Obesidade entre jovens avança no Brasil e pressiona sistema de saúde
Mais do que questão estética, problema é considerado doença crônica associada ao desenvolvimento de diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares e problemas emocionais; avanço dos casos já representa desafio para o SUS, que registra demanda crescente por tratamentos relacionados ao excesso de peso e suas complicações

Evandro Luiz
Da Redação
O crescimento dos índices de obesidade entre crianças, adolescentes e jovens brasileiros tem acendido um alerta entre médicos, nutricionistas e gestores públicos. Antes vista como um problema mais frequente entre adultos, a doença atinge cada vez mais cedo a população jovem, impulsionada por mudanças nos hábitos alimentares, pela redução das atividades físicas e pelo aumento do tempo gasto diante de telas.
Mais do que uma questão estética, a obesidade é considerada uma doença crônica associada ao desenvolvimento de diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares e problemas emocionais. O avanço dos casos já representa um desafio para o Sistema Único de Saúde (SUS), que registra demanda crescente por tratamentos relacionados ao excesso de peso e suas complicações.
Nas últimas décadas, o perfil alimentar dos brasileiros passou por uma transformação significativa. Alimentos preparados em casa deram espaço a produtos industrializados, refeições rápidas e bebidas com alto teor de açúcar.
Segundo especialistas, jovens estão consumindo mais calorias e gastando menos energia. A rotina escolar, o uso intenso de smartphones, videogames, computadores e redes sociais contribuem para um estilo de vida mais sedentário.
Para a nutricionista Mariana Costa, a obesidade não pode ser analisada por uma única causa: “A alimentação inadequada é um fator importante, mas o problema também envolve questões sociais, emocionais e comportamentais. Muitos adolescentes passam horas em frente às telas e têm pouco contato com atividades físicas regulares”, afirma.
Além disso, a facilidade de acesso a produtos industrializados e estratégias de marketing voltadas ao público jovem favorecem escolhas alimentares menos saudáveis.
Entre os principais vilões apontados por especialistas estão os chamados alimentos ultraprocessados, produtos fabricados industrialmente com grande quantidade de açúcar, gordura, sódio, corantes e conservantes.
Entre eles estão refrigerantes e bebidas açucaradas; biscoitos recheados; salgadinhos de pacote; fast-food; macarrão instantâneo; embutidos, como salsichas e nuggets; doces industrializados e guloseimas.
Esses produtos geralmente possuem elevado valor calórico e baixo valor nutricional, contribuindo para o ganho de peso e para o desenvolvimento de doenças crônicas.
Em contrapartida, profissionais de saúde recomendam uma alimentação baseada em alimentos naturais ou minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, feijão, cereais integrais e proteínas de qualidade.
O avanço da obesidade entre os jovens brasileiros tornou-se uma preocupação que ultrapassa os limites da saúde individual e passa a ser uma questão coletiva. Se não houver mudanças nos hábitos alimentares e no estilo de vida das novas gerações, especialistas alertam que o país poderá enfrentar um aumento ainda maior de doenças crônicas e dos gastos com saúde pública nos próximos anos.
A luta contra a obesidade, afirmam médicos e pesquisadores, deve começar antes que os primeiros sintomas apareçam. E isso depende de informação, prevenção e escolhas mais saudáveis dentro e fora de casa.
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