X limita recomendação de candidatos e reforça controles para as Eleições 2026
Plano enviado ao TSE prevê prioridade a casos graves nos dias de votação e ações contra desinformação e contas falsas

O X passou a excluir das recomendações do “Para Você” as contas oficiais de candidatos e as publicações feitas por esses perfis. A medida, adotada em 14 de agosto, vale para usuários que ainda não seguem as respectivas contas e aparece entre as ações específicas da plataforma para as Eleições 2026. O filtro, chamado Brazil2026ElectionFilter, também foi incorporado ao código aberto do algoritmo.
A iniciativa faz parte do plano de conformidade apresentado pelo X e pelo Grok ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O documento reúne as medidas que serão adotadas para reduzir riscos à integridade do processo eleitoral e para atender às obrigações estabelecidas pela Justiça Eleitoral. A apresentação dos planos pelas plataformas foi regulamentada pela Portaria TSE nº 463/2026.
Ao avaliar o impacto da plataforma sobre a integridade das eleições, o X identificou pelo menos 12 riscos. Entre eles, estão a disseminação de informações enganosas sobre o processo eleitoral, a intimidação ou tentativa de impedir a participação de eleitores, inclusive por meio de violência política de gênero, e o uso de identidades falsas ou enganosas.
Prioridade nos períodos mais sensíveis
O plano prevê atenção especial aos períodos em que conteúdos considerados de extrema gravidade podem se espalhar com maior rapidez, principalmente nos fins de semana do 1º e do 2º turno. Nesses momentos, os casos mais sensíveis terão prioridade máxima de análise pelas equipes responsáveis do X.
As ocorrências poderão chegar à plataforma por diferentes caminhos, como denúncias feitas pelos próprios usuários, comunicações prioritárias de candidaturas, determinações judiciais e alertas enviados pelo Sistema de Alertas de Desinformação Eleitoral (Siade). A proposta é acelerar a avaliação e a eventual aplicação das medidas previstas justamente nos momentos de maior impacto sobre o processo eleitoral.
Desinformação, contas falsas e manipulação do debate
Outro controle previsto pela plataforma a partir dos riscos identificados é a aplicação da Política de Integridade Cívica do X. Ela alcança conteúdos enganosos capazes de afetar a participação nas eleições, como informações falsas ou equivocadas sobre quando, onde ou de que forma votar, além de publicações destinadas a desencorajar a participação dos eleitores.
A plataforma também prevê a aplicação de suas regras de autenticidade durante o período eleitoral. Elas proíbem contas falsas, automação não autorizada e atividades coordenadas e inautênticas que possam ampliar artificialmente determinadas mensagens ou manipular as conversas mantidas no serviço. Dessa forma, as regras buscam reduzir tanto a circulação de informações enganosas quanto o uso de redes de perfis falsos para interferir no debate público.
O plano também menciona salvaguardas aplicadas ao Grok, ferramenta de inteligência artificial generativa ligada ao X. Entre elas, estão restrições à criação ou promoção de imagens, vídeos e outros conteúdos audiovisuais envolvendo sexo, nudez ou pornografia com pessoas reais, além de materiais que representem violência. No X, as proteções também alcançam conteúdos sintéticos gerados por usuários e se somam às políticas contra nudez não consensual, assédio e mídia manipulada.
Anúncios políticos e disparos em massa seguem proibidos
No plano, o X afirma que continuará sem permitir, no Brasil, anúncios classificados como conteúdo político ou de campanha eleitoral. A restrição abrange publicidade relacionada a eleições, candidatos e partidos, assim como conteúdos que peçam votos ou apoio financeiro para campanhas.
A plataforma também informa que não permite o uso de ferramentas externas para o disparo em massa de mensagens de propaganda eleitoral. Suas regras proíbem automação destinada ao envio de conteúdo em larga escala, o uso de contas falsas ou automatizadas para ampliar mensagens e atividades coordenadas voltadas à manipulação do debate público.
Segundo o plano, esses mecanismos serão mantidos durante o período eleitoral. O X Ads também estabelece critérios para anunciantes, como verificação da conta e identificação das informações relacionadas à publicidade, além de restringir a compra de anúncios por veículos de mídia afiliados a estados e pessoas diretamente ligadas a essas entidades.
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