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Comer muito é… comer “BEM”?

Adivaldo Vitor Barros / MD, PhD; médico, docente e imortal da ALEA, cátedra # 16) 

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Nesses tempos de pandemia, o mundo inteiro parou para refletir, ponderar, repensar… Coisas que pareciam tão fundamentalmente importantes, praticamente, perderam o seu valor. Pessoas e relacionamentos passaram a ser mais valorizados e até priorizados. E nessa conjuntura do “novo normal”, um outro aspecto de nossa existência passou a assumir papel de destaque: o autocuidado!

Entenda-se por autocuidado tudo o que refere-seaos hábitos de higiene pessoal, estilo de vida (prática regular de esportes), hábitos mais saudáveis (livre do cigarro e moderação no consumo de bebidas etílicas), bem como uma alimentação equilibrada (dieta saudável).

Por outro lado, muitas pessoas imaginam que comem bem, porque alimentam-se até sentirem-se mal (estão “cheios”); ou, comem bem, porque comem muito e repetem um ou dois pratos no almoço e jantar; ou ainda, porque costumam comer tudo o que gostam: batatas fritas, lanches, pizzas, refrigerantes, docinhos… todos os dias.

Todos esses comportamentos, motivados por crenças equivocadas e, às vezes, como reflexos de ensinos repassados geração após geração; vem transformando o Brasil em um país de obesos. Segundo dados do Ministério da Saúde, 60% de nossas crianças e adolescentes, em fase escolar, estão com sobrepeso ou mesmo obesos (números próximos de países como EUA)! E NÃO TEM SIDO MUITO diferente entre a população adulta.

Conforme o CDC- “Center forDeseasesControl”, Centro para Controle de Doenças, agência do governo Norte-Americano, alimentação saudável faz parte dos itens de autocuidado, que ajudam na prevenção da infecção pelo vírus COVID-19. Inclusive, a mesma publicação recomenda o uso de suplementos vitamínicos (ex.: vitamina C e vitamina D) e minerais, tais como o zinco, visando reforçar as defesas orgânicas.

No texto, publicado este mês nas redes sociais, chegam a indicar o acesso a uma página da web (no idioma original, que é o inglês), para maiores detalhes do que eles chamaram de “nutrição para a saúde“ (Nutrition for health), onde explicam melhor como fortalecer o sistema imunológico humano diante dessa crise da saúde pública mundial.

Logo, chegamos a uma conclusão: pode-se comer muito… e alimentar-se muito MAL! Nem sempre, em termos de substâncias nutritivas, a quantidade é sinônimo de qualidade. Melhor exemplo? Um ovo cozido, em termos nutritivos, não irá satisfazer um adulto jovem, porém, sabe-se que pode substituir um bife de carne… e por ai vai!

Durante alguns séculos antes de Cristo, Epidaurus, entre as ilhas gregas, foi um centro de tratamentos multidisciplinares, para onde afluíam doentes de varias nações, em busca dos melhores médicos e terapêuticas daquela época. Ali já havia especialistas em alimentação / nutrição, os quais corrigiam maus hábitos e ofereciam alimentos mais nutritivos aos pacientes internados naquele avançado nosocômio.

Curiosamente, o maior dos esculápios da Grécia, autor de 35 tratados de ciências médicas, considerado até hoje, o “Pai da Medicina”, em nome do qual fazemos nosso tão famoso juramento, já vaticinava naqueles tempos: “que seu remédio seja seu alimento, e que seu alimento seja remédio” (Hipócrates, 460-377 aC).

 

 

 
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