Entrevista

“Cibersegurança pode tornar-se uma questão de sobrevivência”.

Especialista na chamada cibersegurança analisa um relatório de uma das maiores empresas mundiais no setor que traz balanço de casos no ano e tendências em cibergolpes para 2021. Internet 5G e o novíssimo PIX vão merecer sua atenção.

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Diário do Amapá – Professor, durante o ano que passou, em plena pandemia, as pessoas passaram a ficar mais em casa e a realizar quase todas as suas atividades pela internet, inclusive compras. Houve muito cibergolpes?

Sandro Suffert – Uma ferramenta desenvolvida pela organização para prevenção e combate a crimes cibernéticos, o Boitatá Next Generation, registrou, entre janeiro e novembro últimos, um total de 272,5 milhões de eventos – um crescimento de 394% em relação a 2019. Um evento, segundo a nomenclatura da Apura, é toda e qualquer entrada na plataforma BBTng: uma postagem monitorada em rede social, uma imagem, uma mensagem em fóruns ou em grupos de conversa.

 

Diário – E o que vem a ser essa ferramenta?

Sandro – O BTTng é uma ferramenta de coleta e processamento de informações. Por meio de processo automatizado são identificadas ameaças, emitidos alertas e tomadas as providências para se evitar o possível ataque ou reagir a ele com rapidez. Analistas da Apura emitem também boletins analíticos sobre eventos de destaque detectados pela ferramenta..

 

Diário – O senhor poderia apontar quais setores já são apontados como os mais visados?

Sandro – Os setores financeiro e varejo talvez destacam-se um pouco mais nas ocorrências identificadas por se tratarem de fraudes ligadas diretamente ao negócio dessas empresas. Mas todos os setores são impactados como um todo. Por exemplo: Um hospital precisa proteger as informações de seus pacientes, a indústria precisa proteger seus segredos de negócio, logística e informações de clientes, as infra-estruturas críticas precisam detectar ataques específicos às redes de energia e abastecimento, e toda empresa precisa proteger-se contra ataques cibernéticos, fraudes ligadas ao negócio e vazamentos de informação.

 

Diário – O vazamento de dados pessoais incluem a clonagem de cartões de crédito?

Sandro – O monitoramento dos vazamentos tornam-se ainda mais importante com a Lei Geral de Proteção de Dados, a LGPD, já que as empresas são obrigadas agora, além de se proteger, detectar possíveis vazamentos, reagir rapidamente e trabalhar na correção da causa raiz para evitar incidentes semelhantes.

 

Diário – Outro caso marcante em 2020 foi o ataque sofrido pelo Twitter, não é?

Sandro – Os criminosos investiram contra perfis “vips” da rede social. Merece ser mencionado porque mostra que nem as grandes corporações de tecnologias da informação estão imunes a ameaças e ataques”, adverte Suffert. O levantamento traz uma análise especial sobre as ocorrências em redes sociais, inclusive. Nesses ambientes, foram em torno de 35 milhões de eventos registrados. A absoluta maioria (78%) foi verificada no Twitter. Instagram (10%), Facebook (9,8%) e LinkedIn (2,6%) foram as outras redes com eventos identificados.

 

Diário – E para este ano, o que o senhor projeta?

Sandro – O relatório sinaliza projeções para 2021 e, em linhas gerais, é preciso se preparar para outro ano repleto de ameaças cibernéticas, alerta Sandro Suffert. O cenário de pandemia, que impõe home office e acesso remoto a sistemas, tornando-os, assim, mais vulneráveis, continua preocupando. Mas não só isso. Os cibercriminosos estão mais capitalizados e, portanto, com maior poder financeiro para investir em ataques. Estima-se que operadores de ransomware acumularam lucro superior a US$ 1 bilhão em 2020. Além disso, o advento do 5G deve ampliar o consumo de dispositivos da ‘internet das coisas’, abrindo uma nova seara para ameaças.

 

Diário – Para fechar, e a novidade do PIX?

Sandro – O Pix, até o momento, tem se provado seguro, mas como deve substituir em parte outras formas de pagamento, por exemplo, compras com cartão de crédito, é possível que os golpistas atualizem ou modifiquem suas formas de ataques. Todos estão suscetíveis a incidentes de segurança. Proteger-se é fundamental, assim como identificar esses incidentes e agir o mais rápido possível. Em um planeta cada vez mais interconectado, a cibersegurança pode tornar-se uma questão de sobrevivência.

 

Perfil

Sandro Romera Süffert, é especialista em cibersegurança, advogado formado pela Universidade de Brasília, a UNB e membro da Comissão de Crimes de Alta Tecnologia da OAB/SP.

Perfil profissional
-Diretor Executivo da APURA Cybersecurity Intelligence
– É a maior empresa de Inteligência Cibernética do Brasil
– Possui mais de 25 anos de experiência na área de tecnologia, tendo trabalhado na vanguarda da Segurança da Informação em várias grandes organizações brasileiras.
– Possui ampla experiência na implementação de soluções líderes de mercado e na construção de soluções visionárias de segurança e resposta a incidentes nestas instituições e também para grandes empresas, agências de governo, forças da lei e órgãos militares.
– Membro da ABNT, Comitês CB21/CE27 e da Comissão de Crimes de Alta Tecnologia da OAB/SP e da High Technology Crime Investigation Association, capítulo New York, há 10 anos.
– Em 2016 ele foi outorgado com a Medalha do Pacificador, pelo Comando do Exército Brasileiro, pelos relevantes serviços prestados ao Centro de Defesa Cibernética.

Cenário atual
– Sua empresa detecta aumento de quase 400% nas ameaças ciberné-ticas em 2020 e revela tendências em cibergolpes para 2021.

 
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