De olho na Margem Equatorial, Abegás lança propostas para candidatos
Setor de distribuição de gás natural defende aumento da oferta, mais investimentos em infraestrutura, diminuição da reinjeção e integração com data centers

O potencial exploratório da Margem Equatorial exige planejamento para os próximos 20 anos no setor de gás natural, afirma Marcelo Mendonça, diretor-executivo da Abegás (Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado), em entrevista ao Poder360. “Esse potencial só vai estar disponível daqui a 6, 8, 10 anos, então a gente já tem que pensar nessa agenda para agora”, diz o executivo.
A exploração da nova fronteira produtiva, ainda sem reservas comprovadas, faz parte de uma estratégia para as próximas décadas traçada pelas distribuidoras de gás. As empresas lançam nesta 4ª feira (2) um e-book com propostas para os candidatos à Presidência da República.
O documento “Gás Canalizado: Agenda estratégica para promover o desenvolvimento econômico e social do Brasil” reúne quatro políticas públicas, quatro propostas legislativas e seis recomendações regulatórias. As sugestões serão entregues aos candidatos ao Palácio do Planalto e aos deputados e senadores da próxima legislatura. A Abegás estabelece duas prioridades centrais para os próximos quatro anos do mercado de gás: aumentar a competitividade e a oferta do insumo produzido no Brasil. A agenda parte da avaliação de que o país produz muito gás natural, mas aproveita pouco o insumo. Em 2025, o Brasil bateu re corde de produção, com 179 milhões de metros cúbicos por dia. Desse total, porém, só 33% chega efetivamente ao consumidor. Segundo Mendonça, a otimização da produção e o aumento da oferta dependem sobretudo de investimentos em novas rotas e malhas de escoamento, unidades de processamento e infraestrutura de transporte e distribuição. “Quando a gente pensa no gás natural, como é um investimento estrutural, é um pensamento de longo prazo. Eu tenho que pensar para os próximos quatro anos, mas esse mandato tem que construir também a agenda para os próximos 20”, diz o diretor.
Para ampliar a infraestrutura de gasodutos do país, a Abegás propõe chamadas públicas que fomentem a interiorização da malha, altamente concentrada no Sudeste, além de linhas de crédito vinculadas a metas de expansão da rede de distribuição e universalização. A associação também defende a obrigatoriedade da construção de sistemas de transporte e escoamento para novas plataformas de exploração e produção de gás natural.
A medida se aplicaria ao sistema produtivo que deve se desenvolver a partir da Margem Equatorial. “Hoje, a oferta vem do Sudeste e depois você leva para o Nordeste. Como a Margem Equatorial surge ao Norte do país, na costa do Amapá, é preciso agora inverter o fluxo. Com uma grande quantidade de gás na região Norte, vai ser necessário desenvolver infraestrutura para interligar e atender toda a demanda do Sudeste. Como tem um potencial para ser um novo pré-sal, você tem que viabilizar uma infraestrutura para colocar esse gás interligado na rede”, declarou.
Para Mendonça, viabilizar novos investimentos pode destravar uma série de efeitos positivos para o país. Segundo a Abegás, as distribuidoras estão presentes em 19 estados das cinco regiões, atendendo 59 usinas termelétricas, quatro mil indústrias, 1.700 postos de combustíveis e cerca de 52 mil estabelecimentos comerciais. “A partir do momento em que se viabiliza esse aumento de oferta, você traz a oportunidade de ter novos investimentos nessa agenda, viabiliza novos postos de trabalho, aumenta o número de empregos, viabiliza a arrecadação na comercialização desse gás, tanto na produção, com royalties e participaçõ ;es especiais, mas também na arrecadação de impostos para os estados”, afirma. Segundo o diretor da Abegás, as distribuidoras investem cerca de R$ 1,5 bilhão por ano. Ele projeta a manutenção desse ritmo nos próximos quatro anos, mas avalia que as companhias poderiam investir mais caso novas políticas para o setor fossem aprovadas.
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