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Sonho olímpico

Indiferente às dificuldades, o Comitê Olímpico Brasileiro justifica o atraso das obras, algumas sem perspectivas de ficarem prontas até agosto do ano que vem.


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Em 2007, quando o Brasil ganhou a promoção dos Jogos Olímpicos da XXXI Olimpíada, o país tinha antes de tudo analisar os recursos técnicos e materiais, e se estavam de acordo com o desafio ao qual se propôs

No mesmo ano, conquistou também o direito da Copa do Mundo de Futebol. Dois eventos maiorais. A Copa obteve sucesso, mesmo com vários diagnósticos discordantes quanto ao legado para a vida social e esportiva.

Faltando menos de quinhentos dias para os Jogos com programação diversificada em relação ao futebol com mais de 30 modalidades, pois os custos são maiores no atendimento ao contingente de quase 20 mil atletas e de outra multidão de turistas.

Indiferente às dificuldades, o Comitê Olímpico Brasileiro justifica o atraso das obras, algumas sem perspectivas de ficarem prontas até agosto do ano que vem.

A Baía da Guanabara, local das provas de remo, vela e natação de longa distância, não será despoluída, conforme promessa. Outras obras estão longe de ser concluídas com a linha de metrô ligando a zona sul à oeste. Também vai ficar na saudade o plantio de 24 milhões de árvores para compensar os efeitos da poluição. A limpeza das lagoas de Jacarepaguá e Barra da Tijuca estão, segundo confissão do COB, fora dos planos.

Hoje, como ontem, os dirigentes não esqueceram a moléstia do gigantismo, como o da Copa do Mundo, quando o Morumbi prontinho cedeu lugar ao Itaquerão, com custos para cofres públicos. Repete-se ainda com insistência da construção de um campo de golfe, no valor de R$ 60 milhões, tendo outros locais disponíveis, no Rio de Janeiro. O prefeito do Rio, Eduardo Paes, num momento de angústia, há algum tempo, afirmou que o Rio poderia passar vergonha tal era como ele via o andamento das obras.

A declaração abriu os olhos dos membros do Comitê Olímpico Internacional e, com medo dos vários desvios da Copa, mandou uma força tarefa para acompanhar tudo, porque até agora o sucesso nas 30 disputas anteriores, mesmo com altos e baixos, o sucesso foi absoluto. O esporte é o maior espelho de eugenia, e o fracasso seria imperdoável para todos os brasileiros.

Otimistas, os dirigentes do COB projetaram ganho de 27 medalhas, sendo 10 ouro. Na disputa dos 30 Jogos anteriores, as sedes foram na quase totalidade em países do Primeiro Mundo, onde o espetáculo era sempre garantido. O Brasil é o primeiro da América do Sul a sediar a competição.

 
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