, futebolista e policial

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O alfaiate Herundino do Espírito Santo veio para Macapá, em 1945, a fim de jogar futebol pelo Cumaú Esporte Clube, a agremiação alviverde local. Em sua companhia estava o Adinamar, um valoroso atleta que figura na galeria dos futebolistas que vestiram a camisa do Paysandu Esporte Clube. Em Belém, Herundino atuava pela União Esportiva, um time de futebol, que, em 1913 teve a honra de ser o primeiro campeão paraense. Na época em que o Herundino integrava o conjunto da União Esportiva o time não ia bem. As noticias que ele ouvia sobre as excelentes oportunidades de alguém se tornar funcionário público federal motivou a sua saída de Belém. Através da representação do governo do Amapá, instalada em Belém, Herundino soube que havia sido criada a Guarda Territorial estando à corporação precisando de alfaiates para compor sua oficina de costura. Preencheu uma ficha cadastral e aguardou sua chamada. Ela ocorreu em curto espaço de tempo, graças ao interesse que o macapaense José Serra e Silva, presidente do Cumaú demonstrou por ele.

O Adinamar Resende, parceiro de viagem do Herundino era um eficiente centro-médio com passagem pelo Clube do Remo, Tuna Luso Brasileira, Paysandu e União Esportiva. Os dois chegaram a Macapá em meado do mês de outubro e acertaram com os próceres do Cumaú a vinculação deles ao time alviverde. Pediram um tempo para irem a Belém providenciar a mudança. No dia 3/11, quando era voz corrente na cidade a desistência dos citados atletas, ambos apareceram na sede do clube, apresentando mais dois atletas dispostos a jogar e trabalhar em Macapá: Pariché e Cara-de-Onça. Em Belém, atuavam no campeonato paraense da segunda divisão integrando o time do Sacramenta. Herundino foi o único que permaneceu em Macapá, desenvolvendo suas atividades de alfaiate na oficina de costura da Guarda Territorial, então instalada nas casamatas da Fortaleza São José. Adinamar foi chamado pelo Paysandu e preferiu vincular-se mais uma vez ao Papão da Curuzu.

Ciente de que poderia auferir uns cruzeirinhos a mais nas suas folgas, Herundino alugou uma sala em um prédio edificado à Rua Cândido Mendes, onde instalou a alfaiataria “Zaz Traz”. Sua estréia pelo Cumaú ocorreu dia 22/12/ 1945, no campo da Matriz enfrentando o Macapá. O time alvi-verde perdeu por 4×1, mas a atuação de Herundino foi muito elogiada. Neste jogo, o centro-médio Laércio, egresso da Tuna também agradou. A formação do Cumau era: Judidath; Casemiro Dias e Herundino; Tenente, Laércio e Gaivota; 115, Caveira, Souza, Tomé e Jurandino. Os atletas torcedores de Paysandu e Remo sempre realizavam partidas amistosas, rotulando os times como Alvi-Azul e Azulino. Herundino jogava pelo Azulino. Logo na estréia, dia 26/4/1946, seu time perdeu para o Alvi-Azul por 2×1 e ele cometeu um pênalti, que o zagueiro Brasil converteu em gol. O 115 marcou o segundo e Taumaturgo descontou para o Azulino. No dia 7 de maio de 1946, Herundino vestiu a camisa do Macapá pela primeira vez, amargando uma derrota frente ao Amapá Clube por 1×0, gol de Caboclo Alves. Sentiu o sabor de uma vitória no prélio Macapá 3×2 Amapá, no campo da Matriz. A 4/1/1947, um domingo, integrou o primeiro time do Trem Esporte Clube Beneficente, fundado no dia primeiro. Pela manhã, depois da eleição da diretoria rubro-negra, aconteceu a demarcação do campo de futebol da agremiação, na área que hoje corresponde à Praça N. S. da Conceição, doada ao clube pela Prefeitura de Macapá. A partida foi realizada pela manhã, ocasião em que o Trem enfrentou um combinado formado por atletas do Macapá e Amapá. Herundino sentiu o travo da derrota, mas mostrou suas qualidades consignando os dois gols do conjunto proletário.

A 1ª escalação do Trem: Oscar; Herundino e Zeca Banhos; Cabral, Pedro Franco e Branco; Jorge, Oliveira, Labrione, Walter e Lando. Também esteve presente na 1ª excursão que o quadro “ferroviário” fez a Mazagão, onde empatou como Mazagão Esporte Clube por 1×1. O gol do Trem foi do Herundino. Tampinha empatou.O “Trem Lapidador”alinhou com Alcolumbre;Vavá e Zeca Banhos;Labrione,Pedro Franco e Herundino; Epitácio,Jorge, Smith(Oliveira),Walter e Branco.Atuou como juiz,Raimundo Nonato Lima, o Chibé.


Improvisação tenebrosa

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A improvisação fez parte da vida de muitos trabalhadores, que vieram trabalhar em Macapá a partir de janeiro de 1944, marco o inicial da implantação e implementação do território federal do Amapá. Pequena e sem imóveis disponíveis para aluguel, a capital da nova unidade federada simplesmente inchou em termo populacional. As velhas casas do centro eram de taipa de mão, unidas uma às outras, compridas, mas possuíam poucos cômodos. Mesmo assim, diversas famílias aceitaram hóspedes e também viraram pensão fornecendo marmitas aos que não tinham onde preparar a própria comida. Alguns moradores aproveitaram espaços excedentes em seus quintais e construíram quartos, alocando-os a terceiros. Progressivamente, os que pagavam aluguel saíram desse sistema. Arranjaram namoradas, noivaram e casaram com relativa brevidade.

A condição de “amigado” e ”amancebado” atingia uma considerável parcela dos operários. Quando o relacionamento dava certo eles evoluíam para o matrimônio. Quando um solteirão convicto sumia do convívio com seus amigos de boemia, esses diziam que o desaparecido havia arranjado um “cobertor de orelhas”. Se o relacionamento capengasse e ficasse marcado por aconchegos e desprezos, a mulher não passava de um “quebra galho”. Para a turma da birita, que não admitia perder sua liberdade de vaga-mundo, valia passar aperreios em relação à alimentação, fosse de dia ou á noite. Conheci alguns solteirões pertinazes, que residiram em quartos alugados na área onde hoje fica a Praça Isaac Zagury. Eles enfrentavam o batente com denodo, mas passavam rasteiro nas noites de domingo, porque as mais simples biroscas fechavam suas portas e nem ovo frito vendiam. Essa turma não tinha fogão. Alguns alimentos de rápido preparo eram feitos em fogo de lenha colocada entre dois tijolos e instalado fora do quarto. Nestas ocasiões prevalecia o consumo de carne enlatada e sardinhas. Se estivesse chovendo, a gororoba descia sebosa com a ajuda de água ou cachaça. Certa vez, uns quatro ferrenhos solteirões passaram a manhã e as primeiras horas da tarde de um domingo no “Bananeira”, um local relativamente aprazível onde a plantação de bananas era marcante. Ali, saia peixe cozido, frito, grelhado, camarão no bafo, galinha cabidela, feijoada e outros quitutes que porre não rejeita depois do terceiro trago. Por volta das 15h30min, acrescido por outros frequentadores do dançará, o grupo rumou para o então Estádio Municipal de Macapá.

Macapá estava sob os efeitos de fortes chuvas e a “aviação canela” era o meio de transporte maciçamente usado. Os personagens que me contaram o fato lembravam que o jogo tinha sido entre o Trem Esporte Clube Beneficente e o Amapá Clube, mas nenhum dos desportistas lembrava o placar da partida. Também não tiveram a curiosidade de perguntar a alguém. Saindo do estádio grudaram no Bar do Pina e no “Canta Galo” dois renomados estabelecimentos frequentados pelo amantes da “marvada pinga”. Em torno das 21 horas, com o sono e a fome martirizando o grupo, o retorno para o “doce lar” tornara-se imperioso, notadamente porque havia chovido bastante. A jornada foi penosa e despertou nos caminhantes uma fome danada. No interior do quarto sentiram que seria difícil dormir com fome. Um deles decidiu ir à casa de um comerciante, dono de uma geladeira a querosene, buscar a carne do grupo que ali ficava conservada.

O encarregado da façanha levou uma esculhambação sem precedentes,mas pegou a carne. Farinha tinha. De tempero, só o sal. E o fogo, como seria aceso? O fogão improvisado ficava no quintal e a lenha estava molhada. Alguém lembrou ter visto um saco de sarrapilheira cheio de papel na frente do Fórum e foi buscá-lo. Despejaram o papel no chão e jogaram a lenha molhada sobre ele. O calor faria os restos de caixas de madeira pegar fogo. Quando a lenha ardeu os espetos de carne foram estendidos. O mau cheiro era muito forte, gerando a suspeita de que a carne estava estragada. O mais faminto gritou: “vai assim mesmo, depois a gente toma magnésia”. Na 2ª feira, bem cedo, os farristas viram que o papel recolhido no Fórum era de sanitário.


Promessas a granel

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Os promesseiros políticos estão de volta. Eles correspondem aos periquitos que só pousam nas mangueiras quando elas estão frutíferas. Chegam com uma fome feroz e não dispensam bem as manguinhas verdes. As palavras chaves são as mesmas de sempre: novas escolas, postos médicos, atendimento dentário, assistência hospitalar esmerada, novos coletivos, geração de empregos, asfaltamento de ruas, avenidas, becos e pontes, bibliotecas com moderníssimo acerto, segurança pública eficiente, limpeza total das cidades, aberturas de novas estradas e revestimento asfáltico das existentes, etc. Segundo informes de domínio público, são mais de 400 candidatos concorrendo aos cargos de prefeito e vereadores. Alguns deles já alcançaram o píncaro da glória, mas agora estão em queda livre e prestes a sentirem o “cheiro da perpetua”. Mesmo assim não perdem a pose. Falam com a voz mansa como se fossem “anjos de candura”, mas só parecem. Dizem, que o diabo quando não vem manda o secretário ou alguém que o represente neste vale de lágrimas.

Para agradar os eleitores, vários candidatos evidenciam apelidos bem bizarros e até abreviados, porque a escrita ou a pronuncia literal não soam bem. Sujeito de baixa estatura, que tem a bunda baixa, conhecido por parentes e amigos como “cu-de-râ”, propala que seu nome de guerra é “De rã”. Outro, cujo “cegonho” não levanta mais o pescoço é “P. Mole”. Em Rondônia apareceu agora um tal de “Sobre Cú.” É famosa a história de um individuo que ficou rotulado como “calça nova”. Sendo conhecidíssimo no serviço público por exigir e receber propina caiu na besteira de enaltecer sua duvidosa honestidade por ocasião de um comício. Batendo nos bolsos laterais da calça gritou: “nestes bolsos nunca entraram dinheiro público”. Um eleitor, que conhecia muito bem a vida pregressa do bafento, retrucou: “calça nova, né Gabiru”? O candidato prometedor de instalar bibliotecas municipais bem modernas não é um marinheiro de primeira viagem. No presente momento tem o domínio do órgão estadual responsável pelo desenvolvimento da política cultural da nossa combalida “Capitania do Cabo Norte”. A Biblioteca Elcy Rodrigues Lacerda passa por um dos seus piores momentos e há muito tempo não recebe a atenção que merece.

O atual prefeito de Macapá, que concorre à reeleição, também prometeu muita coisa na campanha passada. Ocorre que pretensão é um coisa e a realidade outra. A política bem praticada é importante e salutar. Porém, querer praticá-la usando de práticas aéticas e imorais penaliza os munícipes e só apresenta vantagens para os que agem em conluio ou “cumandita”. Por isso, a “política” é tida como a arte de enganar os trouxas. E é mesmo. Vez por outra, velhacos políticos tiram do fundo da cartola alguém que o eleitor nem conhece.

O sujeito é orientado a agir com cidadão exemplar e merecedor de toda a confiança possível. Este tipo de gente é rotulada como “jabuti”, que num passo de mágica sai do chão para o galho de uma árvores. Ora, jabuti não sobre em árvore, dirão alguns eleitores. Isso mesmo, mas vocês, estimulados por políticos velhacos o colocam em plano elevado. A desgraça é que, uma vez estabelecido no galho, o jabuti não quer descer de jeito algum.

A queda só acontece quando a árvore é derrubada. Para evitar o desmatamento é recomendável manter o jabuti no solo. Quem não dispõe de recursos fartos financeiros e não conseguir fechar acordo consistente com financiadores de campanhas não deve de atrever a concorrer a um cargo eletivo. Nem sempre o eleitor está disposto a fazer uso do voto de protesto, que é optar por um candidato tido sem expressão, cuja vitória despertará revoltas e rancores nos candidatos melhor qualificados. Coisas deste tipo já ocorreram no Brasil.Em São Paulo os eleitores votaram no rinoceronte “Cacareco”,que era do Zoológico do Rio de Janeiro e tinha cedido para o congênere paulista por um certo período de tempo.Os eleitores gozadores alegaram, que sendo vereador na paulicéia o “Cacareco” teria que exercer seu mandato na terra da garoa.Em Jaboatão dos Guararapes, Pernambuco, foi eleito o “Bode Cheiroso”, caprino que chegou a vestir paletó e ser levado à Câmara Municipal no dia da posse.


Civismo não é subserviência

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A crítica situação existente na educação brasileira, no tocante aos atos de indisciplina cometidos por alunos, ao ponto de espancarem professoras, desponta como uma gravíssima falha, que precisa ser corrigida. Em outros tempos, o sistema de ensino nacional contava com conteúdos referentes á moral, á ética e ao civismo. Os alunos recebiam ensinamentos sobre o comportamento que deveriam ter no convívio com seus semelhantes, alicerçados em valores morais, práticas de cidadania e respeito às instituições. O civismo, tão em falta ultimamente, refere-se à atitude e o modo de agir que no dia-a-dia manifestam os cidadãos em defesa dos direitos e deveres que tornam patente a preservação harmoniosa do bem estar de todos.

O civismo não relega a cidadania e o republicanismo, embora maus políticos e adeptos de correntes filosóficas de esquerda queiram torná-lo sinônimo de nacionalismo inexpressivo. Algo como a afirmativa de que os que apreciam o civismo têm inclinação para o militarismo. O civismo precisa voltar a ser praticado no Brasil, pois o cidadão consciente de seus direitos e deveres é um propulsor do crescimento da Pátria. Mas, o próprio governo não o pratica. O que o governo faz, distribuindo benesses ao povo carente é oportunismo cínico. O mau cidadãp é aquele que não respeita os valores, as instituições e as boas práticas políticas de seu país. Faz de tudo para se dar bem. Só visa seus interesses individuais.Não valoriza sua própria história, não conhece os hinos pátrios, não respeita os mais velhos, discrimina seus semelhantes pela cor, credo, religião, situação financeira. É o caso dos indivíduos que colocam seus carros nos lugares reservados para idosos e deficientes. Ignoram os indicativos de atendimento prioritário para gestantes, evidenciam sua condição de autoridade para ser o primeiro a usar um caixa eletrônico e entrar em avião. Antigamente, as regras de boa conduta eram ensinadas nas escolas. Diziam as professoras: “seja educado com as pessoas, ajude os mais velhos a atravessar as vias publicas, a subir escadas, a tomar ônibus, a carregar objetos. Nunca fale palavrões, não faça sinais ou gestos obscenos, não se aproprie de valores de terceiros e públicos”.

Os estudantes, militares, membros de instituições cívicas e o próprio povo apreciavam participar e assistir aos desfiles realizados por ocasião do dia da pátria. No decorrer do período que se estende de 1930 a 1945, denominado “Era Vargas”, notadamente a fase do Estado Novo (1937 a 1945), o civismo do brasileiro foi fundamental para a ocupação das faixas de fronteira, desabitadas e vulneráveis. O cidadão atendeu ao chamado dos governantes para participar de empreitadas marcantes, a exemplo do que se deu na área que hoje corresponde ao Estado do Amapá. Jovens de todas as profissões vieram atuar na novel unidade federada, aceitando encargos para trabalhar no interior. Isso foi possível porque essa gente tinha plena consciência do que é ser civista. Seus filhos cresceram ouvindo repetidos conselhos dos pais, dos mais velhos e das professoras. As escolas públicas foram eficientes ao tornar os alunos participes de importantes momentos da memória nacional. Disciplinas importantes como Educação Moral e Cívica, Organização Social e Política Brasileira, Estudo dos Problemas Brasileiros e Ensino Religioso foram incluídas nos currículos escolares. Todas tratando da ética, moral e civismo.

A disciplina Educação Moral e Cívica foi instituída nas escolas pelo Decreto-Lei nº 869/1969, em todos os graus e modalidades do sistema de ensino do país. A novidade não foi bem aceita pelos políticos de má índole e só permaneceu em evidência até meados da década de 80. Na última década, 12 projetos de lei e, elaborados pó 11 deputados federais e um senador foram apresentados no Congresso Nacional propondo a volta do ensino que versa sobre moral e civismo. Até hoje, os documentos não foram integralmente digitalizados, prova do descaso dos parlamentares sobre o assunto. O senador Pedro Simon, autor de um dos projetos, afirmou que é preciso rejeitar a concepção puramente instrumental da escola, tornando mais conseqüente o fato de que ela é também responsável pela formação ética e cívica dos estudantes.


Recordações da minha infância – Praça da Matriz

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Em fevereiro de 1758, ao ser feito o delineamento da área onde seria implantada a Vila de Macapá, dois amplos espaços retangulares foram traçados e identificados como Largo de São Sebastião e Largo de São João. Devido à edificação da Igreja Matriz de São José, com o passar do tempo, o Largo de São Sebastião ficou conhecido como Largo da Matriz e assim permaneceu até 1924, ocasião em que recebeu como patrono o Capitão do Exército, Augusto Assis de Vasconcelos. Em torno do Largo da Matriz despontou o centro histórico de Macapá compreendendo prédios públicos da administração municipal e residências diversas.

Entre os primeiros figuraram a sede do Senado da Câmara, a Cadeia Pública, a Escola São José, a Casa Paroquial e o templo religioso cujo patrono é o santo carpinteiro. Os imóveis em questão ocuparam terrenos à Rua São José, a única via pública de Macapá, que manteve sua designação original. Casas de comércio, oficinas e portas de prestadores de serviços contornaram o referido largo. Os principais acontecimentos ocorriam no centro da vila e depois cidade de Macapá. Em 1943, quando foi criado o Território Federal do Amapá, a decadência de Macapá era preocupante. A contar de janeiro de 1944, mudanças expressivas começaram a mudar o panorama desolador do burgo. Velhos casarões passaram por reformas bem interessantes. As chamadas casas de taipa, feitas de barro foram reparadas com o mesmo material e apresentaram ótimo aspecto. Elas serviram para abrigar órgãos da administração territorial.

No antigo casarão do Senado da Câmara foi instalada a Unidade Mista de Saúde e esse uso se estendeu até a Inauguração do Hospital Geral de Macapá. Posteriormente serviu pra o funcionamento do Palácio do Governo. Em 1970, o prédio estava seriamente avariado e sem condições de ser reformado ou adaptado. Na área despontou a Biblioteca Pública de Macapá, cujo aspecto era mais modesto do que vemos atualmente. Na Travessa Floriano Peixoto, onde o Padre Júlio Maria de Lombarde fez funcionar o Colégio das Irmãs do Sagrado Coração de Maria passou a funcionar a Divisão de Segurança e Guarda.Mais adiante, na esquina da travessa em epigrafe, com a Rua Barão do Rio Branco( Cândido Mendes), o Fórum foi revitalizado.Entre a Travessa Siqueira Campos(Av. Mário Cruz e o Beco do Sambariri(Passagem Abraham Peres), o governo montou o Serviço de Geografia e Estatística.

Os demais órgãos dividira espaço com a Prefeitura de Macapá, onde hoje está funcionando o Museu Joaquim Caetano da Silva. Pequenas casas comerciais e residenciais prontificavam nas demais áreas.O Largo de São Sebastião foi o ponto vital da Vila de Macapá, que tinha no Senado da Câmara o órgão encarregado da gestão administrativa, da Justiça e de Policia. O pelourinho, símbolo das franquias municipais ficava próximo ao próprio Senado da Câmara. Em frente ao pelourinho eram lidas as proclamações e alvarás da edilidade macapaense e as oriundas do Grão-Pará e de Lisboa. As correções disciplinares principalmente as que se destinavam aos escravos também ali aconteciam.O Largo da Matriz não era dividido por caminho ou passarela.Por ocasião das festas de devoção, notadamente as consagradas a São José, competições comuns em Portugal eram levadas a efeito.

A mais empolgante era o “Jogo das Argolinhas” disputado por exímios cavaleiros que integravam a guarnição da Fortaleza. Cavalgando bons cavalos, e postando lanças, os competidores deveriam introduzi-las em pequenas argolas dependuradas em linha reta, que ficavam balançando como o pêndulo de um relógio. Os arraiais, com barracas bem ornamentadas e brincadeiras populares encantavam aos participes Ao longo do tempo, a área da atual Praça Veiga Cabral foi a mais utilizada por ser plana. A outra ala tinha um declive no sentido da Avenida General Gurjão.Em síntese, a Praça da Matriz serviu de pasto para animais, campo de futebol, armação de barracas de arraial,carrossel,barquinhas, roda gigante, circos,desfiles escolares, missa campal,comício político, show de artistas, etc.


Recordações da minha infância – Praça da Matriz

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Em fevereiro de 1758, ao ser feito o delineamento da área onde seria implantada a Vila de Macapá, dois amplos espaços retangulares foram traçados e identificados como Largo de São Sebastião e Largo de São João. Devido à edificação da Igreja Matriz de São José, com o passar do tempo, o Largo de São Sebastião ficou conhecido como Largo da Matriz e assim permaneceu até 1924, ocasião em que recebeu como patrono o Capitão do Exército, Augusto Assis de Vasconcelos. Em torno do Largo da Matriz despontou o centro histórico de Macapá compreendendo prédios públicos da administração municipal e residências diversas.

Entre os primeiros figuraram a sede do Senado da Câmara, a Cadeia Pública, a Escola São José, a Casa Paroquial e o templo religioso cujo patrono é o santo carpinteiro. Os imóveis em questão ocuparam terrenos à Rua São José, a única via pública de Macapá, que manteve sua designação original. Casas de comércio, oficinas e portas de prestadores de serviços contornaram o referido largo. Os principais acontecimentos ocorriam no centro da vila e depois cidade de Macapá. Em 1943, quando foi criado o Território Federal do Amapá, a decadência de Macapá era preocupante. A contar de janeiro de 1944, mudanças expressivas começaram a mudar o panorama desolador do burgo. Velhos casarões passaram por reformas bem interessantes. As chamadas casas de taipa, feitas de barro foram reparadas com o mesmo material e apresentaram ótimo aspecto. Elas serviram para abrigar órgãos da administração territorial.

No antigo casarão do Senado da Câmara foi instalada a Unidade Mista de Saúde e esse uso se estendeu até a Inauguração do Hospital Geral de Macapá. Posteriormente serviu pra o funcionamento do Palácio do Governo. Em 1970, o prédio estava seriamente avariado e sem condições de ser reformado ou adaptado. Na área despontou a Biblioteca Pública de Macapá, cujo aspecto era mais modesto do que vemos atualmente. Na Travessa Floriano Peixoto, onde o Padre Júlio Maria de Lombarde fez funcionar o Colégio das Irmãs do Sagrado Coração de Maria passou a funcionar a Divisão de Segurança e Guarda.Mais adiante, na esquina da travessa em epigrafe, com a Rua Barão do Rio Branco( Cândido Mendes), o Fórum foi revitalizado.Entre a Travessa Siqueira Campos(Av. Mário Cruz e o Beco do Sambariri(Passagem Abraham Peres), o governo montou o Serviço de Geografia e Estatística.

Os demais órgãos dividira espaço com a Prefeitura de Macapá, onde hoje está funcionando o Museu Joaquim Caetano da Silva. Pequenas casas comerciais e residenciais prontificavam nas demais áreas.O Largo de São Sebastião foi o ponto vital da Vila de Macapá, que tinha no Senado da Câmara o órgão encarregado da gestão administrativa, da Justiça e de Policia. O pelourinho, símbolo das franquias municipais ficava próximo ao próprio Senado da Câmara. Em frente ao pelourinho eram lidas as proclamações e alvarás da edilidade macapaense e as oriundas do Grão-Pará e de Lisboa. As correções disciplinares principalmente as que se destinavam aos escravos também ali aconteciam.O Largo da Matriz não era dividido por caminho ou passarela.Por ocasião das festas de devoção, notadamente as consagradas a São José, competições comuns em Portugal eram levadas a efeito.

A mais empolgante era o “Jogo das Argolinhas” disputado por exímios cavaleiros que integravam a guarnição da Fortaleza. Cavalgando bons cavalos, e postando lanças, os competidores deveriam introduzi-las em pequenas argolas dependuradas em linha reta, que ficavam balançando como o pêndulo de um relógio. Os arraiais, com barracas bem ornamentadas e brincadeiras populares encantavam aos participes Ao longo do tempo, a área da atual Praça Veiga Cabral foi a mais utilizada por ser plana. A outra ala tinha um declive no sentido da Avenida General Gurjão.Em síntese, a Praça da Matriz serviu de pasto para animais, campo de futebol, armação de barracas de arraial,carrossel,barquinhas, roda gigante, circos,desfiles escolares, missa campal,comício político, show de artistas, etc.