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Coleta de dados do IBGE está comprometida no Amapá

Com medo da violência, cidadão comum e empresas estão negando-se a prestar informações aos pesquisadores do IBGE



Os trabalhos de coleta de dados em residências e empresas realizados por pesquisadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística no Amapá (IBGE-AP) estão seriamente comprometidos pela recusa dos informantes a fazer o atendimento dos agentes de pesquisa e mapeamento.

A informação foi confirmada nesta quarta-feira, 15, pelo supervisor de disseminação de informações da Unidade Estadual do IBGE no Amapá, Joel Lima da Silva, durante entrevista ao programa LuizMeloEntrevista (Diário 90,9FM).

De acordo com Joel, as ocorrências registradas pelos pesquisadores nos relatórios emitidos ao IBGE revelam que além da recusa na prestação de informações, os entrevistados ainda tratam os técnicos com desrespeito.

“O trabalho está seriamente comprometido. Existe uma recusa no atendimento por parte do cidadão comum e das empresas a receber nossos agentes de pesquisa. Com isso, muitos setores acabam tendo subnotificação, e isso é muito sério. Outro fato que tem dificultado o trabalho dos agentes é a disseminação de notícias falsas. Irresponsavelmente, espalham-se boatos que geram medo e desconfiança na população. Por vezes, os moradores chamam a polícia para averiguar a identificação do servidor. Tal abordagem nem sempre é realizada sem constrangimentos, e se percebe que a própria autoridade policial desconhece os meios para checar a autenticidade da identificação do agente”, revelou Joel Lima da Silva.

O supervisor diz ter consciência da atual situação de violência pela qual passa o país, o Amapá no meio, mas afirma existirem mecanismos para identificar os pesquisadores do IBGE. “Em parte essa recusa no atendimento é em face dessa violência banalizada, mas nossos trabalhadores estão devidamente identificados com uniformes, crachás, computadores de mão e outros assessórios exclusivos. Em caso de dúvida, o cidadão ainda pode checar a identidade do técnico, acionando nossa central pelo telefone 0800 721 8181”, explicou Joel.

Em caso de números inconclusos, a destinação de recursos para o município, por exemplo, pode ficar comprometida. “Não se faz suposição de dados ou se implantam números. Se o IBGE mostra que o município tem tantos alunos, o Ministério da Educação, por exemplo, fará uma estimativa de gastos com base naqueles dados. Se existe a subnotificação o município receberá certamente valores inferiores à realidade. Esse é apenas um exemplo do quanto a coisa é séria. A população deve contribuir com o nosso trabalho, claro, devendo fazer todas as checagens para garantir a sua segurança”, esclareceu o funcionário do IBGE.

 


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