Entrevista

“Achavam que quem mais empregava no estado era o setor público

O programa Conexão Brasília, da Diário FM, lançou o quadro “Eleições 2014- Cenários”, que vem passando a limpo alguns dos mais importantes setores da economia local.

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Ontem foi a vez do comércio, e os convidados foram os empresários Jaime Nunes e Eliezir Viterbino, que são os atuais dirigentes da Federação do Comércio do Amapá, a Fecomércio. Eles apresentaram os mais recentes números do setor, fazendo uma revelação que representa verdadeira quebra de um tabu, de que o Amapá é um estado impulsionado pelo que se convencionou chamar da economia do contracheque público. Pelo que apresentaram, já é da iniciativa privada – e do comércio – a maior fatia do bolo do estoque de empregos no Amapá. Acompanhe a seguir um resumo do que eles disseram.

Diário do Amapá – Obrigado por aceitar o convite para debater o comércio do Amapá.
Jaime Nunes – É uma alegria poder conversar sobre esse grande setor, que é o comércio. Dizer aos empreendedores amapaenses da pujança, do comprometimento que existe neste setor, que é crescente, um setor que se organiza, pois a própria Federação do Comércio que existe dentro do Sistema Sesc-Senac e o próprio IPDC são setores que apoiam e estão a serviço do comerciante e do próprio funcionário do comércio, assim como as demais entidades como Acia, Amaps, Adap e todos que compõem o comércio. 

Diário – Qual o tamanho deste setor no Amapá, do ponto de vista da geração de empregos?
Eliezir Viterbino – Posso iniciar falando dos números do que representam o comércio de bens, serviços e turismo deste estado, além dos poucos empregos que se tem na indústria. Mas hoje, em números atuais do Caged, nós somos 60.545 postos de trabalho, num estoque de empregos de quase 127 mil empregos no estado, e quem chega mais próximo hoje desse nosso setor é o serviço público com pouco mais de 50 mil servidores. Essa mudança, verificada de 2012 para 2013, é motivo de orgulho não somente para nós como entidade, mas para os empreendedores e para esse Estado. Esse aumento não foi só nominal, passamos de 57.900 empregos em 2012 para 60.545 empregos num aumento percentual enquanto o aumento do estoque de empregos não foi dessa monta, daí passamos de 46,9% para quase 48% da fatia do estoque de empregos do Amapá. 

Diário – Essa informação chega a ser surpreendente.
Viterbino – Isso revela que mesmo com essas dificuldades todas dos empreendedores, que vão desde a questão da logística natural que temos, que deveria ser um potencial destravado, mas que se torna uma dificuldade, assim como a extrema dependência dos recursos federais, assim como outros travamentos, mesmo assim, esse comércio guerreiro aumentou em percentual, mesmo com o país em crise, o estado em muita dificuldade, esse setor ainda alavanca a economia, pois emprego dignifica o homem e é muito importante.

Diário – E esse dado também derruba um tabu que há tanto se ouvia falar que o Amapá era um estado da economia do contracheque, mas o contracheque do serviço público. Agora a iniciativa privada reage, digamos assim?
Jaime – Sem dúvida. Esses dados mostram um direcionamento importante da nossa economia, na pujança dos investidores, dos investimentos privados, não que não seja importante o contracheque do setor público, ele influencia muito ainda e impacta em praticamente em todos os comércios e nos demais setores da nossa economia. Mas houve um crescimento na oferta de vagas no setor de serviços, que também vem se expandindo, se modernizando, se aprimorando e mostrando uma capacidade de reação contra essa crise que vivemos hoje muito forte. E aí temos que destacar os nossos micros e pequenos empreendedores, que são muitos, empregam, fazem um trabalho importante dentro do setor do comércio. Vale ressaltar que são dados do Caged e representam os empregos diretos, são as contratações de carteira assinada. 

Diário – E esses são dados apenas do comércio?
Viterbino – Sim. Não estou colocando nem a indústria, a mineração, o extrativismo, mas apenas o comércio de bens, serviços e turismo. As pessoas chegam a se surpreender com esses números, que são recentes, pois achavam que quem mais empregava no Estado era o setor público. Não é. O setor público é responsável por quase 49% do PIB do Amapá, em nível de valores, mas o comércio vem logo atrás, com quase 40%. O setor terciário é responsável por quase 90% do PIB, quer dizer, dos 40% temos 36% das nossas riquezas são gerados pelo comércio. 

Diário – E isso acontece mesmo com alguns gargalos ainda existentes, que o senhor vem chamando de travamentos, não é?
Viterbino – Pois é, imagine se a gente tivesse esse destravamento. Tenho uma tese, que não é coisa de doutor, mas sim de um amapaense que vive o comércio a tanto tempo, de que o dia em que nós estivermos focados em três núcleos públicos, que são cíclicos e que são necessários para a gestão. São o núcleo do destravamento, tocado por técnicos especialistas, depois um outro gerenciado pelo próprio governador que é núcleo do desenvolvimento do Estado um outro núcleo é o acompanhamento. Então imagine se nós tivéssemos gestões públicas mais focadas nesses temas?

Diário – Daí se dizer que se o poder público não puder ajudar que pelo menos não atrapalhe?
Jaime – Veja bem, o setor público é muito importante e ele interage, mas acontece que ele tem suas limitações. Ele não tem condições de alavancar empregos, mas tem que fazer isso de uma forma indutiva, tem que atrair investidores, atrair o capital, como se diz. Hoje as políticas públicas são muito fortes e a nossa população reivindica, ela está carente de melhorias em todos os aspectos. Então que ele crie caminhos, possibilidades para que a gente possa realizar. Hoje no mundo dos negócios e no mundo globalizado a gente percebe que os governos estão ficando mais nas agências reguladoras, nos controles, deixando as atividades finais para a iniciativa privada. Agora é importante que a gente tenha dentro do setor público, os nossos governantes, esse compromisso de gerar empregos, pois isso diminui as estatísticas sociais, melhora os investimentos no setor público porque sobra mais recursos para isso. O comércio do Amapá é um exemplo a nível regional e até a nível Brasil.

Diário – Como assim?
Jaime – É só ver os grandes investimentos que são feitos aqui, bem organizados, bem planejados, as pequenas lojas se modernizando, empregando uma ou duas pessoas a mais, observando layout, arrumando, modernizando, oferecendo condições melhores tanto pro seu consumidor como pro seu colaborador. Nós temos aqui grandes potenciais que são ditos, mas que são difíceis de ser implantados, então o Governo tem que ter essa visão larga de possibilitar grandes discussões, debatendo e observando onde pode fazer esse destravamento como disse o nosso presidente Viterbino, então são setores da economia que ainda tem muito pra se fazer.

Diário – Por falar nessa relação com o poder público como o setor avalia a questão da substituição tributária que pelo que se sabe tem ajudado a melhorar a arrecadação própria do Estado?
Jaime – Nunca se arrecadou tanto no Estado, de uma forma muito positiva. Agora a questão da Substituição Tributária carece de melhor discussão, porque não adianta achar que é só arrecadar, temos fatores que são importantes e que precisam ser discutidos. A gente percebe que o Governo e as áreas de arrecadação estão realmente preocupadas e estão buscando o equilíbrio, que tem que ser final para o consumidor que é quem paga tudo, pro governo que precisa arrecadar, pro comerciante que precisa também vender e que precisamos também ser competitivos no mercado hoje que é globalizado, não adianta achar que é só arrecadar por arrecadar. 

Diário – Algo mais a acrescentar?
Viterbino – A Fecomercio é uma casa que defende os micro e pequenos empreendedores, com a importância que eles têm e é deles a maioria desses postos de trabalho, inclusive é neles que deveria ser a maior aposta, pois ampliando a capacidade deles empreenderes eles conseguem rapidamente consegue empregar três ou quatro pessoas e assim dobrar a sua folha de pagamento, diferente de uma grande empresa. Então nessa questão da Substituição Tributária, como qualquer coisa na vida, tem o seu lado positivo e o seu lado negativo. Para os pequenos, retirar parte do seu capital de giro ao pagar antecipadamente um imposto que você não sabe quando vai vender, aí prejudicou, em que pese ser uma forma inteligente de arrecadação.

Perfil…
/Entrevistados. Jaime Domingues Nunes tem 55 anos de idade, é casado e natural de Macapá. É empresário com atuação no setor de logística de transportes, lojas de departamentos e também de alimentos. Já foi presidente da ACIA (Associação Comercial e Industrial do Amapá) e também do Conselho Deliberativo do Sebrae-AP. Também tece inserções na política partidária, compondo chapa como candidato a vice-governador do Estado em 2010. Eliezir Viterbino da Silva, amapaense, é administrador de empresas e atua no segmento de materiais de construção há 27 anos. Já presidiu o  Sindicato do Comércio Varejista de Materiais de Construção, Elétricos e Hidráulicos do Estado Amapá, foi conselheiro do Sebrae-AP e atualmente é o presidente da Federação do Comércio do Amapá (Fecomercio).

 

 
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