Ministério Público reforça combate ao feminicídio e aponta desafios no enfrentamento ao machismo estrutural
Para amparar as vítimas, o promotor lembrou que a rede de apoio no Amapá conta com diversos canais de atendimento e proteção

Durante a programação da Expofeira, o Ministério Público do Estado do Amapá (MPAP), por meio da Promotoria de Defesa da Mulher de Santana, destacou a necessidade de intensificar as ações de conscientização e prevenção contra a violência de gênero.
Em entrevista a Rádio Diário FM (90,9), o promotor de justiça Hélio Furtado chamou atenção para os dados alarmantes no Amapá, apontando que os registros de feminicídio subiram de nove casos em todo o ano de 2025 para onze ocorrências contabilizadas somente até o final de julho de 2026.
Diante desse cenário, o promotor enfatizou que a atuação institucional vai além da repressão legal, exigindo um esforço contínuo de engajamento social. “O aumento do número de crimes envolvendo violência doméstica e o aumento das penas devem vir também com a prevenção, feita através de conscientização, palestras e rodas de conversa”, pontuou Hélio Furtado.
O promotor ressaltou que um dos principais entraves para a superação desse ciclo de violência é o chamado machismo estrutural, culturalmente enraizado na sociedade. Segundo Hélio Furtado, essa estrutura patriarcal não se restringe apenas à mentalidade masculina, sendo fundamental que as próprias mulheres identifiquem os sinais de abuso e desconstruam comportamentos opressivos.
“O nosso papel não é apenas de conscientizar os homens, mas também que as mulheres possam se enxergar dentro de um ciclo de violência. Como aponta a literatura sociológica, quando a mulher não se vê dentro desse sistema patriarcal, ela pode acabar agindo de forma ainda mais machista que o próprio homem”, explicou.
Para amparar as vítimas, o promotor lembrou que a rede de apoio no Amapá conta com diversos canais de atendimento e proteção, como as delegacias especializadas, a Polícia Militar no 190, o Disque 180 e a estrutura da Casa da Mulher Brasileira em Macapá, que oferece suporte psicológico e capacitação profissional para combater a dependência econômica.
“O simples fato de a mulher romper e sair da residência para fugir da violência não faz com que ela perca seus direitos patrimoniais. Muito pelo contrário, quem tem que sair da residência é o agressor”, finalizou.
Deixe seu comentário
Publicidade

