Expofeira 2026 mostra potencial do cupuaçu para gerar novos produtos além da polpa no Amapá
Palestra no Pavilhão AgroSummit mostrou alternativas para transformar sementes e outros derivados do fruto em produtos de maior valor comercial

O cupuaçu pode chegar ao consumidor em formas que vão muito além da tradicional polpa. Manteiga para a indústria de cosméticos, doces, chocolate, sorvetes e até compostagem a partir da casca estão entre as possibilidades de aproveitamento do fruto. O tema foi apresentado na terça-feira, 11, durante a palestra “O Potencial Industrial do Cupuaçu”, no Pavilhão AgroSummit da Expofeira 2026.
Um dos produtos de maior valor agregado é a manteiga de cupuaçu, produzida a partir da amêndoa seca. Segundo o pesquisador da Embrapa Amapá, Antônio Cláudio Almeida de Carvalho, a semente ainda é descartada em grande parte da produção amapaense, apesar de apresentar potencial comercial.
“A amêndoa do cupuaçu, depois de seca, pode produzir a manteiga do cupuaçu, que é usada na indústria de cosméticos e tem um grande valor”, destacou o pesquisador.
O aproveitamento da semente representa uma oportunidade para aumentar o retorno obtido com o fruto. Em vez de retirar apenas a polpa e descartar o restante, o processamento permite transformar diferentes partes do cupuaçu em matérias-primas para outros mercados.
A demanda pela polpa já existe. Segundo dados apresentados durante a palestra, ela é a segunda polpa de fruta mais comercializada na região. Mesmo assim, o Amapá ainda depende da produção de outros estados para abastecer parte do comércio local. Supermercados e grandes varejistas do estado são abastecidos com polpa de cupuaçu produzida no Pará.
Para Antônio Cláudio, o cenário mostra que existe espaço para ampliar o processamento dentro do próprio Amapá. No município de Oiapoque, uma agroindústria processou mais de 30 toneladas de polpa em 2024 e comercializou a produção para fora do estado.
O principal obstáculo, segundo o pesquisador, é a baixa capacidade de processamento e o número reduzido de agroindústrias com registro para comercializar os produtos no Amapá e em outros estados.
Além da manteiga, o cupuaçu pode ser transformado em doces, sorvetes e outros produtos alimentícios. A casca também pode ser destinada à compostagem, reduzindo o descarte do material e contribuindo para o reaproveitamento dos resíduos.
A palestra também destacou o potencial do fruto para o desenvolvimento de uma cadeia de produtos derivados no estado. Para isso, a ampliação das agroindústrias e a organização da comercialização são apontadas como medidas necessárias para que o cupuaçu deixe de ser visto apenas como matéria-prima e passe a gerar mais valor por meio do processamento.
Além da polpa, a amêndoa do cupuaçu pode ser transformada em manteiga para a indústria de cosméticos, ampliando o valor comercial do fruto.
A Expofeira 2026 segue com programação no Parque de Exposições da Fazendinha, em Macapá, reunindo atividades voltadas ao empreendedorismo, à inovação e ao desenvolvimento econômico. As atividades do Pavilhão AgroSummit incluem palestras e discussões sobre produção, tecnologia e desenvolvimento de cadeias produtivas da região.
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