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Entrevista

“É preciso ser muito popular para ganhar dinheiro com a literatura”

Em entrevista inédita, jornalista e escritora Thaïs de Mendonça explica em quais chefes de Estado que se inspirou para a produção do livro “A vida em primeira pessoa”, narrativa na qual trata de fatos e pessoas reais com uso de personagens fictícios.


Cleber Barbosa
Da Redação

 

Diário do Amapá – O enredo político, que mistura traços de chefes de Estado de todo o mundo, exige certo conhecimento do leitor sobre a história política brasileira. Mas quando e como surgiu sua paixão pela escrita?

Thaïs de Mendonça – Escrevo desde pequena. A redação escolar sempre foi a melhor das matérias para mim. Também sou filha de professora de Didática de Português e na minha casa sempre se cultuou a escrita. Tenho 40 anos como jornalista da imprensa diária.

 

Diário – Como surgiu a inspiração para criar este livro? Qual foi a motivação?

Thaïs – Comecei a escrever este livro há 10 anos. No último ano fiz um pós-doutorado em Portugal. A vida no exterior, o fato de ter um tempo só para mim e o sossego de apenas pesquisar me fizeram dar prosseguimento a este projeto, longamente acalentado. A motivação é a de escrever as histórias que as pessoas me contaram.

 

Diário – Você fala que a obra exige o mínimo conhecimento do leitor sobre o cenário político. Como a política é explorada na narrativa?

Thaïs – O candidato a presidente, depois presidente eleito, possui traços de outros chefes autoritários: parece-se com Trump, Maduro, Lula, Collor, Bolsonaro e até com Hitler e Mussolini. É preciso saber um pouco da história do Brasil, como o governo e o impeachment de Collor, o funcionamento dos poderes da República, para fazer os paralelos que constituem a essência do romance chaveado, aquele que tem um pé na realidade. E onde, como diz o autor do prefácio, Paulo Paniago, a pessoa de carne e osso pode estar logo ali. .

 

Diário – Por que você decidiu entre tantos gêneros escrever este? Teve algum escritor ou escritora como inspiração?

Thaïs – Acho que sou uma escritora polivalente. Escrevo textos acadêmicos, científicos, como escrevo para ajudar as pessoas, a exemplo de meu livro “Dieta da Mente. 101 perguntas e respostas para emagrecer”. “A vida em primeira pessoa” escrevi para me divertir. Minhas inspirações são os autores brasileiros – Clarice Lispector, Hilda Hilst, Raquel de Queiroz, Rosângela Vieira, Milton Hatoum, Cristovam Tezza ou os hispânicos e latino-americanos – Miguel Delibes, García Márquez, Vargas Llosa, Isabel Allende, Luis Sepúlveda, Pérez-Reverte.

 

Diário – Quais são os desafios de ser escritor ou escritora no Brasil?

Thaïs – Infelizmente, em nosso país e no mundo, o número de leitores cai a cada dia. Em outros lugares, vemos sempre alguém com um livro nas mãos (mesmo que seja um e-Book). Aqui no Brasil, o escritor é muito pouco valorizado e é preciso ser muito popular para ganhar dinheiro com a literatura. Não há uma política de edição que valorize a publicação e a expansão dos talentos literários.

 

Diário – Qual é a principal mensagem que a obra traz aos leitores?

Thaïs – É preciso viver a vida plenamente.

 

Diário – Você fez alguma pesquisa para escrever o livro, qual? Quanto tempo levou para escrevê-lo?

Thaïs – Levei um ano de trabalho intenso, com disciplina espartana. Pesquisei em meus arquivos do mestrado (em Ciência Política) e nos jornais do tempo em que se passa o romance, de 1989 a 1992.

Nota da Redação:
Para acessar o release do livro “A vida em primeira pessoa” clique em: https://lcagencia.com.br/a-vida-em-primeira-pessoa-thais-de-mendonca/

 

Perfil

Thaïs de Mendonça Jorge – Doutora em Comunicação e mestra em Ciência Política pela UnB. Estância Pós-Doutoral na Universidade de Navarra (Espanha, 2009-10). Graduação em Comunicação pela Universidade Federal de Minas Gerais. 

 

Formação acadêmica

– Com experiência de 40 anos na imprensa diária e em assessorias de comunicação, é professora da Universidade de Brasília UnB desde 1990, onde completou Mestrado e Doutorado, tendo feito estágio de pós-doutoramento na Universidade de Navarra (Espanha) e na Universidade da Beira Interior (Portugal).

 

Destaques profissionais e/ou experiências

– Foi professora na Universidade Federal Fluminense e atualmente é professora da Faculdade de Comunicação/ UnB.
– Exerceu a chefia do Departamento de Jornalismo, organizou o Laboratório de Experimentação em Linguagens em Dispositivos Móveis (Labdim) e coordenou a Pós-Graduação FAC-UnB.
– Foi coordenadora da Secretaria de Comunicação da Reitoria da UnB.

 

No Mercado

– Atuou como consultora em comunicação para Serpro, Unesco, Ministério do Meio Ambiente, Banco Interamericano de Desenvolvimento, Banco Mundial, Itamaraty e Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).


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