Turismo

Venezuela no caminho

País em crise ‘separa’ casal do Amapá

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As estradas da América do Sul ganharam este ano dois personagens carismáticos e solidários, Fernando e Girlany, que são de Macapá. Mas a harmonia da dupla será interrompida nos próximos dias, pois irão se separar para poder atravessar a Venezuela, país que vive a mais grave crise econômica de sua história, deixando o ambiente para viajantes extremamente instável.

 

Falando à reportagem nesta semana, o casal confirmou estar deixando o Equador em direção à Colômbia, última escala – para ela – na companhia do marido. “O Fernando está procurando uma companhia para o restante da viagem, pois não vou atravessar a Venezuela, está muito perigoso e mulher chama atenção”, diz a cabeleireira que atende outros viajantes pelo caminho, uma ação de responsabilidade social desta aventura.

 

Fernando seguirá pela Venezuela deixando o país caribenho por Santa Elena de Uairén, na divisa com o Brasil, retornando ao país pela cidade de Pacaraima, em Roraima. “De lá o Fernando seguirá de volta a Macapá, passando pela República da Guiana, o Suriname e a Guiana Francesa, depois Oiapoque e, finalmente, nossa Macapá City”, diz, descontraída, a microempresária amapaense.

 

O começo
O casal de aventureiros deixou Macapá no início deste ano com o propósito de literalmente sair pelo mundo. Fernando Pinto Faria e sua esposa Girlanny de Cassia dos Reis Faria, juntos há quase 11 anos, logo que se conheceram já foram fazer sua primeira viagem internacional, passando um ano em Londres. Após isso, não pararam mais, realizando várias viagens, mas nunca descobriram o que realmente queriam conhecer. “Com essa ânsia por conhecer todos os lugares resolvemos dar a volta ao mundo de carro”, diz ele na descrição do canal de vídeos que abriram para compartilhar suas aventuras.

 

Já na primeira etapa da viagem, foram longe mesmo, Ushuaia, na Argentina, a cidade mais ao sul do mundo. “Estamos a bordo da Azulinha, uma Saveiro mais ou menos adaptada, que nos dá muito trabalho por ser pequena e pouco prática. Nosso intuito é visitar a maior parte de países possível, mas o principal é conhecer gente”, diz Girlany. O casal diz amar conhecer novas pessoas e descobrir um pouco sobre sua cultura, como vivem, onde foram, o que fazem. “Eu principalmente como um bom filho do interior de Goiás, adoro conversar e investigar a vida de todos em volta, por isso tento aprender o maior número de línguas possível para estar sempre me comunicando”, diz Fernando.

Jornada para conhecer pessoas e novas culturas
Eles saíram de Macapá exatamente no dia 11 de janeiro deste ano, deixando para trás suas empresas – uma marmoraria e um salão de beleza – e todo o conforto de uma casa de 300 metros quadrados por um mini Motor Home adaptado na caçamba de uma VW Saveiro, onde instalaram prateleiras para guardar poucas peças de roupa e uma cama de casal bem espremida entre os equipamentos e mochilas. “O maior objetivo da viagem é conhecer pessoas que vão aparecendo no caminho que a gente vai levar para a vida e histórias para contar”, diz Girlany.

 

A maior parte do tempo eles passam mesmo no carro, dirigindo e também é onde dormem a maioria das vezes, apesar de que também encontram muitos outros viajantes e pessoas pelas cidades já acostumadas a receber esses aventureiros. “Existe uma comunidade de Viajeiros, que se identifica e se ajuda, afinal existem pessoas estão na estrada há muito tempo, então o dinheiro vai ficando escasso, mas ninguém tem avereza, mesquinharia, ao contrário, a gente encontra muitas pessoas boas que te acolhem em sua casa, com muita hospitalidade e você forma um vínculo, uma amizade que a gente quer levar para a vida toda”, diz Fernando.

Meta é alcançar o Alasca até o próximo ano e de lá acessar outros continentes
Uma característica marcante dessa grande aventura, é a experiência humana, o convívio de um casal que poderá fazer várias “DRs” por dia e ainda assim estar cada dia mais unido e encantado com as possibilidades que a vida proporciona. Fernando e Girlany dizem que os planos são para chegar até o extremo Norte do planeta, no Alasca (EUA) no início de 2019 e após uma parada em Macapá para rever a família, os amigos e os negócios, pretendem seguir para a segunda etapa, de aproximadamente dois anos, percorrendo os demais continentes, na sequência: África, Europa, Ásia e Oceania. “Quando a gente disse para nossa família e os amigos que iria partir para essa aventura todo mundo dizia que a gente estava maluco, mas na verdade nessa primeira etapa lá em Ushuaia, na Patagônia argentina a gente encontrou muitos outros viajantes, gente de todos os lugares, que percorrem o mundo das mais diversas maneiras, de carro, moto, de bicicleta, de motor home ou simplesmente como mochileiros”, diz o empresário Fernando Pinto.

 

Segurança
E a troca de experiências também proporciona uns cuidados adicionais em relação à prevenção de acidentes, assaltos ou mesmo outras situações até mais graves afinal a viagem deverá passar por países que vivem em situação mais sensível do ponto de vista político ou até de conflitos, como Colômbia, Venezuela na América do Sul e outros países da América Central. “A gente tem sim toda a cautela, isso em todo lugar, mas a gente recorre a todo tipo de informações, seja com os aplicativos, na internet e relato de outros viajantes para saber dos lugares que a gente pode ir para não entrar numa roubada, né?”, diz bem o aventureiro Fernando. Mais informações no canal ‘Égua do Mundo Porrudo’ no YouTube.

 
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