O verde território da esperança

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Nasci no ano de 1944, quando a implementação do Território Federal do Amapá ocorria de forma acelerada. A área que passou a integrar a nova unidade criada em 13/9/1943 era relegada pelo Estado do Pará e já havia sido desejada por aventureiros, principalmente pelos franceses. A falta de infra-estrutura social e econômica era patente. A cidade de Macapá, sede do antigo município de igual denominação, jurisdicionado ao Pará, não possuía água encanada, energia elétrica, hospital e empreendimentos geradores de empregos. Em pouco tempo, o panorama mudou radicalmente. Subordinado ao Ministério da Justiça e Negócios Interiores, o Amapá tinha que andar na linha. O governador Janary Gentil Nunes, paraense natural de Alenquer tinha perfeita consciência de que sua missão atendia exigência da segurança nacional. Desenvolveu seu trabalho enfrentando mudanças radicais no alto escalão da Nação tendo como principal galardão sua eficiência e probidade. O povo recebeu com simpatia a filosofia por ele implantada, evidenciando o otimismo em relação ao futuro e a crença de que tudo precisava mudar. Nas escolas públicas, os estudantes aprenderam a dar valor ao civismo. Sem o amor de seus filhos, o Amapá não progrediria. Usava-se com freqüência a expressão: “Amapá, o Verde Território da Esperança”. O Amapá era e ainda é verde, mas a esperança está passando ao largo, como um navio pilotado por aventureiros, sem rumo certo.

Apesar de haver portos bastante seguros, onde a embarcação possa atracar, os comandantes buscam um destino sem fundamentos morais e éticos. O melhor atracadouro é a esperança, que precisa ser entendida como condição de progresso. A palavra vem de esperar, ansiar, almejar. Esperar que a nossa terra seja respeitada,seu povo valorizado, a riqueza que produzimos retorne à população em forma de educação, saúde, segurança e emprego. Os eleitores amapaenses precisam rejeitar os oportunistas, que se prevalecem de cargos eletivos para surrupiar o dinheiro público. No decorrer das campanhas eles agem como autênticos “santos do pau oco”. Depois de eleitos revelam um cinismo revoltante, mostrando que não cultuam o civismo e são capazes de praticar atos abomináveis. O verde, da frase que titula este artigo teve inicialmente o sentido de novo. O verde das nossas matas e campos vem sendo preservado a custa de muito esforço dos cidadãos residentes no meio rural e por força das leis de proteção ambiental. É tão importante, que passou a nominar um projeto concebido pelo Senador José Sarney propondo a criação da Zona Franca Verde no Amapá.

Dia 18/12/2015, a Presidente Dilma Rousseff sancionou a nova lei, renovando as esperanças dos amapaenses. Considerada um corredor econômico, que viabiliza a instalação de indústrias para a fabricação de produtos com matéria prima de origem animal, vegetal e mineral, a ZFV oferece atrativos às indústrias que desejarem se instalar no Amapá. Em épocas mais recuadas, em Calçoene, tivemos uma fábrica rudimentar, que extraia essência de pau-rosa, vendendo-a a japoneses, europeus e norte-americanos. Desde o meu tempo de guri, ouço dizer que os campos do Amapá não prestam para a agricultura. A terra é improdutiva e ácida. Como não presta? A Companhia Progresso do Amapá-COPRAM, empresa que integrava o grupo do empresário Augusto Antunes usou uma vasta faixa de serrado para plantar cana-de-açúcar e o resultado foi excepcional. A empresa pretendia implantar uma fábrica de açúcar para produzir 100 mil sacos do produto ao mês. Infelizmente, manobras dos grandes usineiros do Nordeste impediram a concessão da licença federal.

A COPRAM ateou fogo na plantação e a liberou para quem quisesse retirar canas da área. Experimentos com soja registram bom nível de produtividade, até mesmo nos campos do Curralinho, bem perto de Macapá. Ora, se os campos de Rondônia e os lavrados de Roraima estão sendo utilizados para o desenvolvimento de grandes empreendimentos agrícolas, por que, nos campos do Amapá o mesmo não pode acontecer? No primeiro semestre de 2016, o governo federal deverá regularizar as terras do Amapá e isso ajudará a mudar esta triste realidade.


A inauguração da loja maçônica Duque de Caxias

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Às 15h20min do dia 18 de novembro de 1948, chegava a Macapá uma embaixada formada por 23 maçons paraenses, alguns acompanhados de suas esposas, viajando num avião DC 3 dos Serviços Aéreos Cruzeiro do Sul, sucedânea da Panair do Brasil Ltda. Os visitantes foram recepcionados no antigo aeroporto da Panair do Brasil pelas autoridades territoriais e maçons locais.Após o embarque a comitiva seguiu para o Macapá Hotel, onde,às 16 horas foram saudados e tomaram sorvetes de frutas regionais. Ás 16 horas, a embaixada visitou a Fortaleza São José, que estava sendo restaurada.

Os maçons paraenses vieram a Macapá assistir a instalação e a regularização da Loja Maçônica Duque de Caxias, dia 19 de novembro, data que caiu numa sexta-feira. A instituição foi fundada no dia 1º de julho de 1947, sob jurisdição da Grande Loja do Pará, que a registrou com o número 16. O importante acontecimento estava incluído na programação oficial do Território Federal do Amapá comemorativa ao dia da Bandeira Nacional. Às 9h10min do dia 19 de novembro houve a consagração e a regularização do templo maçônico erguido à Avenida Braz de Aguiar, que posteriormente recebeu o nome de Coriolano Finéas Jucá.

À época, as pessoas comuns e excentricamente carolas julgavam que a Maçonaria era uma instituição religiosa que tinha parte com o Demônio, cultuando na figura de um bode. Até hoje, a maioria do povo não sabe que a Maçonaria é uma instituição de abrangência universal, essencialmente filosófica, filantrópica, educativa e progressiva. Não distingue o homem pela raça, cor, credo ou nacionalidade. Visa primordialmente o aprimoramento do homem. Proclama a prevalência do espírito sobre a matéria e busca o aperfeiçoamento moral, intelectual e social da humanidade. Seu lema é composto pela tríade LIBERDADE, IGUALDADE e FRATERNIDADE, dentro dos princípios da Razão e Justiça, ou seja, liberdade de consciência, a igualdade de direitos e deveres e a fraternidade universal. Afirma que o sectarismo político, religioso ou radical é incompatível com a universalidade do espírito maçônico e proíbe expressamente a discussão político-partidária. Combate a ignorância, o fanatismo, a superstição, o obscurantismo e a tirania de todas as formas. Combate o vicio, a escravidão e a imoralidade sob todos os seus aspectos.

A palavra maçom é de origem francesa e significa pedreiro. Alguns autores julgam que a sociedade maçônica deve sua existência a uma confraria de pedreiros construtores que, na idade média, percorreram a Europa e construíram catedrais góticas. O ideal maçônico, no Brasil, esteve presente na Inconfidência Mineira, na Conjuração Baiana, na Revolução Republicana, no episódio do Fico e na Declaração de Independência do Brasil. Até a obtenção de terreno para erguer o prédio da Loja Maçônica Duque de Caxias, seus idealizadores reuniram-se na residência do irmão Antônio Valdemar Veiga, servidor do Banco de Crédito da Amazônia, e mesmo na Superintendente do Serviço de Transportes do governo amapaense, órgão que congregava Serviço de Navegação e o Serviço Rodoviário, cujo titular era Eloy Monteiro Nunes. O nome da loja foi sugerido pelo tenente José Alves Pessoa, em reunião realizada no dia 10 de fevereiro de 1947, aceito por todos, para homenagear Luiz Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias. Sempre entendi a maçonaria como coisa absolutamente normal. Acostumei-me a ver meu pai, Francisco Torquato de Araújo, que integrou seu quadro de artífices, preparar-se para participar das reuniões da entidade. Por respeito, nunca procurei saber detalhes sobre os princípios filosóficos da importante instituição. Até hoje não distingo sinais, cumprimentos ou palavras chaves.

Os maçons que eram amigos de meu genitor me chamavam de sobrinho, o que não me incomodava e também não mexia com minha curiosidade. Quando antigos fregueses comerciais de meu pai o convidavam para ser padrinho de seus rebentos, não havia recusa, mas eu era designado para representá-lo na hora do batismo. É que sendo maçom, papai não podia participar do aludido sacramento. Uma grande bobagem cometida pela Igreja Católica, pois cansei de ver meu genitor rezando e lendo publicações religiosas, inclusive a bíblia.


Izabel Araújo e Aracy Nascimento

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professora Izabel Araújo, integrante da primeira família de nossa cidade a tornar-se membro da Igreja Pentecostal Assembléia de Deus foi bastante hostilizada pelos adeptos do catolicismo da então sede do município paraense de Macapá. Precisou mudar-se para a Ilha dos Porcos, na região das ilhas do Pará,porque ficou impedida de exercer o magistério e sofria contundentes achincalhes. Mesmo assim,manteve seu propósito de continuar pentecostal e aguardar que a forte influência do Padre Júlio Maria Lombaerd cessasse. Isso aconteceu por volta de 1917, quando o pastor Clímaco Bueno Aza iniciou sua pregação e arrebanhou a família Araújo como fiel adepta e colaboradora. Quando o momento propício despontou, logo após a saída do Padre Júlio e com respaldo da justiça, a família Araújo voltou a se estabelecer em Macapá. Izabel Araújo contou com o importante apoio da professora Cora de Carvalho para avançar nos estudos e passar a lecionar na Escola Pública de Macapá. Na época, o ensino não ia além da terceira série primária e assim permaneceu até que, a partir de setembro de 1946, se estendeu á quinta série com aulas ministradas no recém inaugurado Grupo Escolar Barão do Rio Branco.

A professora Izabel Araújo residia na Passagem Carlos Novais, via pública que era conhecida como Beco do Serrano e ligava a Rua Cândido Mendes à Rua 24 de Outubro então rotulada como Rua da Praia. Ela foi a primeira mestra a falecer após a instalação do Território do Amapá. A professora Aracy Nascimento da Silva era natural de Belém, onde nasceu a 6 de março de 1930, filha de Raimundo Nonato da Silva e de Mariana Nascimento da Silva. Após a conclusão do curso pedagógico na Escola Normal do Pará veio lecionar em Macapá, exercendo suas atividades no Grupo Escolar Barão do Rio Branco e na Escola Doméstica de Macapá, atual Escola Santina Rioli. Era uma jovem alegre e participativa que a todos cativava com invulgar simpatia. Residia na casa da senhora Oswaldina, no “Beco do Abieiro”,situado entre as Travessas Floriano Peixoto(Presidente Vargas) e Braz de Aguiar(Coriolano Jucá).

A despeito de ter o curso pedagógico, Aracy tinha decidido formar-se em contabilidade, razão pela qual se matriculou na Escola Técnica de Comércio do Amapá-ETCA, atual Escola Gabriel de Almeida Café. Ela concluiria o curso no final do ano de 1953. Entretanto, no dia 11 de agosto de 1953, após assistir regularmente as aulas na ETCA e ter participado de uma reunião com os demais concluinte, a Professora Aracy Nascimento chegou á casa sentindo-se mal,mas mesmo assim e preparou o plano de aulas que seguiria no dia seguinte. Levantou por volta das 05h30minhoras da manhã do dia 12 e se dirigiu à mesa de café, ocasião em que um violento enfarte ceifou sua vida. Foi amparada pelo jornalista Carlos Cordeiro Gomes, seu grande amigo que também morava na casa de dona Oswaldina. Seu funeral foi custeado pelo governo do Amapá, saindo o féretro da Igreja São José para o Cemitério Nossa Senhora da Conceição.


Boto não vira gente

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Essa conversa de que o boto vira gente, para seduzir mulheres que vivem nas margens de rios e igarapés, surgiu quando algumas jovens solteiras engravidavam e seus familiares cuidavam de proteger sua honra.

Em tempos mais recuados, quando uma mulher solteira engravidava dava um rolo danado. Com medo das ameaças do sujeito que lhe aplicara o “benefício”, não revelava sua identidade. Para todos os efeitos, o “beneficiador” tinha sido o boto vermelho.

Mas não eram apenas as solteiras que ficavam prenhes “misteriosamente”. Algumas mulheres casadas, amigadas ou amancebadas, cujos maridos passavam longo tempo fora de casa, perambulando pela floresta, riscando seringueira ou colhendo produtos extrativos, envolviam-se com outro homem e lançavam a culpa no pobre do boto.

Certamente, devido ao fato do boto ter pênis e ficar irrequieto quando uma mulher menstruada navega em pequena canoa, acompanhando-a o tempo todo, os índios e os caboclos inventaram a lenda de que o pobre mamífero da ordem dos cetáceos se transformava em homem para deflorar as virgens amazônidas que frequentavam festas dançantes de devoção ou de aniversário.
Como o “embarrigamento” de donzelas era relativamente acentuado, muitas famílias se apressavam em dizer que a “barriguda” tinha sido seduzida pelo boto. A lenda corresponde a uma história fantasiosa demais.

Ora, como é que um jovem estranho de roupas brancas, usando chapéu para encobrir o furo (respiradouro) no topo da cabeça e exalando um forte pixé, diferentemente dos caboclos que abusavam do perfume, não despertava curiosidade dos pais das moças e demais marmanjos? E, porque apenas o boto tinha o poder de se transformar em gente? A bota também deveria ter o mesmo poder.
É provável que os homens das próprias famílias mantivessem relações sexuais com filhas, sobrinhas, enteadas, cunhadas, sogras e agregadas, tirando proveito da lenda do boto pra lançar uma cortina de fumaça sobre o “estado interessante” das fêmeas da família.

O boto tem pênis, e a bota possui peitos e vagina. No período de acasalamento, que acontece de outubro e novembro, a bota expele uma secreção que tem o mesmo cheiro do sangue da mulher menstruada, que excita o boto, avisando-o de que está pronta para a reprodução.

A secreção não pode ser entendida como menstruação, haja vista que essa só ocorre nas mulheres e primatas (chimpanzés, gorilas e outras macacas). Na menstruação, o sangue que a mulher e as fêmeas primatas expelem pela vagina decorre da eliminação do endométrio devido à falta de fecundação dos óvulos. Nas fêmeas das demais espécies animais o endométrio é absorvido pelo útero.
Vale esclarecer que a cadela não menstrua, como muita gente pensa. O sangramento que algumas delas liberam provém do rompimento de pequenos vasos devido ao elevado fluxo de sangue no período do cio.

A ignorância dos índios e dos caboclos, em termos de anatomia, fez surgir a lenda. É claro que o homem só reproduz outro ser com mulheres. Pode transar com fêmeas de outras espécies, que nada acontece.

Conta-se que muitos caboclos realizavam tapagem de igarapés usando o “pari”, para capturar peixes, aprisionando botas caso elas estivessem no trecho interditado. Depois da vazante da maré, estando a bota indefesa sobre a lama, o pescador saciava seu apetite sexual. Existem registros de elementos que agiram dessa forma e eles são unânimes em dizer que as contrações dos músculos vaginais da bota deixam o ser humano estafado.

O cansaço não provinha do ato sexual em si, mas do esforço desprendido para se manter sobre a bota. De um modo geral, o caboclo matava a bota temendo que ela estivesse grávida.
Ao nascer, o boto vermelho tem a pele cinza. Seu nome científico é “Inia geoffrensis”. Coube ao francês Jacques Cousteau alterar a designação boto vermelho para boto cor de rosa. A outra espécie é preta, nominada tucuxi, mas parece que não tem o mesmo poder do boto vermelho.

No interior da Amazônia, o filho de mulher que não sabe quem é o pai do bruguelo é tido como “filho de boto”. Com certeza, boto de cinco dedos em cada mão. Como tudo acontece no Brasil, não estranhem se aparecer boto com apenas quatro dedos na mão esquerda.


Herundino, alfaiate, futebolista e policial

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O alfaiate Herundino do Espírito Santo veio para Macapá, em 1945, a fim de jogar futebol pelo Cumaú Esporte Clube, a agremiação alviverde local. Em sua companhia estava o Adinamar, um valoroso atleta que figura na galeria dos futebolistas que vestiram a camisa do Paysandu Esporte Clube. Em Belém, Herundino atuava pela União Esportiva, um time de futebol, que, em 1913 teve a honra de ser o primeiro campeão paraense. Na época em que o Herundino integrava o conjunto da União Esportiva o time não ia bem. As noticias que ele ouvia sobre as excelentes oportunidades de alguém se tornar funcionário público federal motivou a sua saída de Belém. Através da representação do governo do Amapá, instalada em Belém, Herundino soube que havia sido criada a Guarda Territorial estando à corporação precisando de alfaiates para compor sua oficina de costura. Preencheu uma ficha cadastral e aguardou sua chamada. Ela ocorreu em curto espaço de tempo, graças ao interesse que o macapaense José Serra e Silva, presidente do Cumaú demonstrou por ele.

O Adinamar Resende, parceiro de viagem do Herundino era um eficiente centro-médio com passagem pelo Clube do Remo, Tuna Luso Brasileira, Paysandu e União Esportiva. Os dois chegaram a Macapá em meado do mês de outubro e acertaram com os próceres do Cumaú a vinculação deles ao time alviverde. Pediram um tempo para irem a Belém providenciar a mudança. No dia 3/11, quando era voz corrente na cidade a desistência dos citados atletas, ambos apareceram na sede do clube, apresentando mais dois atletas dispostos a jogar e trabalhar em Macapá: Pariché e Cara-de-Onça. Em Belém, atuavam no campeonato paraense da segunda divisão integrando o time do Sacramenta. Herundino foi o único que permaneceu em Macapá, desenvolvendo suas atividades de alfaiate na oficina de costura da Guarda Territorial, então instalada nas casamatas da Fortaleza São José. Adinamar foi chamado pelo Paysandu e preferiu vincular-se mais uma vez ao Papão da Curuzu.

Ciente de que poderia auferir uns cruzeirinhos a mais nas suas folgas, Herundino alugou uma sala em um prédio edificado à Rua Cândido Mendes, onde instalou a alfaiataria “Zaz Traz”. Sua estréia pelo Cumaú ocorreu dia 22/12/ 1945, no campo da Matriz enfrentando o Macapá. O time alvi-verde perdeu por 4×1, mas a atuação de Herundino foi muito elogiada. Neste jogo, o centro-médio Laércio, egresso da Tuna também agradou. A formação do Cumau era: Judidath; Casemiro Dias e Herundino; Tenente, Laércio e Gaivota; 115, Caveira, Souza, Tomé e Jurandino. Os atletas torcedores de Paysandu e Remo sempre realizavam partidas amistosas, rotulando os times como Alvi-Azul e Azulino. Herundino jogava pelo Azulino. Logo na estréia, dia 26/4/1946, seu time perdeu para o Alvi-Azul por 2×1 e ele cometeu um pênalti, que o zagueiro Brasil converteu em gol. O 115 marcou o segundo e Taumaturgo descontou para o Azulino. No dia 7 de maio de 1946, Herundino vestiu a camisa do Macapá pela primeira vez, amargando uma derrota frente ao Amapá Clube por 1×0, gol de Caboclo Alves. Sentiu o sabor de uma vitória no prélio Macapá 3×2 Amapá, no campo da Matriz. A 4/1/1947, um domingo, integrou o primeiro time do Trem Esporte Clube Beneficente, fundado no dia primeiro. Pela manhã, depois da eleição da diretoria rubro-negra, aconteceu a demarcação do campo de futebol da agremiação, na área que hoje corresponde à Praça N. S. da Conceição, doada ao clube pela Prefeitura de Macapá. A partida foi realizada pela manhã, ocasião em que o Trem enfrentou um combinado formado por atletas do Macapá e Amapá. Herundino sentiu o travo da derrota, mas mostrou suas qualidades consignando os dois gols do conjunto proletário.

A 1ª escalação do Trem: Oscar; Herundino e Zeca Banhos; Cabral, Pedro Franco e Branco; Jorge, Oliveira, Labrione, Walter e Lando. Também esteve presente na 1ª excursão que o quadro “ferroviário” fez a Mazagão, onde empatou como Mazagão Esporte Clube por 1×1. O gol do Trem foi do Herundino. Tampinha empatou.O “Trem Lapidador”alinhou com Alcolumbre;Vavá e Zeca Banhos;Labrione,Pedro Franco e Herundino; Epitácio,Jorge, Smith(Oliveira),Walter e Branco.Atuou como juiz,Raimundo Nonato Lima, o Chibé.


Transamazônica, uma estrada sem fim

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O inicio da construção da Transamazônica ficou marcada pela solene derrubada de uma castanheira de 50 metros de altura e despertou opiniões contraditórias sobre a validade do projeto incluso no Plano de Integração Nacional, que visava a ocupação física do solo por meio da abertura de estradas e tinha como meta absorvera mão-de-obra nordestina, disponível em grande quantidade devido as secas, e direcionar os fluxos de migração.Para que isso ocorresse,o governo federal pretendia fixar famílias na região amazônica, cujas terras, segundo a propaganda oficial,eram férteis e gratuitas. Os ocupantes das terras deveriam receber do governo titulo de legalização das mesmas, sementes para iniciar as plantações, vasta rede de postos médicos e escola para todos.

Todo o excedente da produção seria transportado para centros consumidores. O isolamento, o solo arenoso em grande parte, as chuvas torrenciais que transformam em rios de lama largos trechos da rodovia, dificultaram a adaptação dos colonos à região. A 3ª maior rodovia do Brasil foi projetada no governo do presidente Emilio Garrastazu Médici, de 1969 a 1974. Inaugurada dia 27 de dezembro de 1972, e classificada como uma rodovia transversal, a Transamazônica deveria ter 8 mil km de comprimento ligando região Nordeste e Norte do Brasil com o Peru e o Equador. Posteriormente o projeto foi modificado para 4.977 km e a estrada chegaria ao município de Benjamim Constant. Entretanto, não passou de Lábrea com 4.233 km.

No período chuvoso, que se estende de outubro a março, os trabalhos eram interrompidos e os trabalhadores ficavam isolados por terra. Quando o tempo permitia, pequenos aviões, usando pistas precárias, faziam o transporte de viveres e medicamentos. Às vezes, os helicópteros também operavam na região. A comunicação era realizada através de rádio. A Transamazônica, identificada como BR-230, tem inicio na cidade portuária de Cabedelo, no Estado da Paraíba. Dos 4.233 km que possui, a rodovia tem 2.656 km asfaltados e 1577 km de terra. Ela corta os estados da Paraíba, Ceará, Piauí, Maranhão, Tocantins, Pará e Amazonas.

Na Paraíba a Transamazônica compreende 521 km com boa condição de tráfego até a divisa com o Ceará. Inicia em Cabedelo, se ponto extremo leste e em João Pessoa ela tem interseção com a BR-101, que dá acesso a Natal. Depois de João Pessoa a estrada passa por Bayeux, Santa Rita, Cruz do Espírito Santo, Sobrado, Caldas Brandão, Gurinhén, Mogeiro, Ingá, Riachão do Bacamarte, Massaranduba, Campina Grande (interseção com a BR-104 e acesso a Caruaru), Soledade, Juazeirinho, Junco do Seridó, Santa Luzia, São Mamede, Patos, Malta, Condado, Pombal, Apareada,Souza,Marizopólis e Cajazeiras.É duplicada no trecho de 147,6 km entre Cabedelo e Campina Grande,conhecido como rodovia governador Antônio Mariz, para dar maior desenvolvimento à região com o transporte da safra agrícola.No estado do Ceará a estrada passa por Ipaumirim(interseção com a BR-116, acesso a Fortaleza),Lavras da Mangabeira, Vargem Alegre,Farias Brito,Antonina do Norte e Campos Sales.

No dia 12 de janeiro de 2011,percorri o trecho entre Fortaleza a Crato,trafegando pelo perímetro acima descrito. Dia 18 do mesmo mês e ano sai de Exu (Pernambuco) seguindo o mesmo trecho e passando pela extensão da BR-230, até João Pessoa. No dia 22 de janeiro de 2014, viajamos de Crato (Ceará) para Teresina (Piauí), trafegando pela Transamazônica e passando por Picos, Oeiras e Floriano. No Maranhão, ainda trilhando pela BR-230, passamos por Balsas e Imperatriz.

Nesta cidade a estrada faz conexão com outra rodovia que leva a Belém, Palmas, Goiânia e Brasília. Em Cabedelo-PB, perto do porto e da Fortaleza de Santa Terezinha, há uma placa que assinala o inicio da rodovia Transamazônica, a BR-230. Documentei em foto minha presença no local. O trecho problemático da Transamazônica está localizado no Pará e Amazonas. No Nordeste o movimento de veículos é intenso e as estradas estão em ótima condição de tráfego. Testemunhei este fato, identificando, pela chapa do veículo sua procedência. Nos postos de combustível indaguei a diversos motoristas o destino da carga que transportavam. Em maior quantidade elas eram conduzidas para Belém, São Luiz, Palmas, Marabá e Santarém.


O museu a céu aberto da Segunda Guerra Mundial

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No período em que o estado do Amapá foi governado por João Alberto Capiberibe, a transformação da Base Aérea de Amapá em Museu a Céu Aberto da II Guerra Mundial foi amplamente badalada. Um relatório técnico elaborado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional-Iphan, datado de 15 de fevereiro de 1995, informa que, dos 22 prédios que existiam na Base Aérea, 1 servia de alojamento para o pessoal da Aeronáutica, 9 precisavam ser reformados e 12 se encontravam em ruínas.Em julho de 1997, uma equipe de servidores da então Fundação Estadual de Cultura do Amapá esteve na Base Aérea e ratificou tudo que o Iphan já havia registrado. No período de 01 a 03 de abril de 1998, o Dr. Alfredo Oliveira, Gerente de Projeto “Transformação da Base Aérea de Amapá em Museu a céu aberto da Segunda Guerra Mundial”, nomeado para esse cargo através de decreto, ali compareceu a fim de proceder a levantamento geral da área.

Em seu “Relatório de Viagem”, o ilustre gestor público verificou a situação física e jurídica das terras ocupadas pelos norte-americanos entre 1942 a 1946, fez o levantamento e o cadastro das pessoas (cerca de 70) que viviam dentro das áreas patrimoniais da Base, inclusive usando antigos prédios como moradia e preparou um relatório fotográfico muito interessante. O Dr. Alfredo Oliveira iniciou suas atividades vinculado à Fundecap, mas nunca foi aceito pelos que a dirigiram no governo Capiberibe. Tanto é verdade, que ele perambulou pela Secretaria de Educação e terminou encostado na Secretaria de Infra Estrutura, com exercício no Departamento de Saneamento e Desenvolvimento Urbano. Sempre que ele retornava da Base Aérea fazia contato comigo e relatava suas agruras e decepções. Deixou em meu poder cópias de vários documentos que produziu e lamentou que nenhuma atitude decisiva no sentido de criar o pretendido museu foi tomada, nem por Capiberibe, nem por Waldez Góes. Mesmo lutando contra a má vontade de alguns derrotistas que ainda vicejam no Amapá, Alfredo Oliveira conseguiu reformar o prédio onde funcionou um posto médico do Exército Americano, para ser a sede do museu, limpou os prédios ainda eretos e as carcaças de outros, limpou e pintou o Paiol de munição e explosivos, o Forno Crematório, a Estação Transmissora, o Escritório da Marinha Americana, Torre de Atracação do “Blimps” (dirigíveis tipo Zeppelin) e muitos objetos relevantes.

O Ministério da Aeronáutica foi um dedicado parceiro nas atividades que o saudoso Cabo Alfredo desenvolveu.
A Base Aérea é subordinada ao Primeiro Comando Aéreo Regional do Ministério da Aeronáutica, sediado em Belém-PA. Segundo o Serviço de Patrimônio do citado Comando, a área da Base aérea de Amapá mede 623,34 hectares, correspondendo a 6.233.445,00 m², compreendendo os 6.198.000,00 m² do lado da rodovia BR 156 onde está situado o aeroporto e demais instalações e outra menor com 35.445,00 m², ao lado esquerdo da mencionada rodovia, distante cerca de 7 km da primeira.

O Serviço de Telecomunicações da Aeronáutica S/A-Tasa, vem realizando periodicamente o cadastramento de pessoas que residem e/ou trabalham dentro dos limites das áreas patrimoniais da Aeronáutica. A presença desses posseiros é tolerada pelo Estado Maior do 1º Comar, haja vista que eles não causam qualquer prejuízo para as atividades do aeroporto. Portanto, o local onde demora a Base Aérea do Amapá não pertence ao governo amapaense e a implantação de um museu que o mesmo pretendia efetivar depende de contatos formais com o Ministério da Aeronáutica. Nada deve impedir que isso ocorra, afinal de contas foi criado um museu na Base Aérea de Natal, que poderá servir de modelo para o projeto amapaense. Entretanto, é preciso que os encargos sejam entregues a técnicos e pesquisadores gabaritados, deixando-se de lado a questão do apadrinhamento político. A militância que deve prevalecer é a que se relaciona com a competência profissional. O sonho ainda pode ser concretizado.


Os fantásticos padres motoqueiros

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No inicio da década de 1950, os habitantes do Amapá passaram a ver velozes motocicletas trafegando pela BR-156 em demanda de Porto Grande, Ferreira Gomes, Fazendinha e Amapá, lugares para onde progressivamente se estendia a citada rodovia. Seus condutores eram sacerdotes italianos católicos que cumpriam missões nos lugares em referência que há algum tempo se ressentiam da presença de padres residentes. A marca das motos ficou famosíssima entre os amapaenses: Moto Guzzi. Não havia um cidadão capaz de ignorar a passagem das belas e rápidas motos e seus habilíssimos pilotos: Ângelo Pigh, Ângelo Biragui, Simão Corridori, Vitório Galliani, Salvador Zona e outros que vieram da Itália anos depois.

A Moto Guzzi é uma marca famosa de motocicleta fabricada pela “Societá Anônima Moto Guzzi” fundada em Mandello Del Lario em 15 de março de 1921, graças ao empenho de Carlos Guzzi (idealista e construtor do primeiro modelo), Giovanni Ravelli e Giorgio Paroli, pilotos de avião e o terceiro mecânico de aviação. A idéia de fundar uma fabrica para produzir e vender motocicletas surgiu no decorrer da I Guerra Mundial, época em que os amigos serviam no Corpo Aeronáutico Militare da Itália. Após o encerramento do grande conflito armado a pretensão dos três permaneceu ativa. Giovanni Ravelli, famoso piloto e mecânico foi o único que permaneceu na aviação e acabou morrendo em um acidente aéreo. Sua ausência foi preenchida por Ângelo Paroli, irmão de Giorgio. Os irmãos Paroli integravam uma rica família genovesa que se dispôs a financiar a fabricação das motos.

O primeiro modelo da Moto Guzzi apresentou como logotipo uma águia de asas abertas, símbolo que ainda hoje é preservado. A águia plainando no ar é uma homenagem a Giovanni Ravelli. As Motos Guzzi que os padres italianos usaram no Amapá tinham sido fabricadas em 1950, tinham de 250cc a 350cc. Podiam desenvolver até 240 km por hora. Os padres motoqueiros percorriam o chão do Amapá em todos os sentidos desde que o terreno permitisse o tráfego dos veículos. O acesso para várias localidades interioranas foi iniciado por eles. As máquinas da Divisão de Obras só beneficiaram a trilha muito tempo depois. Jovens e bem efeiçoados, os padres motoqueiros faziam as moças amapaenses suspirarem quando eles passavam envergando equipamentos próprios de pilotos de corrida. Nem tudo ficou no plano da encarnação. O Padre Salvador Zona, por exemplo, acabou largando a batina para casar com a professora Nazaré Braga. O Padre Simão Corridori foi o único a falecer em um acidente ocorrido na Rua Leopoldo Machado, próximo a Avenida Padre Júlio Maria Lombaerd. Ele era o diretor do Orfanato São José, localizado na Ilha de Santana, e pra lá se dirigia quando foi brutalmente atingido por um caminhão frigorífico da Indústria e Comércio de Minérios S.A., ficando preso entre as rodas trazeiras do veículo. Retirada ainda com vida, o Padre Simão sobreviveu por três dias no HGM.


O museu a céu aberto da Segunda Guerra Mundial

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No período em que o estado do Amapá foi governado por João Alberto Capiberibe, a transformação da Base Aérea de Amapá em Museu a Céu Aberto da II Guerra Mundial foi amplamente badalada. Um relatório técnico elaborado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional-Iphan, datado de 15 de fevereiro de 1995, informa que, dos 22 prédios que existiam na Base Aérea, 1 servia de alojamento para o pessoal da Aeronáutica, 9 precisavam ser reformados e 12 se encontravam em ruínas.Em julho de 1997, uma equipe de servidores da então Fundação Estadual de Cultura do Amapá esteve na Base Aérea e ratificou tudo que o Iphan já havia registrado. No período de 01 a 03 de abril de 1998, o Dr. Alfredo Oliveira, Gerente de Projeto “Transformação da Base Aérea de Amapá em Museu a céu aberto da Segunda Guerra Mundial”, nomeado para esse cargo através de decreto, ali compareceu a fim de proceder a levantamento geral da área. Em seu “Relatório de Viagem”, o ilustre gestor público verificou a situação física e jurídica das terras ocupadas pelos norte-americanos entre 1942 a 1946, fez o levantamento e o cadastro das pessoas (cerca de 70) que viviam dentro das áreas patrimoniais da Base, inclusive usando antigos prédios como moradia e preparou um relatório fotográfico muito interessante.

O Dr. Alfredo Oliveira iniciou suas atividades vinculado à Fundecap, mas nunca foi aceito pelos que a dirigiram no governo Capiberibe. Tanto é verdade, que ele perambulou pela Secretaria de Educação e terminou encostado na Secretaria de Infra Estrutura, com exercício no Departamento de Saneamento e Desenvolvimento Urbano. Sempre que ele retornava da Base Aérea fazia contato comigo e relatava suas agruras e decepções. Deixou em meu poder cópias de vários documentos que produziu e lamentou que nenhuma atitude decisiva no sentido de criar o pretendido museu foi tomada, nem por Capiberibe, nem por Waldez Góes. Mesmo lutando contra a má vontade de alguns derrotistas que ainda vicejam no Amapá, Alfredo Oliveira conseguiu reformar o prédio onde funcionou um posto médico do Exército Americano, para ser a sede do museu, limpou os prédios ainda eretos e as carcaças de outros, limpou e pintou o Paiol de munição e explosivos, o Forno Crematório, a Estação Transmissora, o Escritório da Marinha Americana, Torre de Atracação do “Blimps” (dirigíveis tipo Zeppelin) e muitos objetos relevantes. O Ministério da Aeronáutica foi um dedicado parceiro nas atividades que o saudoso Cabo Alfredo desenvolveu.

A Base Aérea é subordinada ao Primeiro Comando Aéreo Regional do Ministério da Aeronáutica, sediado em Belém-PA. Segundo o Serviço de Patrimônio do citado Comando, a área da Base aérea de Amapá mede 623,34 hectares, correspondendo a 6.233.445,00 m², compreendendo os 6.198.000,00 m² do lado da rodovia BR 156 onde está situado o aeroporto e demais instalações e outra menor com 35.445,00 m², ao lado esquerdo da mencionada rodovia, distante cerca de 7 km da primeira. O Serviço de Telecomunicações da Aeronáutica S/A-Tasa, vem realizando periodicamente o cadastramento de pessoas que residem e/ou trabalham dentro dos limites das áreas patrimoniais da Aeronáutica. A presença desses posseiros é tolerada pelo Estado Maior do 1º Comar, haja vista que eles não causam qualquer prejuízo para as atividades do aeroporto. Portanto, o local onde demora a Base Aérea do Amapá não pertence ao governo amapaense e a implantação de um museu que o mesmo pretendia efetivar depende de contatos formais com o Ministério da Aeronáutica. Nada deve impedir que isso ocorra, afinal de contas foi criado um museu na Base Aérea de Natal, que poderá servir de modelo para o projeto amapaense. Entretanto, é preciso que os encargos sejam entregues a técnicos e pesquisadores gabaritados, deixando-se de lado a questão do apadrinhamento político. A militância que deve prevalecer é a que se relaciona com a competência profissional. O sonho ainda pode ser concretizado.


Felipe Patroni, mente em ebulição

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O paraense Felipe Alberto Patroni Martins Maciel Parente, natural de Acará, onde nasceu em 1798, deixou seu recanto natal em 1816, para residir em Belém, embora tivesse em mente obter uma oportunidade para ir estudar Direito em Portugal. Era filho do alferes Manoel Joaquim da Silva Martins e afilhado do capitão de fragata Felipe Alberto Patroni, do qual herdou o nome. No mesmo ano em que se estabeleceu na capital do Pará, Felipe Patroni embarcou para Lisboa, seguindo depois para Coimbra, matriculando-se em sua famosa universidade. Aderiu às ideias iluministas e passou a embalar o sonho de dar novos rumos à política Vicente na Província do Pará. Aportou em Belém em janeiro de 1822, levando em sua bagagem uma impressora comprada na Imprensa Nacional de Lisboa, contando com a sociedade do tenente coronel Simões Cunha e tenente de milícia José Batista Camecram. Instalou a impressora na via que hoje tem o nome de Tomázia Perdigão. No dia 1º/4/1822 Felipe Patroni fundou “O Paraense”, o primeiro jornal da Amazônia.

A edição inicial circulou no dia 22/5, defendendo uma Constituição paraense. Também defendia a Independência do Brasil e a liberdade de imprensa. Antes deste feito, quando ainda residia em Lisboa, teve a primazia de ser o primeiro a falar na Assembleia Constituinte Portuguesa, no dia 22.11.1822, na Sala das Cortes, na presença do rei D. João VI. Proferia contundente discurso sem poder concluí-lo devido à interferência dos bajuladores do monarca. Rogava a D. João a adoção de um plano de eleições, contendo normas para escolher a nova Junta Governativa do Pará.
O jornal português “Indagador Constitucional” publicou o seguinte texto: “Um deputado deverá corresponder a cada 30 mil almas, entrando neste número os escravos, os quais mais que ninguém devem ter quem se compadeça deles, proporcionando-lhes um sorte mais feliz até que um dia se lhe restituam seus direitos”. Fez isso na condição de delegado da Junta Provisória do Pará. O jornal “O Paraense” contou com a circulação de 70 edições, mas silenciou a partir de fevereiro de 1823. O Brasil era independente, mas a Província do Pará não a aderiu, mantendo seus laços com Portugal.

O jornal fundado por Felipe Patroni infernizou a vida dos governantes do Pará. Num determinado momento, as críticas veiculadas pelo jornal abalaram a estrutura governamental. Seus titulares recorreram ao tenente coronel Simões Cunha, sócio de Felipe Patroni, para fazer sumir os tipos de metal utilizados na impressão do jornal. Simões Cunha se prestou a atender a solicitação dos governantes, garantindo o encerramento das atividades do periódico. Para surpresa geral, O Paraense voltou a ser impresso, acentuando o grau de suas críticas. Previdente, Felipe Patroni tinha outros tipos bem guardados, pois sabia que não poderia confiar demais em seus sócios. Eles acabaram retirando-se da sociedade em troca de promoções de patente e outras vantagens pessoais. Outras tentativas para calar o jornal ocorreram. Nem a prisão de Felipe Patroni fez o jornal parar de circular. Com sua ausência, o cônego Batista Campos assumiu a direção do órgão e foi perseguido por isso.

Em fevereiro de 1823, Felipe Patroni foi preso no Forte do Castelo e neste local deveria permanecer até julgamento. Porém, acabou sendo mandado para Portugal que, pelo menos para os governantes da Província do Pará, mantinha jurisdição em seu território. Livre da prisão, retornou para Brasil e passou a residir no Rio de Janeiro, sede do governo imperial do Brasil. Sua mente já estava mais tranquila, fato que lhe permitiu instalar um escritório de advocacia. Casou com a prima Maria Ana, em 1929, indo exercer o cargo de juiz de fora de Niterói. Em 1842, alimentando pretensões políticas, retornou para Belém e conseguiu eleger-se deputado na Assembleia Nacional. Teve notável atuação na legislatura de 1842 a 1845, representando o Pará, mas não obteve novo mandato. Em 1851 vendeu seus bens e escravos para residir em Lisboa, onde faleceu no dia 15/7/1866, com 68 anos de idade. A cidade de Belém lhe prestou uma justíssima homenagem, declarando-o patrono da praça localizada na Cidade Velha à margem da avenida 16 de novembro.