Obras na Rodovia JP revelam sítio arqueológico
A participação da equipe de arqueologia no licenciamento ambiental deste trecho da rodovia atende às exigências legais e contribui para a preservação do patrimônio cultural do Amapá

Às margens da Rodovia Josmar Chaves Pinto, importante via que liga a capital ao município de Santana, especialistas do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (Iepa) identificaram um sítio arqueológico durante os serviços de terraplenagem para a construção de uma rotatória.
“O Iepa possui uma parceria contratual com a Secretaria de Estado de Transportes (Setrap) para acompanhar todos os serviços de terraplenagem no Estado do Amapá. No caso da obra na Rodovia Josmar Pinto, os operários detectaram a existência de uma peça. Nossa equipe foi acionada e, após os estudos, descobrimos um gigantesco campo contendo peças arqueológicas produzidas em cerâmica”, explicou Lúcio Costa Leite, membro do Núcleo de Pesquisas Arqueológicas do Instituto.
De acordo com ele, todas as obras precisam passar por licenciamento ambiental, cujos projetos são acompanhados por técnicos. Nesse caso, os arqueólogos do Iepa desenvolvem estudos para identificar e preservar vestígios e objetos relacionados às antigas populações que ocuparam a região.
A participação da equipe de arqueologia no licenciamento ambiental deste trecho da Rodovia Josmar Pinto não apenas atende às exigências legais, mas também contribui para uma abordagem integrada do desenvolvimento da infraestrutura, desde as fases iniciais do projeto até a conclusão da obra. Dessa forma, é possível conciliar o progresso socioeconômico com a preservação do patrimônio cultural do Amapá.
Após a identificação do local onde os materiais foram encontrados, foi realizado o resgate das peças e urnas, que foram catalogadas para futuros estudos específicos, incluindo análises de datação, características dos materiais e identificação dos povos que ocuparam a área.
O sítio arqueológico está localizado em frente ao Iepa e próximo ao Bioparque da Amazônia e a um conjunto habitacional, área onde foi construída uma rotatória para melhorar o fluxo de veículos na rodovia JP. Entre os materiais encontrados estão peças produzidas em cerâmica e ferramentas confeccionadas a partir de rochas, o que leva os pesquisadores a estimarem a existência de uma aldeia de grande dimensão no local.
Boa parte da área da Rodovia Josmar Pinto possui histórico de ocupação indígena milenar, com vestígios estimados entre os anos 1.000 e 1.500. A região apresenta alta concentração de fragmentos cerâmicos, ferramentas de pedra e antigas urnas funerárias, algumas contendo ossos, indicando a possibilidade de um cemitério de grande dimensão.
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