Entrevista

“O Amapá é a nova fronteira agrícola do país”

Ele foi recebido no Palácio do Setentrião para uma audiência com o governador Clécio Luís e parte do secretariado. Em tom de conciliação e diálogo, refez o caminho que outros produtores do país e diz apostar no incremento do agro no estado


 

Cleber Barbosa
Da Redação

 

Diário do Amapá – Há quanto tempo o senhor está investindo no agronegócio no Amapá exatamente e está localizado em que parte do estado?

Waldeli dos Santos Rosa – Somos da Agropecuária Paraná, presente aqui no estado há mais de sete anos, instalados ali na [rodovia] AP-070. Com objetivo de ver o Amapá se desenvolver.

 

Diário – Muita gente coloca a agricultura familiar e a agricultura em escala em posições antagônicas. As duas áreas não fazem agronegócio?

Waldeli – Exatamente, o agro está na mesa de todo brasileiro, quem fala do agro não vê que o óleo de soja é agro, a farinha é agro o boi é agro, enfim, que tudo é agro, afinal é agroindústria. Então o porco, o frango, peixe, tudo depende da agroindústria para que você desenvolva uma região e o agro é fundamental, para produzir o milho, a soja, a cevada e assim por diante, base para a ração, um está integrado ao outro, então quem pensar que o pequeno produtor está longo do grande está muito enganado.

 

Diário – O Amapá chegou a surfar uma onda de crescimento do agro, mas depois a coisa desandou, com muita gente desistindo do estado. O que aconteceu no seu ponto de vista?

Waldeli – Antes de vir ao Amapá eu fui à Roraima e um político de lá me disse que lá o tapete era vermelho para receber investidores e que aqui era a polícia quem estava esperando no aeroporto. Dizia que o Ibama estava no aeroporto, que não havia um programa para desenvolver o estado do Amapá ainda. Mas a gente passou por cima dessa conversa e não acreditou, só que Roraima que na época não plantava nada a gente aqui se plantava 20 mil hectares e hoje eles ultrapassam 50 mil [hectares] e a gente hoje planta 8 mil [hectares]. Então alguma coisa saiu errada, errou a política, erraram os produtores, errou o estado. A discussão sobre a importância do que é o agro para uma região, acho que isso não foi muito bem trabalhado.

 

Diário – Faltou mais informação, diálogo?

Waldeli – Criou-se uma mística, de que o produtor de soja destrói, que não preserva o meio ambiente, enfim, isso a gente viu até na última política nacional agora, quando dois lados debatiam o agro, um lado contra e outro a favor, o que não tem nada a ver, como essa discussão de desmatamento zero, algo que precisa ser esclarecido que se eu tenho uma área que a lei me dá o direito [para supressão vegetal], não há ilegalidade, é desenvolvimento, é valorizar a terra local, dando renda a quem mora na terra, como é o caso aqui da Amazônia.

 

Diário – E onde o poder público entra nisso, levando em conta aquela máxima de quando não puder ajudar que ao menos não atrapalhe?

Waldeli – Exatamente, porque o agro em si ele sobrevive, ele faz sua estrada, sua ponte, ele cria o mecanismo dado o seu tamanho, mas ele precisa do apoio governamental com um porto bom para que se embarque a produção para exportação, uma rodovia boa, enfim, tudo da porteira para fora. Ele precisa de uma regra ambiental clara, para que possa respeitar a regra e a sociedade, que por sua vez possa entender que está ali para o seu bem e não para o mal.

 

Diário – Neste sentido, qual a avaliação do encontro que o senhor teve com o governador do Amapá e a sua nova equipe de gestão?

Waldeli – Fiquei surpreso com a maneira que nos recebeu. Não o conhecia, só de ouvir falar que foi um bom prefeito e na mesma época que eu, que fui prefeito de minha cidade pelo mesmo tempo de oito anos. Então relatei nossas dificuldades e também expliquei que nessa série de erros que se cometeu no Amapá, tanto do poder público como da parte dos produtores, faltou diálogo e um conhecer a cultura do outro. Eu até conto sempre a história do cachorro e do gato, que criados em propriedades separadas, a hora que se encontram eles brigam; mas se forem criados juntos não. Então aqui foi assim, o agro nasceu longe do governo, nasceu errado, por isso brigaram. Então precisamos esquecer o passado e construir o futuro. Ele concordou.

 

Perfil

Waldeli dos Santos Rosa tem 62 anos de idade, natural de Itambé, Paraná; é um empresário, economista e político brasileiro, ex-prefeito de Costa Rica no Estado de Mato Grosso do Sul.

 

Carreira política e administrativa
– Sempre teve veia empreendedora e, por anos, trabalhou como bancário no Bamerindus, banco brasileiro com sede na cidade de Curitiba. Aos 23 anos mudou-se para Costa Rica/MS e começou a realizar os sonhos, na época fez um acordo com o banco e se dedicou integralmente aos negócios.

Mandatos eletivos
– A carreira política começou nos anos 2000 no Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) quando foi eleito prefeito de Costa Rica. Em 2011 deixou o PMDB e filou-se ao PR (Partido da República) e, no ano seguinte, foi eleito pelo terceiro mandato.

Premiações e reconhecimentos
– No ano de 2.003, recebeu troféu de “Melhores Prefeitos do Brasil”, oferecido pelo Instituto Brasileiro de Apoio aos Municípios em Recife no Estado de Pernambuco.[38]
– No ano de 2.013, recebeu a comenda oferecida pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul[39]
– Em 2.015, recebeu a “Medalha Imperador Dom Pedro II” oferecida pelo Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul[40]
– Em 2.015, foi homenageado pelo embaixador do Turismo de Mato Grosso do Sul, Jota Abussafi, o melhor gestor público do Estado de Mato Grosso do Sul.

 

 


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