Congresso amplia debate sobre fronteira do Brasil com Guiana Francesa
Evento levou realidade amazônica e importância do estado do Amapá para o cenário acadêmico nacional

Durante o XIII Congresso Brasileiro de História da Educação, recentemente, em Macapá, a jornalista Mônica Nascos apresentou a pesquisa ‘Defesa e segurança da fronteira franco-brasileira: processo de comunicação e cooperação policial’ com dados inéditos da Polícia Federal do Brasil e da Polícia de Fronteira da França.
O estudo abordou a migração na fronteira entre o Amapá e a Guiana Francesa, destacando o papel estratégico da região. Com 730,4 quilômetros de fronteira terrestre, o Amapá assume uma posição singular nas discussões sobre segurança pública, mobilidade internacional, cooperação policial e direitos humanos.
Um dos diferenciais foi a apresentação de dados oficiais inéditos. Na Ponte Binacional de Oiapoque, 95,41% das saídas são de cidadãos franceses, enquanto no Porto Fluvial 53,83% das entradas correspondem a migrantes cubanos, revelando dinâmicas migratórias distintas em uma mesma fronteira.
A pesquisa também apresentou dados da Polícia de Fronteira da França sobre os efeitos da liberação de vistos, entre 31 de julho e 31 de agosto de 2026, como o registro de 139 brasileiros entrando na Guiana Francesa, 55 retornando ao Brasil, além de dez veículos que ingressaram e quatro que deixaram o território francês, oferecendo um retrato inicial dos impactos da nova política na mobilidade regional.
Outro destaque foi a atuação do Centro de Cooperação Policial (CCP) de Saint-Georges, que reúne instituições de segurança dos dois países, com a participação da Polícia Federal (PF), da Polícia Rodoviária Federal (PRF), da Police Aux Frontières (PAF) e da Gendarmerie francesa. O centro representa um importante modelo de cooperação internacional para o compartilhamento de informações, prevenção e enfrentamento de crimes transfronteiriços.
Para a pesquisadora, participar do congresso foi uma oportunidade de ampliar o debate sobre uma das fronteiras mais estratégicas do país, levando a realidade amazônica e a importância do Amapá para o cenário acadêmico nacional.
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