Promessas a granel

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Os promesseiros políticos estão de volta. Eles correspondem aos periquitos que só pousam nas mangueiras quando elas estão frutíferas. Chegam com uma fome feroz e não dispensam bem as manguinhas verdes. As palavras chaves são as mesmas de sempre: novas escolas, postos médicos, atendimento dentário, assistência hospitalar esmerada, novos coletivos, geração de empregos, asfaltamento de ruas, avenidas, becos e pontes, bibliotecas com moderníssimo acerto, segurança pública eficiente, limpeza total das cidades, aberturas de novas estradas e revestimento asfáltico das existentes, etc. Segundo informes de domínio público, são mais de 400 candidatos concorrendo aos cargos de prefeito e vereadores. Alguns deles já alcançaram o píncaro da glória, mas agora estão em queda livre e prestes a sentirem o “cheiro da perpetua”. Mesmo assim não perdem a pose. Falam com a voz mansa como se fossem “anjos de candura”, mas só parecem. Dizem, que o diabo quando não vem manda o secretário ou alguém que o represente neste vale de lágrimas.

Para agradar os eleitores, vários candidatos evidenciam apelidos bem bizarros e até abreviados, porque a escrita ou a pronuncia literal não soam bem. Sujeito de baixa estatura, que tem a bunda baixa, conhecido por parentes e amigos como “cu-de-râ”, propala que seu nome de guerra é “De rã”. Outro, cujo “cegonho” não levanta mais o pescoço é “P. Mole”. Em Rondônia apareceu agora um tal de “Sobre Cú.” É famosa a história de um individuo que ficou rotulado como “calça nova”. Sendo conhecidíssimo no serviço público por exigir e receber propina caiu na besteira de enaltecer sua duvidosa honestidade por ocasião de um comício. Batendo nos bolsos laterais da calça gritou: “nestes bolsos nunca entraram dinheiro público”. Um eleitor, que conhecia muito bem a vida pregressa do bafento, retrucou: “calça nova, né Gabiru”? O candidato prometedor de instalar bibliotecas municipais bem modernas não é um marinheiro de primeira viagem. No presente momento tem o domínio do órgão estadual responsável pelo desenvolvimento da política cultural da nossa combalida “Capitania do Cabo Norte”. A Biblioteca Elcy Rodrigues Lacerda passa por um dos seus piores momentos e há muito tempo não recebe a atenção que merece.

O atual prefeito de Macapá, que concorre à reeleição, também prometeu muita coisa na campanha passada. Ocorre que pretensão é um coisa e a realidade outra. A política bem praticada é importante e salutar. Porém, querer praticá-la usando de práticas aéticas e imorais penaliza os munícipes e só apresenta vantagens para os que agem em conluio ou “cumandita”. Por isso, a “política” é tida como a arte de enganar os trouxas. E é mesmo. Vez por outra, velhacos políticos tiram do fundo da cartola alguém que o eleitor nem conhece.

O sujeito é orientado a agir com cidadão exemplar e merecedor de toda a confiança possível. Este tipo de gente é rotulada como “jabuti”, que num passo de mágica sai do chão para o galho de uma árvores. Ora, jabuti não sobre em árvore, dirão alguns eleitores. Isso mesmo, mas vocês, estimulados por políticos velhacos o colocam em plano elevado. A desgraça é que, uma vez estabelecido no galho, o jabuti não quer descer de jeito algum.

A queda só acontece quando a árvore é derrubada. Para evitar o desmatamento é recomendável manter o jabuti no solo. Quem não dispõe de recursos fartos financeiros e não conseguir fechar acordo consistente com financiadores de campanhas não deve de atrever a concorrer a um cargo eletivo. Nem sempre o eleitor está disposto a fazer uso do voto de protesto, que é optar por um candidato tido sem expressão, cuja vitória despertará revoltas e rancores nos candidatos melhor qualificados. Coisas deste tipo já ocorreram no Brasil.Em São Paulo os eleitores votaram no rinoceronte “Cacareco”,que era do Zoológico do Rio de Janeiro e tinha cedido para o congênere paulista por um certo período de tempo.Os eleitores gozadores alegaram, que sendo vereador na paulicéia o “Cacareco” teria que exercer seu mandato na terra da garoa.Em Jaboatão dos Guararapes, Pernambuco, foi eleito o “Bode Cheiroso”, caprino que chegou a vestir paletó e ser levado à Câmara Municipal no dia da posse.


Civismo não é subserviência

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A crítica situação existente na educação brasileira, no tocante aos atos de indisciplina cometidos por alunos, ao ponto de espancarem professoras, desponta como uma gravíssima falha, que precisa ser corrigida. Em outros tempos, o sistema de ensino nacional contava com conteúdos referentes á moral, á ética e ao civismo. Os alunos recebiam ensinamentos sobre o comportamento que deveriam ter no convívio com seus semelhantes, alicerçados em valores morais, práticas de cidadania e respeito às instituições. O civismo, tão em falta ultimamente, refere-se à atitude e o modo de agir que no dia-a-dia manifestam os cidadãos em defesa dos direitos e deveres que tornam patente a preservação harmoniosa do bem estar de todos.

O civismo não relega a cidadania e o republicanismo, embora maus políticos e adeptos de correntes filosóficas de esquerda queiram torná-lo sinônimo de nacionalismo inexpressivo. Algo como a afirmativa de que os que apreciam o civismo têm inclinação para o militarismo. O civismo precisa voltar a ser praticado no Brasil, pois o cidadão consciente de seus direitos e deveres é um propulsor do crescimento da Pátria. Mas, o próprio governo não o pratica. O que o governo faz, distribuindo benesses ao povo carente é oportunismo cínico. O mau cidadãp é aquele que não respeita os valores, as instituições e as boas práticas políticas de seu país. Faz de tudo para se dar bem. Só visa seus interesses individuais.Não valoriza sua própria história, não conhece os hinos pátrios, não respeita os mais velhos, discrimina seus semelhantes pela cor, credo, religião, situação financeira. É o caso dos indivíduos que colocam seus carros nos lugares reservados para idosos e deficientes. Ignoram os indicativos de atendimento prioritário para gestantes, evidenciam sua condição de autoridade para ser o primeiro a usar um caixa eletrônico e entrar em avião. Antigamente, as regras de boa conduta eram ensinadas nas escolas. Diziam as professoras: “seja educado com as pessoas, ajude os mais velhos a atravessar as vias publicas, a subir escadas, a tomar ônibus, a carregar objetos. Nunca fale palavrões, não faça sinais ou gestos obscenos, não se aproprie de valores de terceiros e públicos”.

Os estudantes, militares, membros de instituições cívicas e o próprio povo apreciavam participar e assistir aos desfiles realizados por ocasião do dia da pátria. No decorrer do período que se estende de 1930 a 1945, denominado “Era Vargas”, notadamente a fase do Estado Novo (1937 a 1945), o civismo do brasileiro foi fundamental para a ocupação das faixas de fronteira, desabitadas e vulneráveis. O cidadão atendeu ao chamado dos governantes para participar de empreitadas marcantes, a exemplo do que se deu na área que hoje corresponde ao Estado do Amapá. Jovens de todas as profissões vieram atuar na novel unidade federada, aceitando encargos para trabalhar no interior. Isso foi possível porque essa gente tinha plena consciência do que é ser civista. Seus filhos cresceram ouvindo repetidos conselhos dos pais, dos mais velhos e das professoras. As escolas públicas foram eficientes ao tornar os alunos participes de importantes momentos da memória nacional. Disciplinas importantes como Educação Moral e Cívica, Organização Social e Política Brasileira, Estudo dos Problemas Brasileiros e Ensino Religioso foram incluídas nos currículos escolares. Todas tratando da ética, moral e civismo.

A disciplina Educação Moral e Cívica foi instituída nas escolas pelo Decreto-Lei nº 869/1969, em todos os graus e modalidades do sistema de ensino do país. A novidade não foi bem aceita pelos políticos de má índole e só permaneceu em evidência até meados da década de 80. Na última década, 12 projetos de lei e, elaborados pó 11 deputados federais e um senador foram apresentados no Congresso Nacional propondo a volta do ensino que versa sobre moral e civismo. Até hoje, os documentos não foram integralmente digitalizados, prova do descaso dos parlamentares sobre o assunto. O senador Pedro Simon, autor de um dos projetos, afirmou que é preciso rejeitar a concepção puramente instrumental da escola, tornando mais conseqüente o fato de que ela é também responsável pela formação ética e cívica dos estudantes.


Recordações da minha infância – Praça da Matriz

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Em fevereiro de 1758, ao ser feito o delineamento da área onde seria implantada a Vila de Macapá, dois amplos espaços retangulares foram traçados e identificados como Largo de São Sebastião e Largo de São João. Devido à edificação da Igreja Matriz de São José, com o passar do tempo, o Largo de São Sebastião ficou conhecido como Largo da Matriz e assim permaneceu até 1924, ocasião em que recebeu como patrono o Capitão do Exército, Augusto Assis de Vasconcelos. Em torno do Largo da Matriz despontou o centro histórico de Macapá compreendendo prédios públicos da administração municipal e residências diversas.

Entre os primeiros figuraram a sede do Senado da Câmara, a Cadeia Pública, a Escola São José, a Casa Paroquial e o templo religioso cujo patrono é o santo carpinteiro. Os imóveis em questão ocuparam terrenos à Rua São José, a única via pública de Macapá, que manteve sua designação original. Casas de comércio, oficinas e portas de prestadores de serviços contornaram o referido largo. Os principais acontecimentos ocorriam no centro da vila e depois cidade de Macapá. Em 1943, quando foi criado o Território Federal do Amapá, a decadência de Macapá era preocupante. A contar de janeiro de 1944, mudanças expressivas começaram a mudar o panorama desolador do burgo. Velhos casarões passaram por reformas bem interessantes. As chamadas casas de taipa, feitas de barro foram reparadas com o mesmo material e apresentaram ótimo aspecto. Elas serviram para abrigar órgãos da administração territorial.

No antigo casarão do Senado da Câmara foi instalada a Unidade Mista de Saúde e esse uso se estendeu até a Inauguração do Hospital Geral de Macapá. Posteriormente serviu pra o funcionamento do Palácio do Governo. Em 1970, o prédio estava seriamente avariado e sem condições de ser reformado ou adaptado. Na área despontou a Biblioteca Pública de Macapá, cujo aspecto era mais modesto do que vemos atualmente. Na Travessa Floriano Peixoto, onde o Padre Júlio Maria de Lombarde fez funcionar o Colégio das Irmãs do Sagrado Coração de Maria passou a funcionar a Divisão de Segurança e Guarda.Mais adiante, na esquina da travessa em epigrafe, com a Rua Barão do Rio Branco( Cândido Mendes), o Fórum foi revitalizado.Entre a Travessa Siqueira Campos(Av. Mário Cruz e o Beco do Sambariri(Passagem Abraham Peres), o governo montou o Serviço de Geografia e Estatística.

Os demais órgãos dividira espaço com a Prefeitura de Macapá, onde hoje está funcionando o Museu Joaquim Caetano da Silva. Pequenas casas comerciais e residenciais prontificavam nas demais áreas.O Largo de São Sebastião foi o ponto vital da Vila de Macapá, que tinha no Senado da Câmara o órgão encarregado da gestão administrativa, da Justiça e de Policia. O pelourinho, símbolo das franquias municipais ficava próximo ao próprio Senado da Câmara. Em frente ao pelourinho eram lidas as proclamações e alvarás da edilidade macapaense e as oriundas do Grão-Pará e de Lisboa. As correções disciplinares principalmente as que se destinavam aos escravos também ali aconteciam.O Largo da Matriz não era dividido por caminho ou passarela.Por ocasião das festas de devoção, notadamente as consagradas a São José, competições comuns em Portugal eram levadas a efeito.

A mais empolgante era o “Jogo das Argolinhas” disputado por exímios cavaleiros que integravam a guarnição da Fortaleza. Cavalgando bons cavalos, e postando lanças, os competidores deveriam introduzi-las em pequenas argolas dependuradas em linha reta, que ficavam balançando como o pêndulo de um relógio. Os arraiais, com barracas bem ornamentadas e brincadeiras populares encantavam aos participes Ao longo do tempo, a área da atual Praça Veiga Cabral foi a mais utilizada por ser plana. A outra ala tinha um declive no sentido da Avenida General Gurjão.Em síntese, a Praça da Matriz serviu de pasto para animais, campo de futebol, armação de barracas de arraial,carrossel,barquinhas, roda gigante, circos,desfiles escolares, missa campal,comício político, show de artistas, etc.


Recordações da minha infância – Praça da Matriz

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Em fevereiro de 1758, ao ser feito o delineamento da área onde seria implantada a Vila de Macapá, dois amplos espaços retangulares foram traçados e identificados como Largo de São Sebastião e Largo de São João. Devido à edificação da Igreja Matriz de São José, com o passar do tempo, o Largo de São Sebastião ficou conhecido como Largo da Matriz e assim permaneceu até 1924, ocasião em que recebeu como patrono o Capitão do Exército, Augusto Assis de Vasconcelos. Em torno do Largo da Matriz despontou o centro histórico de Macapá compreendendo prédios públicos da administração municipal e residências diversas.

Entre os primeiros figuraram a sede do Senado da Câmara, a Cadeia Pública, a Escola São José, a Casa Paroquial e o templo religioso cujo patrono é o santo carpinteiro. Os imóveis em questão ocuparam terrenos à Rua São José, a única via pública de Macapá, que manteve sua designação original. Casas de comércio, oficinas e portas de prestadores de serviços contornaram o referido largo. Os principais acontecimentos ocorriam no centro da vila e depois cidade de Macapá. Em 1943, quando foi criado o Território Federal do Amapá, a decadência de Macapá era preocupante. A contar de janeiro de 1944, mudanças expressivas começaram a mudar o panorama desolador do burgo. Velhos casarões passaram por reformas bem interessantes. As chamadas casas de taipa, feitas de barro foram reparadas com o mesmo material e apresentaram ótimo aspecto. Elas serviram para abrigar órgãos da administração territorial.

No antigo casarão do Senado da Câmara foi instalada a Unidade Mista de Saúde e esse uso se estendeu até a Inauguração do Hospital Geral de Macapá. Posteriormente serviu pra o funcionamento do Palácio do Governo. Em 1970, o prédio estava seriamente avariado e sem condições de ser reformado ou adaptado. Na área despontou a Biblioteca Pública de Macapá, cujo aspecto era mais modesto do que vemos atualmente. Na Travessa Floriano Peixoto, onde o Padre Júlio Maria de Lombarde fez funcionar o Colégio das Irmãs do Sagrado Coração de Maria passou a funcionar a Divisão de Segurança e Guarda.Mais adiante, na esquina da travessa em epigrafe, com a Rua Barão do Rio Branco( Cândido Mendes), o Fórum foi revitalizado.Entre a Travessa Siqueira Campos(Av. Mário Cruz e o Beco do Sambariri(Passagem Abraham Peres), o governo montou o Serviço de Geografia e Estatística.

Os demais órgãos dividira espaço com a Prefeitura de Macapá, onde hoje está funcionando o Museu Joaquim Caetano da Silva. Pequenas casas comerciais e residenciais prontificavam nas demais áreas.O Largo de São Sebastião foi o ponto vital da Vila de Macapá, que tinha no Senado da Câmara o órgão encarregado da gestão administrativa, da Justiça e de Policia. O pelourinho, símbolo das franquias municipais ficava próximo ao próprio Senado da Câmara. Em frente ao pelourinho eram lidas as proclamações e alvarás da edilidade macapaense e as oriundas do Grão-Pará e de Lisboa. As correções disciplinares principalmente as que se destinavam aos escravos também ali aconteciam.O Largo da Matriz não era dividido por caminho ou passarela.Por ocasião das festas de devoção, notadamente as consagradas a São José, competições comuns em Portugal eram levadas a efeito.

A mais empolgante era o “Jogo das Argolinhas” disputado por exímios cavaleiros que integravam a guarnição da Fortaleza. Cavalgando bons cavalos, e postando lanças, os competidores deveriam introduzi-las em pequenas argolas dependuradas em linha reta, que ficavam balançando como o pêndulo de um relógio. Os arraiais, com barracas bem ornamentadas e brincadeiras populares encantavam aos participes Ao longo do tempo, a área da atual Praça Veiga Cabral foi a mais utilizada por ser plana. A outra ala tinha um declive no sentido da Avenida General Gurjão.Em síntese, a Praça da Matriz serviu de pasto para animais, campo de futebol, armação de barracas de arraial,carrossel,barquinhas, roda gigante, circos,desfiles escolares, missa campal,comício político, show de artistas, etc.


Recordações da minha infância – o casarão de Sofia Mendes

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O casarão do casal João de Azevedo Coutinho e Sofia Mendes Coutinho, edificado na esquina da Avenida General Maximiano Antunes Gurjão e a Rua São José era o prédio particular mais bonito da velha cidade de Macapá. Seus proprietários integravam famílias tradicionalíssimas e de elevado conceito. João de Azevedo Coutinho descendia do clã liderado pelo Coronel Matheus de Azevedo Coutinho e dona Sofia provinha do tronco familiar cuja figura maior era o Coronel Manuel Theodoro Mendes, cidadão que comandou a guarnição da Fortaleza São José, foi um dos mais destacados Intendentes do município paraense de Macapá e destacou-se como pecuarista na região do Rio Macacoary.

O casarão foi demolido no final do ano de 1970, desapropriado pelo governo do Território Federal do Amapá para permitir a modernização urbanística do centro de Macapá. O terreno se estendia desde a Rua São José até a antiga Rua dos Inocentes, atual Passagem Rio Branco, que liga a Rua General Gurjão ao propalado Largo do Formigueiro. Era mais comprido do que largo. De frente para o velho Largo da Matriz, à margem da Rua São José, tinha à sua esquerda uma área anexa ao Senado da Câmara, que abrigou há pouco tempo a sede do Panair Esporte Clube, mas atualmente pertence à Telefônica OI. O majestoso imóvel, edificado em taipa de pilão, possuía cômodos amplos, um deles alugado à Prefeitura Municipal para acomodar a Escola Primária da cidade de Macapá. Em meados da década de 1950, o citado ambiente passou a abrigar a Secretaria do Colégio Amapaense, cujo prédio ainda estava em construção. Esta ampla sala ficava à esquerda da entrada do casarão, tinha instalações sanitárias e acesso para a Avenida General Gurjão. No lado direito de quem ingressava na “Casa da Tia Sofia” ficavam os quartos, copa, cozinha, dispensa para gêneros alimentícios, depósito para lenha e carvão, forno e galinheiro.

O vasto quintal tinha inúmeras árvores frutíferas, plantas medicinais e decorativas, além de um poço com sarilho. Lembro de um portão existente no cercado paralelo á Rua General Gurjão, posicionado de frente para a casa dos meus pais. Era difícil acontecer, mas as vezes Dona Sofia valia-se da passagem para ir em casa conversar com minha mãe Olga Montoril de Araújo, quase sempre para fazer fuxico contra mim. Ela costumava ficar sentada na sacada do seu quarto bisbilhotando tudo que acontecia na área que hoje abriga o Teatro das Bacabeiras, onde havia um campo de futebol. Ali passávamos a tarde jogando bola, empinando papagaio e disputando peteca. Quase todos os dias, por volta das 16 horas, Dona Sofia me chamava, entregava uma recipiente envolto em papel de embrulho e pedia para que fosse até o comércio do Duca Serra (Emanuel Serra e Silva) buscar uma encomenda. Em troca pelo recado eu recebia um cruzeiro. A recomendação era pra eu não desembrulhar o frasco. Seu Duca recebia o vasilhame, mandava que eu esperasse do lado de fora da venda e depois me chamava. Durante anos eu tentei saber qual era o segredo daquela compra. Somente há pouco tempo a Palmira Mendes Coutinho, uma de suas filhas, revelou que era cachaça alvorada, usada por Dona Sofia para preparar um delicioso licor de jenipapo. A cerca do terreno era de hastes de acapu, madeira super resistente, que ainda estava bem conservada quando ocorreu a desapropriação da área.

Ao longo dela, pelo lado externo, havia melões de São Caetano e muito gengibre. Meus vizinhos que participavam das festas do Marabaixo colhiam à vontade para o preparo da gengibirra. Conheci o casarão em detalhes, haja vista que, em inúmeras oportunidades fui convocado para apanhar goiabas, mamões e cajus. Eu comia mais goiaba do que colocava na sacola feita de saco de sal. Dona Sofia e Seu João Coutinho geraram três excelentes criaturas: Raimunda Mendes Coutinho, a Professora Guita, José Mendes Coutinho e Palmira Mendes Coutinho. Convivi com os três, todos amigos dos meus pais.Dos seus familiares, apenas o neto Círio de Nazaré Menezes Coutinho recebeu da avó a autorização para construir sua residência na nobre área, onde sua viúva ainda mora. No restante do espaço há um prédio das Lojas Kennedy e da Telefônica OI.


Recordações de minha infância (II)

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O antigo prédio da Cadeia Pública de Macapá, erigido na esquina da Av. General Gurjão com a Rua São José mexia com a imaginação dos supersticiosos. Seu Jorge Modesto, o barbeiro que se encarregava de cortar o cabelo da molecada dizia que os causos sobrenaturais a respeito do imóvel não passavam de invencionices. O tal buraco escuro ficava exatamente na parte que ele e sua família ocupavam. Como eu era amigo do Clóvis e do Antonio, filhos de seu Jorge e Dona Nilza Madureira, tinha liberdade para entrar na casa e conhecia bem o lugar, Os cômodos ocupados por Dona Mariinha e seus familiares também abrigaram a alfaiataria do Seu José Atayde, o Barbudo. Seus auxiliares eram o Formiga e o Xunda, dois apreciadores da água que passarinho não bebe.

O Formiga era pacato, mas o Xunda virava o cão em figura de gente quando ingeria uns gorós. Seu Jorge faleceu no inicio do ano de 1952. Seus familiares não tardaram a obter um terreno no chamado bairro da CEA e ali construíram casa própria. Os cômodos passaram a ser alugados para o seu Edgar, um relojoeiro apaixonado pelo Paysandu Esporte Clube conhecido como “boca rica”. A edificação foi demolida em 1970, para permitir o alargamento da Avenida General Gurjão. Passando este prédio, estava a casa do senhor João Batista Coutinho, identificado como “João Barca”.Era um bom marceneiro e desenvolvia suas atividades funcionais na Garagem Territorial. Fabricava brinquedos, utensílios de cozinha em madeira, copos e tigelas de vidro. Os copos podiam ser cortados de garrafas de remédios, refrigerantes, cachaça, cerveja e vinho. As tigelas surgiam da utilização de garrafões de vinho de cinco litros. Ele utilizava óleo retirado dos motores geradores de energia da Usina de Força e Luz nos períodos de troca do lubrificante. A técnica empregada nos deixava fascinados.

O óleo era colocado para ferver e depois derramado dentro do recipiente que seria cortado, que se encontrava dentro d’água. O gargalo quebrava certinho no nível da água. Seu João Barca possuía um “boi cavalo” preto muito manso chamado de “Beleza”. Nos período das festas de devoção (São José e Nossa Senhora de Nazaré), ele selava o animal e o levava para o Arraial. Quem quisesse dar uma voltinha sobre o bicho tinha que pagar. Sua esposa era a mazaganense Raimunda de Araújo Coutinho, Dona Dica, mulher trabalhadora e primorosa no preparo de açaí, cuscuz, pastéis, pé-de-moleque, bolo de macaxeira e filhós.

No quintal de sua residência havia uma mangueira que produzia mangas saborosas. Creio que era a única de Macapá com esta propriedade. Num dia de muita chuva e ventos fortes a mangueira veio ao chão. Passando o cercado do seu João Barca demorava uma velha casa coberta de palha e com piso de barro batido. Ela serviu de local para o funcionamento da unia fábrica artesanal de vinagre. Eram donos do empreendimento o Seu Júlio e meu pai Francisco Torquato, que depois se retirou do negócio. A produção tinha venda certa, mas as precárias instalações impediam a expansão. Como único dono, seu Júlio transferiu o empreendimento para a Rua José Serafim Gomes Coelho, atual Tiradentes, instalando em prédio de madeira entre as casas do casal Ramiro Leite/Sime Madureira e Luzia Francisca da Silva, a Mãe Luzia. O fundo do terreno conflitava com a área do casal João Costa Cecílio e Ursina, cuja frente ainda hoje demanda para a antiga Rua dos Inocentes (Passagem Rio Branco).A casa dos meus pais era a mais nova da rua, com a sala de visita e o pátio feitos em taipa de mão,mas sem a rede de ripas e cipós.

As paredes eram feitas de tábuas brutas, ripadas no sentido horizontal. Sobre as paredes foram assentadas camadas de argamassas preparadas com barro, cal e óleo animal. Quem construiu os dois cômodos era muito bom em sua profissão. Bem niveladas e alisadas, as paredes receberam demãos de cal e ficaram bem bonitas. O restante do material veio da serraria que meu pai possuía no “Reduto do Rio Furo Seco”. Madeira de lei de primeira qualidade e bem aparelhada. Nosso terreno se estendia da Rua General Gurjão à Avenida Professora Cora de Carvalho.


Recordações de minha infância (I)

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Há momentos em minha vida, que fico lembrando da minha infância e do meu convívio com moradores da Avenida General Gurjão, no centro de Macapá. Gerado na cidade de Mazaganópolis, onde meu pai Francisco Torquato de Araújo era prefeito, ali vivi de maio de 1944 a abril de 1946, ocasião em que meu genitor decidiu solicitar exoneração do cargo e foi cuidas dos seus empreendimentos comerciais na região das Ilhas do Pará. Fixamos morada no “Reduto do Rio Furo Seco, cuja foz fica na margem esquerda do canal norte do rio Amazonas em frente a entrada do rio Mutuacá, mais conhecido como Mazagão Velho. Em dezembro de 1948, eu estava caminhando para completar 4 anos de idade, quando meu pai comprou um imóvel bem construído pelo empreiteiro João Pernambuco e decidiu transferir a família para Macapá. Ainda hoje tenho duas irmãs que residem na via pública acima mencionada, nº 171, entre as Ruas São José e a Tiradentes.
O cenário era muito diferente dos dias atuais. Quase todas as casas eram erigidas em taipa de mão, posicionadas nas duas laterais da General Gurjão.Umas ocupavam terrenos longos. Outras quase não tinham quintal. No trecho citado diversos imóveis estavam abandonados, quase em ruínas. Quando comecei a ter noção das coisas da vida, ainda entrei em alguns deles, sem pensar o quanto deve ter sido penoso seus ocupantes baterem em retirada. Nem todos os residentes da Avenida General Gurjão eram de Macapá, mas estavam bem confortáveis no seio da comunidade macapaense.A partir da Rua Cândido Mendes, no sentido do Cemitério Nossa Senhora da Conceição, relembro da casa do senhor Luiz Pires da Costa, proprietário da “Casa das Cordas”, cidadão português egresso de Manaus, que casou em Macapá com Lina de Matos, integrante de tradicionalíssima família local.

O casal havia morado bem perto da margem direita do rio Amazonas, ocupando área que o governo territorial do Amapá desapropriou para melhorar o aspecto da frente da cidade e construir o Macapá Hotel. Depois da Casa das Cordas existiam quatro residências geminadas feitas em taipa. Uma delas abrigou por muito tempo a Escola Municipal de Macapá. Onde estão eretos os prédios da Embratel e uma residência pertencente à Companhia de Eletricidade do Amapá, existiu uma espécie de pracinha, sendo possível trafegar por ela, entre as avenidas General Gurjão e Cora de Carvalho.Isso, antes da criação do Território Federal do Amapá. Com a implantação da nova unidade federada, o governo utilizou o amplo espaço para edificar a Garagem Territorial e a Usina de Força e Luz. A partir da usina recordo o aspecto da humilde habitação do casal Adão e Eva, vizinhos dos macapaenses Emanuel Serra e Silva e Antônia Picanço e Silva, conhecidos como Duca Serra ou Minduca e Antonica. Minduca era pequeno comerciante e já havia trabalhado no Serviço Especial de Saúde Pública-SESP, como “mata mosquito”. Vinha a seguir o “Café Moeda”, local preferido pelos funcionários da Garagem Territorial e da Usina de Força e Luz.Seu proprietário era o senhor Antônio Pinheiro Sampaio, rotulado como “Seu Moeda” e casado com Antônia Silva Sampaio. Passando um terreno sem construção alguma vinha a “Pensão Sempre Viva”, gerenciada pela Madame Nenem Veríssimo e por sua filha Maria do Carmo.

A pensão integrava um bloco de casas geminadas composto por três unidades, às duas últimas pertencentes à Dona América Tavares e ao casal Herádito de Azevedo Coutinho (Ditinho) e Raimunda Coutinho (Dica). A Rua São José separava esse conjunto de uma edificação muito antiga, feita em taipa de pilão, com paredes bem grossas. Ali tinha funcionado a Cadeia Pública da Vila e da Cidade paraense de Macapá. Sua ocupante era Dona Mariinha tendo como co-habitantes o barbeiro Jorge Modesto e sua esposa Nilza, seu Jayme e dona Benedita (Biló). Diziam que o local era mal assombrado e que as almas dos que morreram no poço seco escavado em uma das celas gemiam e arrastavam correntes. Tudo fantasia. Rente a Cadeia morava João Barca e Raimunda Coutinho(Dica) compadres de meus pais Francisco Torquato e Olga Montoril.


Ações governamentais no interior

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Ao iniciar sua gestão como governador do território federal do Amapá, a 25 de janeiro de 1944, o capitão Janary Gentil Nunes precisou contar com o apoio de uma valorosa equipe para poder mudar o cenário decadente que a região correspondente à nova unidade federada apresentava. Se na capital o estado sanitário era deprimente, no interior a realidade revelava um abandono absoluto, notadamente na área compreendida entre o arquipélago do Bailique e a margem direita do rio Oiapoque.

A cidade de Amapá e o povoado e Oiapoque, por exemplo, só podiam ser alcançada por via marítima, aérea e fluvial. Mesmo assim. Antes de meados do ano de 1945, o governo recorreu aos préstimos de proprietários de embarcações para visitar pontos afastados da sede administrativa. Uma vez por semana, aos sábados um avião do Correio Aéreo Nacional-CAN, vindo do Rio de Janeiro, pousava em Macapá, Base Aérea de Amapá e Oiapoque, estendendo seu vôo até Caiena. Nestas ocasiões cargas importantes e trabalhadores eram transportados.

A estrada de rodagem Macapá/Clevelandia sequer passava do quilômetro 25, entrada pata a região do rio Pedreira. Nos dias que antecederam o final do mês de junho de 1945, quando o governo já havia criado o Serviço de Transportes Marítimos e contava com alguns iates, entre eles o Itaguary, Janary Nunes convocou alguns membros de sua equipe para empreender uma importante viagem à região norte do Território do Amapá. A visita seria de inspeção aos serviços públicos e levantamento das necessidades vitais dos interioranos. Todas as providências foram tomadas com a antecedência necessária. A bordo do iate Itaguary foram colocadas carteiras escolares, material didático, medicamentos, gêneros alimentícios, aparelhagem cinematográfica, redes, mosquiteiros, combustíveis. Além da tripulação, comandada pelo mestre Idalino Oliveira, encontravam-se embarcados enfermeiros, professoras e alguns operários.

O Iate Itaguary antecedeu a viagem da comitiva governamental e foi aguardá-la em Oiapoque. No dia 30 de junho, uma quinta-feira, a comitiva governamental embarcou em um aparelho do Correio Aéreo Nacional com destino à fronteira norte do Brasil. Acompanharam o governador: o capitão Humberto Pinheiro de Vasconcelos Diretor da Divisão de Segurança e Guarda e comandante da Guarda Territorial; o engenheiro Hildegardo Nunes, Diretor da Divisão de Viação e Obras Públicas; o agrônomo Arthur de Miranda Bastos, diretor da Divisão de Produção e Pesquisa e o médico Célio Melo,representando a Divisão de Saúde. Ao chegarem ao Oiapoque, os excursionistas embarcaram no iate Itaguary, onde ficaram instalados. Na manhã do dia 1º de julho foi empossado o primeiro prefeito do município de Oiapoque, senhor Amadeu Burlamaque Simões. Em seguida, a embarcação seguiu para Clevelândia do Norte, aldeia dos índios Galibis, no rio Uaçá, propriedades da senhora Quity Guarany, do casal Jacynto Santos, casal Amaral, senhor Antônio Abreu e Ponta dos Índios. No Uaçá foi conhecido o trabalho que o Serviço de Proteção aos Índios vinha realizando. Os silvícolas receberam a assistência de que precisavam para produzir e vender seus produtos agrícolas. Seus filhos dispunham de um internato que, instalado a pouco tempo, prometia ser eficiente.

O Serviço de Proteção aos Índios estava sob o controle do inspetor Eurico Fernandes. Dia 4 de julho os excursionistas atracaram na cidade de Oiapoque, pela madrugada. Durante o dia o governador atendeu dirigentes locais e comunitários. À noite, a comitiva jantou na residência do casal Becil e participou de um baile na sede do Oiapoque Clube. Na tarde do dia 6 de julho, o Itaguary deixou Oiapoque, entrou nos rios Cassiporé e Jenipapo indo até Vila Velha. Concluído os trabalhos, o belo iate voltou a costear o litoral e, dia 8 atracava na propriedade do senhor Raul Nascimento, no Cunani. Dia 9 seguiu para a Vila de Calçoene e dia 10 atracava no trapiche da cidade de Amapá, ali permanecendo até dia 12. O governador Janary Nunes e seus diretores deslocaram-se até a Base Aérea, retornando a Macapá em avião dos Serviços Aéreos Cruzeiro do Sul.


Soldados do fogo

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Desde a antiguidade, o homem se preocupou em combater e extinguir incêndios. Na Grécia e em Roma, os soldados que montavam vigilância em pontos elevados tinham a missão de dar o alarme quando sinais de fogo eram observados. Usavam-se baldes e outros recipientes similares para transportar água e o voluntarismo imperava. Na França surgiu uma das primeiras turmas com organização militar denominada “Companhia dos Sessenta Guarda Baldes”, que serviu de modelo para outros países. No Brasil, até o dia 2 de julho de 1856, a cidade do Rio de Janeiro, sede do Império, existiu o Serviço de Extinção de Incêndios, compreendendo seções instaladas  nos Arsenais de Guerra da Marinha, Repartições de Obras Públicas e das Casas de Correções. Na data acima mencionada, o Imperador D. Pedro II baixou o Decreto nº 1.175, extinguindo a instituição anterior, criando e regulamentando o Corpo Provisório de Bombeiros da Corte, cujo primeiro comandante foi o major do corpo de engenharia João Batista de Castro Morais Antas. Em 1880, a corporação passou a ter organização militar e, foram concedidos postos e insígnias aos seis componentes. Com o passar do tempo, equipamentos mais sofisticados foram utilizados, inclusive viaturas mecanizadas. Possuía o Corpo de Bombeiros da Corte, daquela época, 15 bombas manuais, 73 mangueiras de couro, 23 mangotes, 2 sacos de salvação e 240 palmos de mangueiras em depósito.

Os incêndios eram assinalados por três tiros de artilharia de grosso calibre, disparados do Morro do Castelo, com intervalos de cinco minutos e pelo toque do sino grande da Igreja de São Francisco de Paulo e da matriz da freguesia onde ocorria o incêndio. Durante o sinistro permaneceria içada uma bandeira vermelha no mastro do Morro do Castelo, sendo essa flâmula substituída à noite por uma lanterna da mesma cor. O badalar dos sinos obedecia a uma convenção especial. Um certo número de badaladas do sino da Igreja de São Francisco correspondia à freguesia onde o fogo ocorria. A primeira pessoa que transmitisse o aviso de fogo, com as necessárias indicações, à policia ou a um posto de bombeiros, era premiada com uma gratificação correspondente à importância do aviso.

Os proprietários ou condutores de veículos com tração animal eram obrigados a entregá-los aos bombeiros e a emprestar os serviços que lhes fossem exigidos. Os mestres-de-obras tinham de fornecer as ferramentas que possuíssem e as autoridades policiais tinham o direito de requisitar archotes, velas, etc, nas respectivas casas do ramo, se isso se tornasse preciso nos serviços de extinção do fogo. Todas essas requisições eram pagas à vista pelos preços normais, na Repartição de Policia, bom como o aluguel dos veículos e animais porventura utilizados. Em 1954, através do Decreto nº 35.309, o Presidente da República dos Estados Unidos do Brasil, Getúlio Dorneles Vargas instituiu a data de 2 de julho como dia do Bombeiro.

Em Macapá, a partir de 1944, quando foi instalado o governo do Território Federal do Amapá, a ocorrência de um incêndio mobilizava voluntários no seio da comunidade. Baldes de alumínio e latas vazias de querosene e gasolina serviam para captar água de poço, haja vista que não existia água encanada na cidade. Com a criação da Guarda Territorial, o serviço de combate a incêndios lhe foi atribuído, mas todo o equipamento existente era muito precário. A população tomava conhecimento da ocorrência de incêndio através da sirene instalada no alto do prédio da Usina de Força e Luz, inaugurado em setembro de 1945. Foi assim durante um bom período de tempo, até que inventaram de fazer a sirene soar quando um avião sobrevoava Macapá trazendo alguma importante autoridade, principalmente o governador. A cidade de Macapá, que hoje possui um operoso Corpo de Bombeiros passou por maus momentos com pavorosos incêndios.

O embrião da instituição tem origem na Guarda Territorial, com estágio na Prefeitura Municipal de Macapá e na Policia Militar. Em 1992, o antigo Grupamento de Bombeiros ganhou autonomia. Dentre os incêndios que chocaram a comunidade lembramos: o belo iate Itaguary, barris de asfalto depositados atrás da Fortaleza, as duas alas do comércio de Macapá situadas na Rua Cândido Mendes.


O Forte Príncipe da Beira

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A preocupação dos portugueses em atingir o Amazonas teve início a partir de 1614, quando Portugal estava sob domínio espanhol. Isso facilitou as ações dos lusitanos, haja vista que as terras do vale amazônico pertenciam à Espanha, conforme estabelecia o Tratado de Tordesilhas. A empreitada envolveu militares, religiosos e colonos. Uma rede de fortificações, que começou com os estabelecimentos que defendiam Belém, estendeu-se pelo interior e cobriu a fronteira. Entre as principais posições armadas se destaca o Forte Príncipe da Beira, erguido na Amazônia Oriental. Relatos feitos pelo explorador castelhano Nuflo Chaves sobre o Vale do Guaporé foram úteis aos portugueses, notadamente a Antonio Raposo Tavares, que, descendo o Paraná alcança os rios Guaporé, Mamoré e Amazonas, em 1647.

Foi a primeira bandeira a tomar conhecimento das cachoeiras e corredeiras do rio Madeira. Através dela, foi incorporada à zona de influência da Coroa portuguesa, toda a região Oeste e se vislumbrou a possibilidade de uma ligação fluvial entre São Paulo e o Amazonas. Em 1722, quando Portugal já havia reconquistado sua soberania, Francisco de Melo Palheta, partindo de Belém, atingiu os rios Madeira, Mamoré e Guaporé, chegando a Santa Cruz de La Sierra, reduto espanhol. Em 1748, o rei de Portugal dividiu a província de São Paulo em duas partes e deu o nome à segunda parte de Província de Mato Grosso. Nomeou como Presidente o capitão-general Antônio Rolim de Moura. Os espanhóis protestavam contra as atitudes dos lusitanos, alegando que as terras da Amazônia eram da Espanha.Porém, em 1750, quando foi firmado o Tratado de Limites, entre Espanha e Portugal, acertara-se que haveria paz permanente entre os súditos das duas coroas, independentemente das violações praticadas na planície Amazônica.Adotava-se, na ocasião, o principio jurídico UTI POSSEDETIS, que assegurava aos portugueses a posse mansa e pacifica, ou ocupação real das terras ocupadas. Embora concordando com isso, porque a decisão impediria Portugal a ir além dos pontos conquistados, os castelhanos procuraram, por força das armas, impedirem a validade da medida. Desde 1743, havia na margem esquerda do rio Guaporé, portanto em terras espanholas, uma redução jesuítica que o Padre Atanázio Teodori denominara de Aldeia de Santa Rosa. Ao tomar conhecimento dos termos do Tratado de 1750, o sacerdote, em sinal de protesto, mudou-a para a margem direita do rio. Em 1753, partindo de Vila Bela, fundada pelos lusos, Rolim de Moura atacou Missão Santa Rosa e fundou no local o povoado de “Guarda de Santa Rosa Velha”.Outros entreveros aconteceram. Em 1769, sendo Presidente da Província de Mato Grosso Luis Pinto Coutinho, foi inaugurado o fortim Bragança, cujas obras tinham sido iniciadas na gestão de João Pedro da Câmara,sobrinho de Rolim de Moura.Em 1772, uma enxurrada destruiu o fortim.Em 1776.

O governado do Grão Pará Luiz Albuquerque de Melo Pereira e Cárceres foram ao local do desmoronado fortim Bragança, escolhendo outro espaço para a ereção de um novo forte. Assim, dia 20.6. 1776, na margem oriental do rio Guaporé, era lançada a pedra fundamental do Forte Príncipe da Beira, sob a direção do engenheiro Domingos Sambuceti, que já havia atuado na construção da Fortaleza de São José, em Macapá. O projeto compreende um quadrado de 970 metros de perímetro, muralhas com 10 metros de altura e quatro baluartes (Nossa Senhora, Santa Bárbara, Santo Antônio de Pádua e Santo Avelino), cada um armado com 14 canhões, 14 edificações no pátio central, em tudo igual a Fortaleza de Macapá. A denominação do forte é uma homenagem a D. José de Bragança, príncipe do Brasil e da Beira.

A edificação ocorreu entre 1776 e 1883. Ficou muito tempo escondido pela mata, pilhado por bolivianos e aventureiros. O Marechal Cândido Rondon o localizou e o Exército Imediatamente passou a ocupá-lo. É um belo monumento da cidade de Guajará-Mirim, no município de Costa Marques, Estado de Rondônia. O Forte Príncipe da Beira foi tombado pelo IPHAN, em 30.11.1937, 13 anos antes do tombamento da Fortaleza de Macapá.