Fica, Tite. E faça o Brasil evoluir

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Se a renovação inevitável que a seleção brasileira precisa ter não seria possível sem o título de campeão da Copa América como anfitrião, esta etapa está vencida. Com mérito e sem brilho, o Brasil ganhou o torneio contra um Peru organizado e tão competente quanto possível para o grupo de jogadores de que dispõe. A Copa América, como competição, teve nível técnico medíocre. Messi, sempre candidato a melhor do mundo, jogou um futebol medíocre e decidiu recorrer à subterfúgios como queixas e acusações contra a Conmebol para não ter que explicar por que, com qualquer treinador e com qualquer parceria, joga tão menos na Argentina do que no Barcelona. É verdade que foi expulso injustamente na disputa de terceiro lugar entre Argentina x Chile. Afora isso, não jogou bem outra vez. E não foi só em 2019; está na seleção há mais de 10 anos e não tem como ser comparado a outro conterrâneo, Maradona, que de azul e branco jogou infinitamente mais do que Messi. Isto é problema dos argentinos.

Tite deve ficar e renovar a seleção brasileira. Aliás, em tempo: ninguém é bom ou ruim porque jovem ou velho. Talento não tem idade. Competência não tem idade. A renovação é fundamental porque alguns dos jogadores que servem a seleção há muito tempo dão resposta abaixo do esperado. Logo, precisam ser substituídos por gente que ainda não esteve na Seleção e tem talento para estar. Nas convocações para os amistosos de setembro, pelo menos 40% do grupo tem que ser diferente. Além desta renovação, Tite precisa fazer seu time jogar melhor futebol. Consistência não faltou, só sofreu um gol no torneio. Mas repertório ofensivo, sim. Vai mudar para muito melhor com Neymar à disposição. Seu ingresso, porém, não pode significar banco para Everton, que com Gabriel Jesus representa a possibilidade de algo inusitado e criativo do meio para frente. Philippe Coutinho tem capacidade para fazer parte deste seleto grupo, mas insiste numa irregularidade que não lhe assegura titularidade daqui para diante. Tite terá também que encontrar soluções defensivas e buscar obstinadamente um armador. Pode ser Lucas Paquetá do jeito dele, também pode ser alguém que venha a surgir.


O futebol brasileiro e o futuro

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Como brasileiro estou imerso de corpo e alma aguardando ansioso a vitória de amanhã, da seleção masculina de futebol contra o Peru, que representaria a nona conquista, longe seis títulos do Uruguai, o maior vencedor. É nobre louvar os acertos da atual campanha, sem colocar para debaixo do tapete os erros que poderiam ser corrigidos em próximas jornadas. Pergunta: até hoje a seleção de Tite mostrou evolução para se igualar aos melhores?

A resposta mais eloquente, pela paixão do torcedor, seria afirmativa, porque vencendo está no caminho certo.Mas considera-se que há distância entre o mínimo e o ideal. O futebol carrega sobre os ombros a admiração geral ligada aos cinco títulos mundiais. O nível da Copa América talvez não tenha agradado a todos, mas suspeita -se que um confronto com alguns países, como tem acontecido nas últimas quatro Copas do Mundo (2006,2010,2014,2018) cuja participação não obrigaria em ter que ganhar, privilégio de apenas um concorrente,restando aos demais uma boa imagem exibida em anos anteriores.

O processo de desgastes nas atividades humana, principalmente quando valores são desprezados e a vigilância no avanço fica de lado.Por força da sistemática moderna, o futebol de hoje criou novos modelos que só os fortes podem ou enxergam.Discute-se que a atual estratégia no qual a seleção que disputar a Copa é formada por quase 100% de jogadores atuando no estrangeiro,indicado no momento como o melhor caminho, mas sem a brasilidade essencial ao desenvolvimento. O que ocorre no país é o constante êxodo dos futuros talentos, em sua adaptação inicial, que servem para fortalecer os adversários do Brasil. Vejam o que aconteceu no Neymar, festejado com o futuro parecido ao de Pelé e, no fim,deu no que deu. Igual linha foi seguida por centenas de jovens, cuja maioria sofreu a decepção de pouco andarem.

Como disse no inicio, torço pela seleção chegar ao nono título das Américas, mas sou obrigado a identificar maciçamente o intenso a falta do brilho do sol. A política motivada pelas grandes contratação, levaram os dirigentes cuidarem mais no objetivo de exportar a qualquer custo dificultando a evolução interna, a melhor base para o futebol do país.

A pergunta inevitável: O enfraquecimento contínuo do nosso futebol e tal desejo pertence a todos desportistas e esta também é a melhor maneira de projetar uma atividade líder no coração do torcedor nato.? Todos nascidos neste país seguramente têm ideia entre as quais a criação de uma seleção permanente constituída de craques atuantes no calendário nacional. É dificil, porque não tentar. Em nome desse grande país qualquer esforço é menor diante da alegria do povo na esperança do resultado positivo. A ideia da seleção permanente carece ainda de soluções, e isso é tarefa de quem vive no futebol e que está deixando espaço para a derrota, quando o povo tem pressa de gritar em pleno pulmões, queremos vitória.


Como vencer o Brasil no Maracanã? Classificado para a final, Gareca admite: “Não sei”

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Depois de 44 anos, o Peru está de volta a uma final de Copa América. Depois de vencer o Chile por 3 a 0 na noite desta quarta-feira, na Arena do Grêmio, em Porto Alegre, o técnico Ricardo Gareca não escondeu a satisfação pelo resultado. Pudera. Eliminou o atual bicampeão da competição e agora terá o Brasil, dono da casa, na decisão.

Em entrevista coletiva no auditório da Arena minutos após a partida, o técnico peruano foi questionado diretamente ao ponto. Um jornalista daquele país perguntou como vencer a seleção brasileira em pleno Maracanã, justamente em uma final de campeonato. A resposta:

– Não sei. Não joguei ainda, então veremos. Temos que analisar. Temos jogadores para encontrar a resposta de poder ganhar. Mas hoje digo que, na verdade, não sei.

Gareca declarou que a palavra de ordem agora não é “preocupação”, e sim, “ocupação”. Ou seja, a necessidade de viver os próximos dias com a mente fervilhando de Brasil, da mesma forma que foi contra o Chile e Uruguai, e também seria diante da Argentina. Até porque não se considera apto a eleger um jogador específico do time de Tite como destaque.

– O Brasil ocupa a cabeça em tudo. O Chile nos demandou uma ocupação permanente, de como neutralizar jogadores muito importantes.

Atacaremos pontos que consideramos importantes. Porque vocês sabem que falar individualmente de cada jogador do Brasil não é o caminho. Temos jogadores excelentes que podem sobressair em partidas desse porte – ressaltou.

Além do mais, o treinador do Peru provou – e como – o gosto amargo de ter o Brasil pela frente. Na partida válida pela última rodada do Grupo A, sofreu uma goleada de 5 a 0 na Arena Corinthians. E em seguida bateu com o Uruguai nas quartas de final. Mas Gareca acredita que o grupo está vacinado e criou uma “fortaleza” psicológica para chegar à decisão.

– Falamos sobre a força que (os jogadores) tiveram para se levantar diante dessa situação e levar a seleção à final.


Sem gols contra campeãs, Firmino tenta importar encanto do Liverpool para a Seleção

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Roberto Firmino garantiu a condição de centroavante titular da seleção brasileira pela notória inteligência de seu jogo, pela performance de alto nível em temporadas consecutivas no Liverpool, pelo entrosamento com Salah e Mané, com quem parece jogar por música em seu clube, pela capacidade técnica, etc, etc. Mas, definitivamente, ainda não foi pelos gols marcados com a camisa amarela.

Foram 11 em 36 jogos, e nenhum deles em cima de uma seleção campeã mundial. É verdade que Firmino só disputou seis partidas contra esse seleto grupo, e três iniciando do banco de reservas: França (2015), Argentina (2016), Uruguai e Inglaterra (2017), Argentina e Uruguai (2018). A semifinal desta terça-feira, sua terceira vez diante dos argentinos, é a chance de marcar seu gol mais importante pelo Brasil.

A estreia de Firmino na Seleção se deu em 2014, pelas mãos de Dunga, incumbido de promover uma grande reformulação depois do fracasso na Copa. Ainda no Hoffenheim, o atacante marcou logo no seu segundo jogo, a vitória por 2 a 1 em amistoso diante da Áustria (veja o gol abaixo), e acabou se firmando até nova eliminação, na Copa América de 2015.

Ele, que era nome certo nas listas de Dunga, nunca mais apareceu a partir do início das eliminatórias. Só voltou à Seleção com Tite, em outubro de 2016, e marcando logo em seu primeiro jogo. Entrou no segundo tempo e fechou a goleada de 5 a 0 sobre a Bolívia.

O único gol de Firmino contra uma equipe entre as 10 melhores colocadas no ranking da Fifa foi sobre a Croácia, quinta na lista, no finzinho do amistoso antes da Copa do Mundo que teria a seleção europeia como vice-campeã.

Firmino acabou se firmando como reserva de Gabriel Jesus e há quase três anos os dois dividem a função na Seleção. O mau desempenho de Jesus na Copa e as ótimas temporadas de Firmino no Liverpool, essa última coroada com o título da Champions League, o alçaram à condição de titular. Seu companheiro e concorrente ganhou espaço do lado direito. Contra a Argentina, novamente, ambos jogarão lado a lado.

A Copa América de Firmino é irregular até aqui. Ele foi um dos últimos a se apresentar, em razão de o Liverpool ter disputado a final europeia.
Chegou ainda sem estar totalmente reabilitado, sobretudo fisicamente, de uma lesão sofrida na reta final da temporada.


Craques que estão nas quartas e ainda não fizeram gol na Copa América 2019

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Em 18 partidas disputadas na primeira fase da Copa América, 46 gols foram marcados. E embora nomes como Cavani, Suárez, Messi, Aguero, Coutinho, Firmino, Sánchez, Vargas e Guerrero tenham deixado sua marca na fase de grupos, ainda há jogadores importantes do cenário sul-americano em busca de seus primeiros gols.

Gabriel Jesus
O atacante do Manchester City, da Inglaterra, ficou muito perto de marcar um gol na goleada do Brasil por 5 a 0 contra o Peru, na terceira rodada do Grupo A, mas desperdiçou um pênalti nos acréscimos da partida (veja o vídeo). Além disso, teve um gol anulado pelo VAR contra a Venezuela. Tem três jogos, só um como titular e 160 minutos jogados.

Di María
Ángel Di María foi titular da Argentina em apenas um jogo, na derrota por 2 a 0 para a Colômbia, sendo sacado no intervalo. Diante do Paraguai, no empate por 1 a 1, saiu do banco e jogou os 23 minutos finais. Nem entrou na vitória por 2 a 0 contra o Catar. Está devendo na Copa América.

Dybala
São só 15 minutos jogados na Copa América. Relegado ao banco de reservas nos dois primeiros jogos da Argentina, entrou aos 30 minutos na vitória por 2 a 0 contra o Catar, dando passe para gol de Aguero (veja o vídeo). Aos poucos, vai ganhando mais espaço com o técnico Lionel Scaloni.

James Rodríguez
O camisa 10 da Colômbia ainda não marcou, mas tem duas assistências na Copa América. Contra a Argentina, deu linda virada de jogo para Martínez, que abriu o placar em Salvador. Depois, no Morumbi, deu passe de trivela na medida para o gol de Zapata diante do Catar. No terceiro jogo, começou no banco, entrou na segunda etapa e deu outro passe de trivela, desta vez para Díaz, que marcou um gol que acabou sendo anulado pelo VAR, que viu toque de mão no domínio. Faz uma excelente Copa América, mas ainda busca o seu primeiro gol no torneio.

Falcao
Capitão e maior artilheiro da história da Colômbia, com 34 gols, Falcao Garcia ainda não deixou a sua marca nesta edição do torneio. Foi titular contra Argentina e Paraguai e entrou na etapa final no duelo contra o Catar.


A lesão, a chuteira, o recorde e o apelo: a Copa de Marta, uma rainha coroada mesmo sem título

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Ao acompanhar a passagem de Marta por uma Copa do Mudo dá para se ter uma dimensão que, talvez, nós brasileiros demoramos para ter. Uma real noção do quanto a brasileira representa para o futebol mundial. A camisa 10 é alvo de interesse da opinião pública de diversos países e respeitada como poucas pelas adversárias, que muitas vezes fazem fila para cumprimentá-la.

Menos de um ano depois de ser eleita a melhor do mundo pela sexta vez, ela disputou sua quinta Copa. Segue faltando, de fato, o título. Mas na França ficou evidente que ela já foi coroada pelo mundo do futebol há muito tempo.

Não foi a melhor atuação que vimos da Marta em campo. Tampouco foi tão decisiva como em outras oportunidades com a camisa da Seleção. Mas sua passagem, foi histórica, marcante e um divisor de águas também no âmbito individual.

– Avaliação é positiva da Copa para a Seleção. Nunca me coloquei à frente de nada. Sempre falo que é um recorde para nós mulheres – disse após o jogo, complementando:

“Devido a tudo que falavam, o Brasil juntou a garra, vontade e a coragem”

– Sempre queremos disputar uma final, mas o jogo é jogado. Não faltou garra e vontade. Mas elas foram melhores nas finalizações (…)

“Acho que tudo que fiz e falei aqui nesses dias foi bem aceito pelo Brasil”

Desde a primeira Copa da craque, 16 anos se passaram. Tinha 17 de idade no começo e ali chamava a atenção do mundo pela primeira vez por seu talento genuíno. Sim, porque com a estrutura que se tinha no futebol feminino do país naquela época, Marta, por tudo que conquistou, pode ser considerada uma ”força da natureza”.

Foram cinco edições com emoções distintas. O Mundial mais intenso foi em 2007, com o vice-campeonato e uma atuação brilhante da camisa 10. Mas, em 2019, Marta surgiu na Copa de outra forma. Era uma postura diferente da que o Brasil estava acostumado.

Entre emoções e dores que também fugiram do seu controle, o adeus foi cedo, nas oitavas de final, com a derrota para a França na prorrogação. Mas a Rainha não passou despercebida.


Série B de 1986: clubes preparam ofensiva na CBF para pleitear reconhecimento do título

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Ser campeão brasileiro não é uma tarefa fácil. Ainda mais para o futebol nordestino. Apenas dez times têm o privilégio de levantar uma taça nacional por uma das quatro divisões, começando pelo Bahia em 1959, na antiga Taça Brasil. Mas esse número pode aumentar caso 13 e Central de Caruaru consigam o que pleiteiam há 33 anos: o reconhecimento do Torneio Paralelo de 1986 como Série B.

O novo capítulo dessa história aconteceu na semana passada. O Central levou para o Estádio Lacerdão uma réplica da taça da Série B para fazer a festa antes da partida contra o Jacuipense, pelo mata-mata da Série D.

Mesmo sem ser reconhecido pela CBF, o simples ato do time pernambucano reacendeu a esperança de um desfecho nos outros três clubes campeões do Torneio Paralelo de 1986 – além do Treze, também estão na mesma situação Inter de Limeira e Criciúma.

O primeiro passo desse movimento é aumentar a pressão na CBF. Essa missão parece ficar com as federações paraibana e pernambucana.
Com relacionamento franco com a nova direção da entidade nacional, a presidenta Michelle Ramalho, da Paraíba, já avisou que levará o tema à mesa de Rogério Caboclo nos próximos dias.

– Eu recebi um ofício do Treze pleiteando que levasse à CBF o pedido do reconhecimento do título da Série B de 1986. Com certeza vamos reivindicar pessoalmente esse título junto à CBF para dar mais esse título para a Paraíba – disse Michelle Ramalho, que está na França como chefe da delegação brasileira na Copa do Mundo Feminina.

O reconhecimento do título seria uma importante vitória nos bastidores para o Treze, num ano que o clube vai mal no futebol – brigou contra o rebaixamento no Campeonato Paraibano e está na penúltima colocação do Grupo A da Série C.

Na onda do movimento feito pelo Central, o Treze também planeja ações no sentido de sensibilizar a CBF e a opinião pública.

Comemorando o seu centenário em 2019, o Central de Caruaru é o clube mais inquieto para que a situação se resolva rapidamente.


Copa América só dá lucro quando jogam Brasil ou Argentina

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A distribuição de ingressos gratuitamente foi a maneira que a organização da Copa América encontrou para amenizar as imagens de estádios vazios – algo frequente em todos os jogos do torneio até aqui, com exceção das partidas protagonizadas por Brasil ou Argentina. Assim foi a primeira rodada da fase de grupos, segundo os borderôs tornados públicos nesta quinta-feira pelo Comitê Organizador da competição.

O duelo entre Brasil e Bolívia, que abriu o torneio no Morumbi, gerou uma receita recorde para o futebol brasileiro de R$ 22 milhões, com lucro de R$ 16,2 milhões.

A estreia da Argentina na Copa América, contra a Colômbia, em Salvador, também foi um sucesso de bilheteria: R$ 9,2 milhões de arrecadação, R$ 4,9 milhões de lucro. Por outro lado, nas demais três partidas para as quais há dados disponíveis houve prejuízo.

Peru x Venezuela, Arena Grêmio:
Renda bruta: R$ 2.400.020,00
Despesas: 3.261.339,76
Prejuízo: – R$ 861.319,76
Paraguai x Catar, Maracanã
Renda bruta: R$ 2.379.495,00
Despesas: R$ 3.729.395,02
Prejuízo: – R$ 1.349.900,02
Uruguai x Equador, Mineirão
Renda bruta: R$ 1.534.010
Despesas: 3.196.669,12
Prejuízo: – R$ 1.662.658,12

As rendas são bastante altas para os padrões do futebol brasileiro. Como comparação: Corinthians, Flamengo e Palmeiras, os clubes que mais arrecadam com bilheteria no Brasil, têm média de R$ 1,6 milhão por partida em 2019. Mas as despesas também são altíssimas. Só na Arena do Grêmio, o gasto com “locação de estruturas complementares” em Peru x Venezuela foi de R$ R$ 713.172,16. Valores semelhantes foram registrados em todos os estádios, em todos os jogos.

A organização da Copa América fala em “maximizar o uso dos estádios através da implementação de um modelo operacional compartilhado” para promover “a redução dos custos operacionais”. Outro dado que chama atenção nos borderôs tornados públicos nesta quinta-feira é o alto número de ingressos de cortesia. No jogo entre Paraguai x Catar, no Maracanã, foram 8.428, de um total de 19.071. Ou seja: 44% do público presente ao jogo no último domingo não pagou para estar lá.


Falta de articulação no meio-de-campo

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O Brasil criou 19 finalizações ao gol, teve dois gols (bem) anulados e trocou 679 passes, o que se traduz em 63% do tempo de jogo com a posse de bola. Além disso, sofreu apenas cinco finalizações, sendo apenas uma certa. Números que ajudam a entender que o empate contra a Venezuela não foi um jogo ruim, ou de baixo nível. Se uma bola tivesse entrado, a narrativa e as críticas teriam sido outras. É sempre assim.

O que o jogo foi é um duelo de um time com uma ideia, mas que precisa de ajustes para funcionar em sua plenitude. E isso seria colocar, chutando, umas 8 dessas finalizações ao gol para chegar a um ou dois gols. Se defensivamente o Brasil de Tite é seguro e sofre muito pouco, o ajuste está no meio-campo. Ele passa por nomes, por posicionamento tático e também por ideia de jogo.

Começando pela ideia. Tite já disse diversas vezes que gosta que Daniel Alves e Filipe Luis participem da articulação das jogadas. O momento de articulação é diferente da armação ou conclusão. É a hora que a jogada ganha corpo, toma seus primeiros contornos. Será pelo lado ou por dentro? Quem está melhor encaixado para receber a bola? Temos que tocar rápido ou devagar? Veja que são decisões muito mais mentais que físicas, e Dani e Filipe já mostraram ter esse perfil.

O problema é que falta um jogador no meio com esse tipo de tomada de decisão. Alguém que aproxime dos zagueiros e responda a essas perguntas olhando para o campo do adversário, desenhando essa jogada, fazendo os meias e atacantes trabalharem. Na prática, o 4-1-4-1 do Brasil com a posse de bola tem muita gente dando profundidade ao time (os marcados em amarelo) e pouca gente vindo ocupar a imensa faixa central que a Venezuela deixa.

Você pode estar se perguntando se esse é o papel de Arthur, contratado pelo Barcelona como uma espécie de substituto do Iniesta. A má notícia é que Arthur não é esse tipo de jogador. Ele não é um articulador de jogadas, é muito mais um jogador que gira e preserva a posse de bola.
Esse jogador também não é Philippe Coutinho. No Barcelona, ele é criticado quando joga por dentro, compondo um dos volantes do 4-1-4-1. Foi a mesma função na qual deu muito errado na Copa, e para ajustá-lo ao time, Tite dá mais liberdade de movimentos, sem compor tanto o alinhamento.


Fracasso de público, sucesso de renda

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As imagens de estádios vazios nas cinco primeiras partidas da Copa América do Brasil abriram a primeira crise do torneio. Preocupados, os organizadores da competição agora discutem alternativas para resolver o problema.

Importante esclarecer: embora seja um torneio da Conmebol, entidade que manda no futebol sul-americano, a operação da Copa América fica a cargo do Comitê Organizador Local (COL), uma empresa formada no Brasil especialmente para este fim.

Há duas discussões especialmente delicadas em curso:

1) A disparidade entre renda e público no jogo de abertura do torneio, disputado entre Brasil e Bolívia no Morumbi

A renda de R$ 22.476.630,00 dividida pelo número de 46.342 pagantes (como foi anunciado nos telões do estádio) resultaria num tíquete médio de R$ 485.

Não faz sentido. Havia quatro faixas de preço para o jogo do Morumbi: R$ 190, R$ 290, R$ 390 e R$ 590. Esses valores se referem ao preço inteiro. Estudantes, idosos, professores e pessoas com deficiência podem pagar meia. Outra ponto relativo ao jogo entre Brasil e Bolívia gera desconfiança: dias antes do jogo, a própria assessoria de comunicação do COL informou que os ingressos estavam esgotados.

Durante a partida, os telões do Morumbi informaram que havia no estádio 46.342 pagantes e 47.260 presentes – cerca de 20 mil pessoas a menos do que a capacidade do estádio. Também sobre isso o COL foi questionado. E também não respondeu.

Vale ressaltar que o COL informou que os ingressos estão esgotados também para o jogo desta terça entre Brasil e Venezuela, em Salvador.
2) As arquibancadas vazias no Maracanã, na Arena do Grêmio e no Mineirão

Três dos cinco jogos apresentaram públicos muito abaixo da capacidade dos estádios em que foram disputados: Peru x Venezuela em Porto Alegre, Paraguai x Catar no Rio e Uruguai x Equador em Belo Horizonte, todos com taxa de ocupação inferior a 30%.

Na véspera da abertura da Copa América, a organização informou numa entrevista coletiva que 65% dos ingressos haviam sido vendidos, e manifestou preocupação específica com dois jogos — que ainda não aconteceram.