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“De Médico e de Louco, todos nós temos um pouco”…

Adivaldo Vitor Barros – MD, PhD; médico, docente e imortal da ALEA

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Ao longo dos séculos, aliviar as dores humanas, recuperar a saúde, melhorar a qualidade de vida, ou mesmo fornecer alento e conforto nos momentos finais da existência, tem sido um dos objetivos de nossa espécie aqui na Terra.
É inegável que o conhecimento, em especial, nas áreas das Ciências BIOLÓGICAS e MÉDICAS, alcançou avanços, até poucas décadas atrás, quase impensáveis ou mesmo, consideradas “obras de ficção científica”!
Novos medicamentos, hormônios sintéticos, novas classes de antimicrobianos, remédios “inteligentes”, vacinas e técnicas cirúrgicas ousadas; robótica e telemedicina, as Medicinas Nuclear e Hiperbárica, todos esses exemplos refletem a pós-modernidade e o progresso do conhecimento científico.
Por outro lado, esse conhecimento, agora popularizado e compartilhado em redes sociais, vídeos e mensagens via aplicativos, trouxeram um “porém” às Artes Médicas: O(A) ACOMPANHANTE, que após panorâmica pesquisa em suas fontes virtuais, encontra-se plenamente disposto(a) a discutir as condutas diagnósticas, terapêuticas e prognósticas com o(a) médico (a) assistente ou com a Equipe de Saúde que trata de seu parente enfermo.
No auge de quase meio século de vida, estive a refletir sobre a formação médica, que foi-nos transmitida no bom estilo inglês, com a fundação da bicentenária Faculdade de Medicina do Terreiro de Jesus, em Salvador-BA, hoje UFBA (Universidade Federal da Bahia), seguida pela Faculdade de Medicina do Estado da Guanabara, alguns anos depois; hoje, é a UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Tudo isso, fruto da visão estadista do Rei D. João VI.
Digo estilo inglês, porque mantemos a boa tradição da formação médicaGeneralista, até os dias atuais, também praticada naquela nação e nos países de herança cultural Britânica; com 02 (dois) anos de disciplinas teóricas e básicas (Anatomia, Fisiologia, Microbiologia, Biofísica, Bioquímica I e II, Bioestatística, Citologia & Embriologia).
Na sequência, vêm as cátedras de disciplinas teórico-práticas, por mais 04 (quatro) anos, como Anatomia Patológica, Ética Médica, Medicina Legal, além das mais variadas Especialidades, tanto clínicas, quanto cirúrgicas, as quais abrangem da Alergologia / Imunologia até à Psiquiatria.
Sem contar mais 02, 04 ou 05 anos de Pós-Graduação, dependendo da Especialidade a seguir…
Mesmo incluindo as áreas de Epidemiologia, Saneamento Básico e Administração dos Serviços de Saúde, não recordei (e nem vi no meu Histórico Acadêmico), nenhuma matéria chamada “TECOLOGIA”… Isso mesmo!
Seria a pseudo-ciência que valoriza os palpites, intervenções ou mesmo opiniões de quem não possui formação adequada, treinamento técnico e nem a responsabilidade (criminal, civil e ética) para com aquele indivíduo enfermo.
Não que eu possua uma postura arrogante, inatingível ou de “semi-deus”; não sabemos TUDO e nem jamais teremos essa ilusão… porém, se nós compararmos, de uma maneira bem didática, a VIDA de um ser humano com um prato especial, a ser servido numa ocasião impar; ficaria bom um prato no qual CADA convidado(a) acrescentasse um tempero, uma pitada ou um “teco”, que fosse adicionado na panela com “ a melhor das intenções” ou apenas para “dar uma ajudinha” para a equipe de cozinha???
Bem, caro (a) leitor(a), se a sua resposta, mental ou verbal, foi um estrondoso NÃO… eu fui bem-sucedido ao expor os bastidores dessas situações delicadas!
Não somente, na qualidade de uma mera opinião, mas também com alguma bagagem, ao longo de 25 anos (e alguns meses / dias mais) atendendo, tratando e cuidando de pessoas tão valiosas e vidas preciosas.
Já que concedeu-me a honra de, respeitosamente, ler esse artigo até o seu desfecho, alcançando o “X” da questão juntamente comigo; então, permita-me concluir que indagar seu médico, esclarecer dúvidas ou mesmo emitir sugestões, não é desrespeitoso e nem ofensivo; tentar compreender o passo-a-passo de um longo tratamento, com seus riscos e prognósticos, também é muito salutar…não será considerada uma ingerência e nem um “TECO”(porque quando se age assim, deixa-se de ser um acompanhante, podendo tornar-se um “atrapalhante”) do bom andamento daquela terapêutica…
Parafraseando o sábio adágio popular supra-citado, e muito bem conhecido, podemos inferir que de louco e de MÉDICO, cada qual quer dar um TECO!!!

 
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