Turismo

RALLY ILES DU SOLEIL

A longa viagem para chegar ao Amazonas

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CLEBER BARBOSA
EDITOR DE TURISMO

Velejadores de todo o mundo sonham alcançar o Rio Amazonas – o maior do planeta em volume de água e extensão – para colocar no currículo o fato de ter vencido as dificuldades e alcançado o famoso rio-mar. Na promoção “Minha Viagem Inesquecível” deste domingo, o Diário do Amapá, relembramos a saga dos integrantes da chamada regata Rally Iles du Soleil, para também singraram suas águas do famoso rio.

A aventura foi em 2010, depois de passarem oito meses a bordo de um veleiro conhecendo os lugares mais bonitos do mundo. A aventura reuniu 26 embarcações europeias que saíram falando maravilhas a nosso respeito e prometendo voltar ao Amapá.

O grupo era formado por franceses, suíços, alemães, italianos e espanhóis. Eles fazem parte desta gigantesca regata, que oficialmente é um “Rallye Nautique”, que reúne velejadores que já visitaram praticamente todo o planeta. Durante a estadia na Amazônia, os europeus fizeram uma parada até no famoso Festival do Camarão, no município paraense de Afuá, vizinho ao estado do Amapá onde a festa é em julho.

Testemunho
Na ocasião, o francês Allan Plenie, da embarcação Naomi II, arriscou falar na língua portuguesa sobre a experiência de visita a Amazônia. “Nós do rally encontramos pessoas boas e acolhedoras, passamos dias maravilhosos e levaremos para a Europa boas recordações daqui”, disse ele.

Pedro Campos, jornalista brasileiro que integrou a expedição a bordo do Veleiro Repórter, diz que o clube de cruzeiristas chegou a percorrer 1 mil quilômetros no Rio Amazonas. Ele destaca o intercâmbio proporcionado pelo convívio com tantos aventureiros estrangeiros, nas muitas etapas da viagem. “Sempre regadas a muita conversa fora e a taças e mais taças de bons vinhos chilenos, espanhóis ou franceses, íamos degustando das melhores guloseimas que esses chefs aprenderam pelos portos por onde passaram neste mundo afora”, diz.
Aliás, sobre a verdadeira mostra gastronômica, Campos narra que são iguarias doces e salgadas de tirar o fôlego do estômago de um nordestino da gema. “Tudo feito com muito esmero pelas jovens senhoras recém aposentadas e que, na presença de um visitante made in Brazil feito moi, se empenham ainda mais nas pequeninas cozinhas dos seus veleiros”, diz o jornalista.

 

Tanto gringo junto virou ‘mostra gastronômica’

A verdadeira mostra gastronômica a bordo dos veleiros que participaram da expedição “Rally Iles du Soleil” mereceu um recorte adicional na cobertura do único brasileiro a bordo, Pedro Campos. Segundo ele, as esposas dos velejadores esmeravam-se no preparo da comida, que ele chama obras de arte. “Tudo para tornar cada petisco um manjar dos deuses”, derrete-se o brasileiro, que em seu diário de bordo ainda registrou outro agradecimento, sempre numa linguagem internacional, que ora ia de inglês, ora de português e por aí afora. “Merci, madames, pelos quilinhos adquiridos”, encerra, bem humorado, o jornalista brasileiro, o Pedro Campos.

Aquela era a 16ª edição do Rallye des Iles du Soleil. O evento ocorre anualmente e envolve cerca de 30 barcos. Em Afuá, onde atracaram também, consta o registro oficial: 22 veleiros com cerca de 70 tripulantes vindos de 7 países da Europa: França, Bélgica, Suíça, Áustria, Inglaterra, Espanha e Irlanda do Norte. se você ficou curioso sobre a tradução do nome da regata vai aqui: “Regata Ilhas do Sol”.

 

A rota da grande aventura por águas amazônicas que os europeus adoraram


A cada ano, o Rally experimenta novas etapas. Em 2010, o roteiro era o seguinte: Ilha da Madeira, Ilhas Canárias, Marrocos, Senegal, Cabo Verde e Brasil. As paradas em solo brasileiro acontecem em Salvador, João Pessoa, Fernando de Noronha, Fortaleza, Luis Correia, Soure (PA), na Ilha do Marajó (Afuá), e Belém. Da capital paraense, as embarcações subiram o rio Amazonas até Alter do Chão e depois, seguiram o rio até a Guiana Francesa onde terminaria o evento.
O Rally se enquadra num projeto de navegação de longa duração, em que as pessoas ficam no mínimo um ano fora de casa. A organização promove rotas e destinos náuticos diferenciados. Saindo do eixo tradicional da Europa para o Caribe. “Nós sempre queremos mostrar aos navegadores europeus lugares diferentes, seguros, com atrativos culturais e naturais”, conta Nicolas Tiphagne, diretor operacional do evento.

Nordeste
Os velejadores, segundo Nicolas, procuravam uma etapa intermediária também pelo Nordeste. No Piauí, foram a Luis Correia, cidade apontada como lugar ideal. A decisão de aportar pela primeira vez no litoral piauiense foi tomada em dezembro de 2009, durante a Feira Náutica de Paris. A ideia foi discutida pelos organizadores com representantes do poder público.
Os aposentados são maioria entre os tripulantes. No entanto, no grupo viajam também famílias com jovens e crianças. O perfil profissional dos velejadores é bastante eclético: professores, médicos, profissionais liberais, empresários, e engenheiros. As crianças estudam a bordo dos barcos pelo método de ensino a distância. (Colaborou: Setur-PI)

CURIOSIDADES

– Tunguragua e Marañón são nomes de batismo do Amazonas, quando nasce, a 5.500m de altura, no Peru. Ao entrar em território brasileiro, o Amazonas é chamado de Solimões até 30 km a leste de Manaus, onde recebe as águas do rio Negro. São cerca de 7 mil afluentes em todo o percurso. A bacia do Amazonas é a mais vasta do mundo: mais de 5 milhões de km2. Peru, Colômbia, Bolívia, Equador, Venezu-ela e Guiana são os países banhados pelo rio.
1.000 Km
Distância navegada no Rio Amazonas pela regata

 
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