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Job Miranda – Sociólogo e Pedagogo

Como explicar a previamente anunciada derrota de Camilo, em 2014? (I)   Dois fatos marcantes e inéditos emergiram das urnas, em 2014, no Amapá: Camilo passar a figurar como primeiro a ser eleito governador titular ao cargo a não se reeleger, quatro anos após, e também, ser o primeiro a perder por uma diferença abissal […]

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Como explicar a previamente anunciada derrota de Camilo, em 2014? (I)

 

Dois fatos marcantes e inéditos emergiram das urnas, em 2014, no Amapá: Camilo passar a figurar como primeiro a ser eleito governador titular ao cargo a não se reeleger, quatro anos após, e também, ser o primeiro a perder por uma diferença abissal de votos (por mais de 20% dos votos válidos), numa derrota humilhante. Tais fatos, além de inéditos e marcantes, configuram-se em fenômenos largos e profundos de saltar aos olhos, que, pra serem compreendidos, requerem estudo por meio de investigação científica sustentada em modelo teórico sistêmico. Destarte, embora as explicações se devam à ciência política, pesquisas de campo (quanti e quali) realizadas pelo instituto INPSOM evidenciaram, com toda segurança, que as causas motrizes desse fenômeno encontram explicações mais no campo da psicologia que propriamente em outros saberes, uma vez resultarem mais da personalidade de seu principal protagonista (Camilo) do que de outros meandros.


Visto desse modo, faz-se aqui um registro histórico destacando quatro variáveis fundamentais à análise: o perfil psicológico-político do dirigente, a forma e o conteúdo da percepção do jogo político e do governo, o tipo de leitura sobre a conjuntura do pleito e o marketing externado pela candidatura Camilo.

 

Sobre o perfil psicológico-político, não se trata de modo algum de desqualificação negativa com imagem caricata sobre o governador, mas tão-só demarcar três aspectos acerca dessa variável: primeiro, que, nós humanos não somos outra coisa senão consciências e relacionamentos – realidades biopsíquica e sociocultural (com implicações, óbvio, na economia e na história); desta feita, somos todos seres psicológicos e, como tais, cada pessoa engendrada um perfil, perfil este que, invoca sentimentos, valores, olhares e percepções que antecedem ao agir; segundo, haver consenso entre historiadores e cientistas sociais que o perfil psicológico dos líderes influencia sobremaneira no devir dos acontecimentos históricos, como nos modos de ser e aparecer das instituições políticas (vide: Gandhi e Mandela, de um lado, e Hitler e Bush, de outro).

 

Terceiro, que a ciência da Psicologia nos informa sobre síndromes, complexos, manias, neuroses, esquizofrenias, psicoses e visões que distorcem a realidade – pensamentos confusos, ideias falsas – mas arrebatadoras, que levam o indivíduo a não reconhecer o caráter estranho e inadequado de seu comportamento.  

 

Evidente que, não se intenta aqui insinuar patologias: desrazão, transtornos ou personalidade emocionalmente instável quanto a estados psicológicos ao governador. Mas, sim, retratar com linhas metafóricas certos comportamentos “psicóticos” (ainda que sem psicose e sem neurose) reveladores de síndromes e manias que, salvo engano, determinam atitudes e práticas no fazer política que, julga-se, só podem ser explicados pela psicologia.

 

Daí que, trata-se de dar close a certo repertório comportamental exibido por Camilo e testemunhando pelo tempo: desapego à escutatória, autossuficiência cognitiva, vaidade narcisística, rudeza e birra compulsivas, exibição do poder fora de senso, insegurança, mania de perseguição e ausência de culpa e de arrependimento.

 
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