Entrevista

“Começamos bem, com o país colocando o turismo entre os temas nacionais”

Entrevista / MAGDA NASSAR – Presidente da Abav Nacional

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A Associação Brasileira das Agências de Viagem (ABAV) tem da presidente Magda Nassar não só a representante político-administrativa, mas alguém que lidera o setor. Ao melhor estilo “A palavra convence, o exemplo arrasta”, ela simplesmente não para. Mas sua energia também é canaizada para o social. Logo na abertura da feira, declarou: ”Está aberta a Abav de todas as formas de amor”, afirmou Magda na cerimônia i augural da 47ª Abav Expo Internacional de Turismo e 52º Encontro Comercial Braztoa. Magda definiu a Abav Expo 2019 como “a Abav da mulher, da inclusão, da tecnologia e da inovação, que acredita em um país livre e abençoado”. E o Amapá também se mostrou no evento, captalizando entre outras coisa um projeto de trazer o primeiro grupo de 100 turistas deficientes visuais, um projeto de inclusão, sensitivo.

Diário – Qual o tamanho da 47ª Abav Expo e o 52º Encontro Comercial Braztoa?
Magda Nassar – Estamos comparando essa edição a um grande Cirque du Soleil, onde eventos de muita qualidade acontecem ao mesmo tempo. Temos um olhar muito inovador sobre o nosso setor e vamos estar mostrando isso durante três dias de forma intensa. Tanto a Abav quanto a Braztoa vêm trazendo produtos de qualidade focados no nosso maior parceiro: o agente de viagens.

Diário – Quais são os destinos nacionais e internacionais estreantes na feira?
Magda – Destinos nacionais estreando é difícil falar, porque a Abav é a grande vitrine do turismo nacional. Temos o Ministério do Turismo com a maior área da feira junto com a Braztoa, os dois grandes âncoras do evento. Temos também muitos destinos fora da área do ministério. No internacional, temos México, Marrocos, Portugal… eu não quero citar todos e correr o risco de esquecer algum. Posso dizer que estamos representados em todos os continentes, inclusive a Ásia.

Diário – O evento promete um recorde de operadoras. Como foi esse esforço de trazê-los para a feira?
Magda – A Expo Abav é o evento de turismo que mais tem operadoras. Elas têm uma identidade, uma parceria muito forte com a Abav. Só de operadoras Braztoa, vamos ter mais de 40. Mas o evento terá operadoras de outros países e aquelas não filiadas à Braztoa. Não teremos só operadoras, mas o espaço da Clia com os cruzeiros marítimos, a Air Tkt com as consolidadoras e as companhias aéreas e a Abracorp com a área corporativa. Todas as associações e seus associados estão presentes na Abav. Neste ano também vai ter um belo espaço da CVC Corp.

Diário – Você anunciou o último dia da feira, 27 de setembro, para o público final. Essa ação já aconteceu em outras edições. Como funcionará o “Espaço Black Friday”?
Magda – Será muito diferente do formato das outras edições, primeiro porque acontecerá em um dia útil da feira. Nós teremos um “Espaço Black Friday”, onde efetivamente, pela primeira vez, venderemos com cartão de crédito. Mas a venda será apenas dentro do espaço e através de agências de viagens associadas à Abav. Estaremos mostrando ao consumidor como funciona essa cadeia do turismo.

Diário – Além dessa ação, quais são as outras novidades desta edição?
Magda – Não é primeira vez, mas teremos um destino anfitrião: o Estado de São Paulo. Teremos várias ativações para mostrar o turismo de São Paulo, estaremos também lançando o programa stopover, uma campanha do governo com as companhias aéreas, as operadoras e as agências, que começou com a redução do ICMs sobre o valor do combustível da aviação. Transformaremos toda a parte de cima do Expo Center Norte em uma grande área de eventos para worskhops, com várias salas que acolherão até 500 pessoas. Além da Vila do Saber, vamos ter cinco arenas. O maior desses workshops é com a Abav Tech, nosso parceiro de tecnologia. Contaremos todos os benefícios que os agentes de viagens podem ter com a tecnologia, como usá-la a seu favor. Temos uma inclusão incrível na feira deste ano, estamos muito orgulhosos disso. Tem um painel que vou participar como moderadora que vai trazer uma pessoa transexual, um representante da raça negra, uma pessoa para falar sobre gordofobia. Vamos discutir esses assuntos não só para fazer a inclusão das pessoas, mas para mostrar como atender todos os públicos. Durante os três dias da feira, estaremos criando em todos os momentos e em todos os espaços ativações, treinamentos e palestras. Além disso, nós temos um programa de inclusão próprio da Abav: todos os recepcionistas da Vila do Saber são pessoas com necessidades especiais.

Diário – A Vila do Saber, a área temática mais bem-sucedida da feira, mantém a mesma proposta?
Magda – Nós mudamos um pouco a Vila do Saber, que agora tem cinco arenas, e convidamos cinco mentores para cada área. A Vila dos Saber é um grande legado que a Abav do Antonio Azevedo deixou para nós, é uma delícia de olhar, de participar, é uma qualidade de público incrível. Então a gente mantém a proposta, mas com transformações. Dividimos as arenas em temas específicos: mercado, gestão, tecnologia, transformação e digital. Neste ano, não teremos uma área específica para startups, mas uma área grande de tecnologia patrocinada pela Travelport. É uma área de inovação, onde vão estar empresas que têm produtos de inovação mesmo: start ups, plataformas, desenvolvedores.

Diário – Por que a Abav não tem cedido aos apelos de tornar a feira itinerante?
Magda – É uma delícia fazer evento itinerante, mas como você faz evento itinerante em um país que tem três companhias aéreas? O Brasil tem um gargalo de transporte, é um país continental, não dá para se locomover de ônibus para todos os lugares. A Abav é itinerante de público, traz pessoas de todo o Brasil. Ela está representada nos 27 Estados, que têm uma cota para trazer os agentes de viagens a São Paulo. Nós recebemos no ano passado mais de 23 mil pessoas. Como transportar esse povo todo? É uma questão de logística, de infraestrutura.

Diário – Como a Abav está avaliando o governo do presidente Jair Bolsonaro para o turismo?
Magda – Eu já estive pessoalmente com Bolsonaro junto com um grupo de associações, com o Ministério do Turismo. A gente começou essa era Bolsonaro falando de turismo, que foi muito bom, ele colocando o turismo entre os temas nacionais, no Twitter, que aparentemente é algo que ele aprecia bastante. O governo começou positivo no quesito vistos, algo que a gente vinha trabalhando com ministérios anteriores. O Bolsonaro foi lá, liberou, está tudo certo! Só que hoje não queremos só ouvir falar, queremos ações. E ações, quando você não tem budget para elas, vão ficando difíceis. O Brasil está em situação muito complicada, a gente entende. Hoje, nós temos um ministério que tinha um budget muito pequeno, menor do que outros ministérios. A manutenção da pasta do turismo foi excelente, mas a gente acabou de saber que tivemos uma redução de 58% do bugdet do ministério em relação ao anterior.

 
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