Polícia

Advogado de PM acusado de feminicídio quebra o silêncio e fala sobre o caso no rádio

Kleber Assis condena prejulgamento e diz que só vai se manifestar tecnicamente quando tiver acesso aos autos e após o oferecimento de denúncia pelo Ministério Público.

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Responsável pela defesa do policial militar Kássio de Mangas, acusado de matar a sua companheira, a cabo PM Emily Karine, no último domingo (12) em Macapá, quebrou o silencio e aceitou falar sobre o caso neste sábado no programa Togas&Becas (DiárioFM 90,9), apresentado pelo advogado Helder Carneiro, com a bancada composta pelo também advogado Evaldy Mota e pelo jornalista Elden Carlos, do Sistema Diário de Comunicação.

O advogado esclareceu que desde primeiro contato que teve com Kássio, este manifestou desejo de se apresentar “imediatamente” à polícia. “Na segunda-feira pela manhã, um dia pós a ocorrência do fato, a família dele nos procurou, conversamos com ele e de imediato protocolamos junto à delegada Sandra Dantas, da Delegacia da Mulher, que preside o inquérito, o interesse de apresentá-lo imediatamente, mas a delegada preferiu que ele fosse apresentado só no outro dia, isto é, na terça-feira, às 11 horas, isso partiu da própria delegada, mas nossa intenção era apresentá-lo ainda na segunda-feira, mesmo ainda em período de flagrante delito, mesmo com a possibilidade dele ser preso, porque o nosso objetivo sempre foi ajudar na investigação”.

Kleber justificou a impetração de Habeas Corpus (HC) preventivo antes de Kássio ser apresentado na delegacia: “Quando fui contratado foi como advogado, e como advogado eu tenho que garantir ao cliente todos os direitos inerentes, com a apresentação dos remédios legais para que isso ocorra; o fato de apresentá-lo e a impetração de HC preventivo é um direito técnico; na realidade eu não sabia da preventiva, até porque quando a própria delegada preferiu ouvi-lo só na terça-feira, claro estava que não haveria mais flagrante, e, portanto, já não havia mais aquela busca pelo Kássio. Só que ainda na noite de segunda-feira foi representada pela preventiva dele. E tomei conhecimento dele ao consultar o Banco Nacional de Mandados de Prisão, que é público; comuniquei a ele e aos familiares e disse a ele que independentemente de qualquer coisa ele deveria se apresentar; ele me respondeu que queria ter se apresentado desde o dia anterior, e me pediu para ser apresentado imediatamente”.

Proteção à integridade

Após tomar conhecimento da decretação da prisão preventiva, a defesa passou a concentrar esforços para garantir a proteção da integridade física de seu cliente, conforme explicou o advogado: “Como a prisão saiu, mesmo após a impetração do HC preventivo, procurei proteger a integridade dele, as garantias que ele tem como militar; entrei então com pedido junto ao comandante geral da PM, o coronel Rodolfo, informando que ele se apresentaria às 11h e pedi a garantia do direito de ele ser apresentado na presença de um oficial, o que é direito do militar, e a PM atendeu ao pedido; não é favor, é direito, e como qualquer cidadão ele tem garantias constitucionais”.

O advogado se disse incomodado com setores da imprensa que, no entendimento dele, distorcem os fatos e tentam jogar a população contra os profissionais: “O que é certo é que o Kássio vai ter garantida uma defesa técnica, e isso tem que ocorrer, sob risco do processo ser nulo; tem algumas pessoas que não entendem isso, sejam lá quem for, tem direito de ser defendido por um advogado, se não for particular, é nomeado um advogado pública; mas de forma distorcida, tendenciosa, o apresentador de um programa da TV Record, na noite dessa sexta-feira, disse que se ele fosse advogado nunca faria a defesa (do Kássio); ele está prestando um desserviço à advocacia, ao direito; advogado não é bandido, ele tem que exercer a profissão. Inclusive quero deixar aqui um agradecimento ao doutor Maurício Pereira, por ele ter intercedido em meu favor logo após a declaração daquela pessoa”.

O jornalista Elden Carlos quis saber do advogado o que o seu cliente lhe relatou sobre os fatos. Ele desconversou: “Ele espera ter a garantia da ampla defesa; foi isso que ele pediu desde o inicio e está sendo feito; não temos o processo ainda, só uma investigação policial; ainda não temos a denúncia e após o recebimento da denúncia é que o processo passa a existir; qualquer questionamento agora eu me anteciparia a uma situação que nem sei o que vai acontecer; os meios legais e jurídicos serão garantidos ao Kássio; como qualquer cidadão ele terá direito de fazer sua defesa; mas eu só vou poder traçar a linha de defesa e falar sobre ela após eu ter acesso aos autos”.

 
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