Cidades

Setor de transporte coletivo acena com demissões e até a paralisação dos serviços

Entidade negocia com o poder público alternativas para setor não estrangular, diante da brusca queda da renda e a necessidade de manter parcialmente os serviços.

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Cleber Barbosa
Da Redação

O diretor do Sindicato das Empresas de Transporte do Amapá, Renivaldo Costa, foi ao rádio nesta quinta-feira (26), falar dos efeitos que a redução obrigatória do número de ônibus em circulação está gerando para o setor. Falando ao programa Café com Notícia, na rádio Diário FM, ele disse que a queda no faturamento ameaça a manutenção dos serviços, devido ao custo operacional e demissões podem ocorrer já no começo do mês.

Segundo ele, a ANTU (Associação Nacional de Transporte Urbano) divulgou o resultado de um levantamento em todo o país, dando conta de que a maior parte das 500 empresas associadas não tem condições de suportar sequer até a próxima sexta-feira, dia 27. “Mas o entendimento é de que o momento serve para se unir forças, o setor não vai colocar uma faca no pescoço das autoridades, por isso as empresas vai tentar segurar até o dia 05 de abril, mas se até lá não se tiver uma solução para o transporte público ele vai paralisar cem por cento”, anunciou.

O representante disse que as empresas do setor têm feito um esforço para cumprir a determinação de redução da frota em circulação, que em algumas cidades chegou a ser de 85%, mas que no Amapá o índice é de 70%, semelhante a estados até maiores, como Minas Gerais.

Falando em números, o assessor disse que atualmente o custo operacional somente do óleo diesel representa cerca de 30% do faturamento das empresas, pois o consumo dos ônibus é muito grande, tendo uma média de consumo de 3 a 4 litros por quilômetro. “Só para se ter uma ideia, o sistema chegava a transportar 120 mil passageiros por dia, mas depois da entrada do transporte clandestino e do transporte por aplicativo esse número caiu para 85 mil passageiros, enquanto que hoje não estamos transportando nem 25 mil passageiros por dia”, listou Renivaldo Costa.

Esses números, segundo a entidade, não fazem frente nem mesmo ao custo com o combustível dos coletivos em operação na cidade, mesmo com a redução do horário até às 20 horas. “E ainda tivemos o registro de que triplicou o número de assaltos a coletivos no estado, além da baixa ou quase nenhuma ocupação dos ônibus que fazem o transporte intermunicipal”, disse ele.

A título de proposta, a classe das empresas de ônibus apela por alguma medida paliativa, seja com a anistia fiscal, seja algum outro incentivo por exemplo que garanta o abastecimento dos veículos, caso contrário, até 05 de abril as empresas podem iniciar um processo de demissão de trabalhadores. Hoje, diz, são 1050 rodoviários, com o sindicato trabalhando com a possibilidade de demitir os primeiros 100 trabalhadores para diminuir os custos das folhas de pagamento.

 
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