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Bolsonaro: muitos erros a corrigir

Ulisses Laurindo – jornalista

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Muitas incursões mentais serão necessárias ao presidente Jair Bolsonaro para achar o caminho ideal na procura de boas medidas que viabilizem a pronta e imediata normalidade da vida nacional. De tanto meditar, ele já chegou a um diagnóstico, revelado pelo articulista J.R. Guzzo, da Revista Veja, contando que num encontro com a deputada paulista Janaína Pascoal, respondendo a uma pergunta sobre o que estava preparando para oferecer ao Brasil. A resposta foi curta e grossa: “O importante não é o que vamos fazer mas o que vamos desfazer”. Na matéria, Guzzo alinha os desafios que o governo do PT deixou como herança, acrescentando “que o Brasil será um país a caminho da felicidade se o presidente, estiver pensando assim e, principalmente, se conseguir até ao fim do seu mandato desmanchar metade do que imagina que precisa ser desmanchado”.

Entre os pecados de Lula há que se admitir sua intenção de indicar Dilma Rousseff como sucessora, em 2010, torcendo, com seus bostões, que ela ficaria apenas quatro anos, devolvendo o lugar em 2012, para retornar com toda pompa para mais oito anos, significando 20 anos de comando na política brasileira.

O desgaste de Dilma, de 2011 até 2016, não é alardeado nas rodas do partido para não lhe enfraquecer ainda mais. Porém se torna visível que a Presidência de Dilma sofreu grande desgaste com a consequente vitória do Brasil para sediar a Copa do Mundo de 2014, conquista de 2007, e, também, a partir de 2008, por ocasião da crise da bolha nos Estados Unidos.

Além disso, na época, o visível declínio das finanças do país decorreu de dois relevantes fatores. 1 – o enfraquecimento da política econômica deixada por Fernando Henrique Cardoso, e o Plano Real, que tirou o país da inflação acima de 80% ao mês, reduzindo-a para 4,5% ao ano. A diferença fazia a população respirar melhor e com melhor nível de vida. 2- A diminuição das exportações e da receita da China, cujo comércio era intenso, só com comoddities desvantajosas para os brasileiros, com produtos de primeira ordem, como açúcar, petróleo, ferro, etc., recebendo em troca pilhas, rádios, ventiladores, etc..

Com a dificuldade do Tesouro, Dilma se viu obrigada a lançar recursos oriundos de outras fontes, culminando nas pedaladas e no impeachment de 2016.

Na ordem de desgaste de Dilma Rousseff vale lembrar também a bravata de Lula, que saiu do Brasil com uma comitiva de primeiro mundo, indo reivindicar no Comitê Olímpico Internacional (COI), na Dinamarca, a promoção dos Jogos Olímpicos de 2016, com falta flagrante de planejamento financeiro e, pior, sem mentalidade esportiva para trazer para o país um espetáculo, ante de tudo, próprio de nações preparadas. Com o início das promoções da Copa do Mundo, em 2007, e dos Jogos, em 2009, deixando para trás adversários como Chicago (com Obama presente), Espanha e Tóquio, o orgulho brasileiro passou a se exaltar aos quatro ventos, com o paralelo aparecimento dos vilões que esperavam um toque para descambar na corrupção, através das obras para os dois eventos esportivos, criando obras faraônicas como a reforma do Maracanã (onde foi descoberto Sérgio Cabral), do Mané Garrincha (Brasília), a Arena Amazônia e a benesse do Itaquerão, resultando em mais de R$ 8,8 bilhões, para alegria de empreiteiros e políticos que aguardavam o grande momento. É verdade, Bolsonaro tem, pela frente, desafios que podem ser facilitados, desde que a onda de políticos insatisfeitos se alinhe e entenda que a tarefa não é só de Bolsonaro, porque o Brasil é de todos.

 
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