Polícia

Pesquisadores desaparecem nas matas de Tartarugalzinho

Bombeiros mobilizam resgate; grupo de quatro perdeu contato sexta-feira, 14, após enviar áudio via satélite; buscas se concentram em área de difícil acesso cercada por garimpos clandestinos no rio Falsino


 

Elen Costa
Da Redação

 

O Corpo de Bombeiros Militar do Amapá deflagrou uma operação de busca e salvamento para localizar quatro pessoas que desapareceram em uma região de floresta densa e isolada no município de Tartarugalzinho – a 230 quilômetros da capital Macapá. O grupo, composto por pesquisadores, sumiu após entrar nas matas para avaliar áreas destinadas a requerimentos de pesquisa.

 

De acordo com informações, a equipe partiu de Macapá na terça-feira, 11, com destino ao interior. Eles pernoitaram na sede municipal de Tartarugalzinho e, na quarta-feira, 12, adentraram área de mata fechada.

 

O último sinal emitido pelo grupo ocorreu na sexta-feira, 14, precisamente às 18h12, por meio de uma mensagem de áudio enviada através de internet por satélite. Na gravação, os pesquisadores informaram que haviam chegado a um igarapé que serve de acesso ao rio Falsino e que deixaram um veículo de apoio estacionado na margem com parte de seus pertences.

 

Os pesquisadores relataram ainda que entrariam em uma pequena embarcação para começar a subir o curso do rio.

 

As equipes de resgate enfrentam um cenário de extrema complexidade. O rio Falsino é um afluente do rio Araguari, possui cerca de 166 km de extensão e delimita a borda oriental da Floresta Nacional do Amapá (Flona do Amapá) — uma unidade de conservação ambiental rica em biodiversidade, mas de tráfego perigoso.

 

 

O Corpo de Bombeiros destacou que os principais obstáculos da missão estão na navegação hostil, haja vista que o leito do rio apresenta fortes corredeiras e uma grande quantidade de troncos e galhos submersos, que podem virar ou danificar barcos. Além disso, o deslocamento terrestre também se torna difícil, já que a floresta tropical fechada exige técnicas avançadas de orientação, leitura de vestígios e rastejo.

 

“Existe, ainda, o fator humano, pois a área de buscas abriga atividades de garimpo clandestino, o que eleva consideravelmente o nível de risco tanto para os civis perdidos quanto para os militares em operação”, ressaltou o porta voz do Corpo de Bombeiros do Amapá, tenente-coronel Izídio Júnior.

 

As equipes de resgate foram oficialmente acionadas nessa quarta-feira, 19, e se deslocaram imediatamente para o local. Especialistas em salvamento em selva utilizam coordenadas de satélite do último áudio para tentar interceptar a rota feita pelos pesquisadores.

 


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