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Entrevista

“Apenas 5% dos negros chegam a cargos de liderança”

A inclusão racial no mercado de trabalho ainda é realidade distante para muitos. Especialista fala que diversos profissionais enfrentam preconceito e empecilhos para conquistar uma oportunidade de trabalho.


Tiago Mascarenhas comenta e cita projetos que estão contribuindo para essa inclusão.

Cleber Barbosa
Da Redação

 

Diário do Amapá – Professor, a inclusão racial no mercado de trabalho o senhor diria que ainda é uma realidade distante para muitos?

Tiago Mascarenhas – Dados divulgados pela Síntese de Indicadores Sociais (SIS) mostram que os negros enfrentam mais dificuldade de encontrar um emprego do que trabalhadores brancos, mesmo tendo a mesma qualificação. Como resultado, 46% dos negros colocam uma boa colocação profissional como o seu principal objetivo, segundo estudo realizado pela consultoria Mindset e pelo Instituto Datafolha. Por mais difícil que ainda possa ser, importantes incentivos já estão sendo sinalizados como forma de reduzir essa disparidade.

 

Diário – E nem dá para falar em minoria em se tratando de Brasil, não é mesmo?

Tiago – Numericamente, os negros representam cerca de 55% da população brasileira, segundo dados da Rede Brasil do Pacto Global. Mesmo sendo a maioria, apenas 5% chegam a ocupar cargos de liderança. Por muitos anos, a falta de preparo e qualificação profissional foi utilizada como justificativa para tal discrepância – argumento que hoje, se tornou inválido diante de tantas políticas públicas voltadas para este objetivo.

 

Diário – Em se tratando de conscientização, em esclarecimento da população a respeito desse tema, o que dizer?

Tiago – Em âmbito educacional, a Lei de Cotas foi uma das principais criadas até hoje como forma de proporcionar um maior acesso à educação de qualidade pelos jovens negros. Junto com outras políticas públicas, contribuíram para que o número de alunos negros em universidades públicas crescesse quase 400% entre 2010 e 2019, segundo um estudo realizado pelo Quero Bolsa. Ainda, existem diversos programas e cursos profissionalizantes criados para aperfeiçoar ainda mais essa inclusão. A SEDA College Online, por exemplo, criou em parceria com a DiverX, o projeto Pretos que Voam, idealizado pelo Quilombo Aéreo. Com a proposta de aumentar a diversidade e inclusão dentro do setor aéreo por meio da educação, qualificação e empregabilidade, foram disponibilizadas 12 bolsas de estudos de inglês e outras 12 para espanhol para que os profissionais aperfeiçoassem seus conhecimentos nos idiomas.

 

Diário – Educação exerce uma grande importância nesse processo, não é?

Tiago – Uma base sólida de educação, preparação e qualificação é uma das principais formas de proporcionar uma maior empregabilidade – principalmente, dentre a população negra que, ainda hoje, enfrenta enormes desafios e preconceitos estruturais. Mas, muito mais do que isso, a inclusão deve permear as políticas internas das empresas, com profissionais preparados para acolher e reter esses trabalhadores. Não à toa, o projeto Pretos que Voam corrobora dessa visão, buscando sempre parcerias que estejam engajadas no mesmo propósito de oferecer incentivos para pessoas negras e pardas, em busca de qualificação para entrarem no mercado de trabalho. Contudo, não há como estimular tal inclusão sem a participação ativa no quadro interno organizacional, junto com ações externas que incentivem e ampliem as oportunidades por meio da educação.

 

Diário – Diante de um cenário ainda mais devastador durante a pandemia, o estímulo à maior entrada desses jovens no mercado de trabalho se tornou ainda mais importante?

Tiago – São realmente dados muito preocupantes, mas que, com a devida atenção e preocupação perante as organizações, podem ser revertidos. Não há como negar a forte discriminação que muitos ainda enfrentam. Entretanto, com pequenas ações de incentivo como essas, junto com o devido preparo interno em cada empresa, poderemos finalmente caminhar rumo à maior inclusão dos negros no mercado de trabalho.

 

Perfil

Tiago da Silva Mascarenhas – O empresário se formou em Finanças e fez pós-graduação em Controladoria pela FGV. No entanto, avalia o brasileiro, “o aprendizado foi importante, porém, mais do que isso, o Network que fiz com pessoas experientes e com conhecimento de mercado”.

 

Formação acadêmica

– Possui graduação em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo(2002). Tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em Tratamento e Prevenção Psicológica.

Ocupação profissional atual

– Co-fundador e diretor de vendas e marketing da SEDA College

Sobre o Grupo Educacional SEDA:

– Fundado em 2009, o famoso Grupo Educacional SEDA é uma holding composta por duas unidades de negócios: SEDA College (que inclui uma escola de idiomas eleita por três anos consecutivos como a melhor da Irlanda, além das marcas SEDA Intercâmbios e Skill Lab) e SEDA College Online (que inclui as marcas StarHire 365 e Pathway).
– A empresa se destaca pela forte atuação no mercado de educação para tecnologia e idiomas, dentro e fora do Brasil.


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