Coluna Esplanada
O Custo ONU
Por Leandro Mazzini
Com Carol Purificação e Alexandre Braz
O Governo do Brasil aproveitou o imbróglio com o dos Estados Unidos na iminência do recesso parlamentar para enviar ao Congresso o texto do acordo de sede da COP30, assinado em Bonn, na Alemanha, em junho. São 20 anexos detalhando obrigações técnicas e operacionais impostas pela Organização das Nações Unidas (ONU) ao Brasil para sediar o evento de debates climáticos. Entre as obrigações, o Brasil deve pagar uma “luva” de US$ 7.196.400 (ou mais R$ 40 milhões) apenas para cobrir despesas com tecnologias de informação e custos de deslocamento e hospedagem do pessoal da entidade em Belém. O Acordo estabelece compromissos jurídicos, logísticos, operacionais e de segurança ao País anfitrião, assegurando o funcionamento da Conferência e o acolhimento das delegações. Este acordo precisa ser ratificado pelo Congresso Nacional. No entanto, o Palácio dá como certa a aprovação, porque os gastos já estão correndo, mesmo sem aval dos parlamentares.
Oi, Moraes…!
Uma hora antes de anunciar que manteria na canetada a cobrança do IOF, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, relator de ações contra a cobrança, teria ligado para o líder do Governo na Câmara, Zé Guimarães (PT-CE). O deputado atendeu afoito ao telefone em alto som perto de colegas, com um “oi, Moraes!”. Questionados há cinco dias pela Coluna, sobre a suposta ligação, ministro e deputado não se pronunciaram.
Cavalgada do tucano
Ex-presidente da Câmara dos Deputados e ex-governador nos tempos áureos da imagem de bom gestor nacional, o federal Aécio Neves (PSDB) – que se elegeu longe de ser dos mais votados – planeja se candidatar ao Governo em 2026. De cima de um cavalo dia desses, em cidade do interior, foi ovacionado e soprou para amigos o seu desejo. Tem articulado com prefeitos, mesmo sem o brio eleitoral de outrora.
Plano K
Entre tantos cenários exaltados pela mídia e por caciques a um ano do início da campanha presidencial, um deles, regional porém de rota nacional, começou a se sobressair: Se Tarcísio de Freitas não se lançar a presidente, Gilberto Kassab (PSD), hoje secretário de seu Governo, pode vir como vice na sua chapa à reeleição.
Na mira
A Federação Nacional dos Delegados de Polícia Federal soltou nota dura ontem contra o escrivão licenciado da PF e deputado federal Eduardo Bolsonaro, que andou criticando um da classe. Considerou inaceitável e leviana declarações do parlamentar sobre atuação da polícia judiciária que ele deveria defender. “Tais manifestações configuram tentativa de deslegitimar o trabalho técnico e isento da instituição”.
Depressão na pista
Tem chororô sem motivo na pista. O fiscal da ANTT acusado publicamente de perseguir empresa de ônibus, após aplicar mais de mil multas, é visto com respeito por colegas e autoridades de órgãos parceiros. Conhecido por sua postura firme, já foi alvo de assédio moral e repete um mantra do trabalho: “se acham ruim que se cumpra a lei, que a mudem. Pedir para ignorá-la é incentivar prevaricação”.
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Os quatro de Jair
Por Leandro Mazzini
Com Carol Purificação e Alexandre Braz
Cada vez mais cercado pela PF e o Judiciário, o ex-presidente inelegível Jair Bolsonaro (PL) não para os planos para a eleição de 2026, ciente de que poderá ser preso no inquérito do STF que investiga tentativa de golpe de Estado. O projeto principal é eleger o maior número de senadores possível para tentar o impeachment do inimigo figadal ministro Alexandre de Moares, relator do inquérito no Supremo. Ele conta como futuros eleitos quatro membros de sua família: os filhos Carlos, por Santa Catarina; Eduardo, por São Paulo; Flávio, pelo Rio de Janeiro; e a esposa Michelle, pelo Distrito Federal. Bolsonaro tem articulado pessoalmente, com o PL, palanques estaduais. A meta é ter uma bancada de, no mínimo, 55 senadores. Contudo, esse arranjo pessoal causa constrangimentos. A turma Catarinense, por exemplo, ficou desconfortável sobre Carlos, porque a mudança do Rio para Florianópolis atrapalha planos de muitos aliados.
Operação tabajara?
No auge da guerra jurídica pelo controle da Eldorado Celulose, um grupo próximo a um executivo da Paper Excellence decidiu radicalizar, segundo fonte ligada à companhia. Montou o comitê que teria o nome “Operação Twist Arm”, para levantar informações contra concorrentes. Não vingou porque logo em seguida houve o acordo entre as controladoras. Em nota, a Paper, nega a criação de ‘grupo sigiloso’ para investigações e informa que sempre trabalhou com total transparência.
Atrasadões
Um grupo de deputados da oposição pretende convocar o vice-presidente Geraldo Alckmin, ministro da Indústria e Comércio, para explicar se há estratégia por parte do Governo para abrir negociações com os EUA. Mas com o recesso, requerimento a respeito seria votado apenas em agosto – quando tudo já pode ter mudado, ou não.
Homem de recados
Não há, de parte da Casa Branca, nenhum indício de que o Governo dos Estados Unidos terá um novo embaixador no Brasil. Para o presidente Donald Trump, o Brasil é irrelevante e há questões mais urgentes. O atual Encarregado de Negócios em Brasília, por sua vez, não tem autonomia e apenas entrega recados de um lado para o outro.
Tarifa nas alturas
O deputado federal Daniel Almeida (PCdoB-BA) pretende realizar em agosto audiência pública da Comissão de Defesa do Consumidor, para debater os impactos aos consumidores da parceria comercial entre as empresas aéreas Gol e Azul e as preocupações decorrentes de uma possível fusão entre as empresas.
Portos sociais
O Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI), criado pelo deputado Paulo Alexandre (PSDB-SP), ex-prefeito de Santos, terá sede em São Paulo. Ele criou o IBI Social, e dona Lu Alckmin será madrinha. Pretende desenvolver ações voltadas para inclusão e educação em comunidades impactadas por portos e aeroportos e setor logístico.
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Hi, and bye bye
Por Leandro Mazzini
Com Carol Purificação e Alexandre Braz
Na política brasileira é assim: quando não se tem nada para fazer, inventa-se o nada. Bastou o recesso parlamentar começar, a Comissão de Relações Exteriores (CRE) criou uma “Comissão Temporária Externa para interlocução sobre as relações econômicas bilaterais com os Estados Unidos”. É algo inócuo, mas oficial, que vai mandar para Washington DC, às custas do cidadão brasileiro, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e um grupo de colegas a fim de dialogar – não se sabe com quem ainda – sobre o tarifaço imposto por Donald Trump ao Governo do Brasil. O séquito compra passagem de 1ª classe para os EUA no momento em que muitos órgãos públicos e congressistas também entram nas férias de verão por lá. O 1º sinal de que a comitiva entra em passeio surge na própria nota oficial. Não há qualquer agenda bilateral comunicada no ofício que confirma a viagem dos senadores Tereza Cristina (PP-MS), Marcos Pontes (PL-SP), Jacques Wagner (PT-BA), Esperidião Amin (PP-SC), Rogério Carvalho (PT-SE), Fernando Farias (MDB-AL), Carlos Viana (Podemos-MG). Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da CRE, comandará o grupo ao lado de Alcolumbre. A não ser que apareça uma carta da Embaixada do Brasil concreta sobre avanços numa negociação direta com a Casa Branca, o time tem tudo para curtir uma semana de passeio no verão americano.
O homem certo
Dentro do PT, há ciumeira com o vice e ministro do Desenvolvimento Econômico, Geraldo Alckmin. Na contramão de Lula da Silva e o chanceler Mauro Vieira, Alckmin sempre defendeu o diálogo com os EUA e foi esnobado. Agora, virou peça-chave no Governo e única figura em que o empresariado confia para a interlocução sem brigas.
Rio acima!
O Governo do Rio de Janeiro criou um Grupo de Trabalho com secretários para avaliar os impactos do tarifaço de Trump nas exportações do Estado – que é o 2º no ranking nacional, com US$ 7 bilhões por ano negociados com empresas dos EUA. O GT será coordenado pelo chefe da Casa Civil, Nicola Miccione, que dialogará com exportadores.
Quem vai?
A Polícia Federal publicou portaria (DCI/PF18) pela qual abriu vagas de adidos para agentes e delegados nas Embaixadas de Angola, China, Etiópia, Índia, Japão e Nigéria. Longe do circuito Elizabeth Arden pelo qual o diretor-geral adora passar em companhia do presidente Lula da Silva, os lugares não são tão demandados na corporação.
Mano, cunhado…
O senador Cid Gomes (PSB-CE) pediu que o ministro Gilmar Mendes, do STF, se declare impedido de atuar no inquérito sobre emendas do deputado Júnior Mano (PSB-CE), alvo da PF: “Como o ministro é casado com uma pessoa do Ceará, se eu fosse ele, eu me declararia suspeito”. O togado é cunhado do empresário Chiquinho Feitosa, um dos principais adversários de Júnior Mano na disputa por uma vaga no Senado.
Beleza de cidade
A Câmara dos Deputados deve sediar em breve uma sessão solene em homenagem à Arquitetura e Urbanismo e aos 65 anos da capital Brasília. Os deputados Erika Kokay (PT-DF), Lindbergh Farias (PT-RJ) e Raimundo Santos (PSD-PA) protocolaram requerimento para a realização de Sessão dia 3 de setembro.
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Tiro no pé
Por Leandro Mazzini
Com Carol Purificação e Alexandre Braz
Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pode voltar a fritar hambúrguer nos Estados Unidos. É o que comentam opositores e, à meia-boca, até alguns aliados, depois dessa desastrosa campanha pessoal dele em tentar convencer o aliado Donald Trump a defender o pai, o réu Jair Bolsonaro, no inquérito por tentativa de golpe de Estado que tramita no STF. Deputado federal licenciado, Eduardo já avisou ao PL que não pretende voltar ao Brasil, ciente de que um mandado de prisão para ele é iminente – na visão de expoentes do PL, por tentativa de prejudicar as investigações nas mãos do ministro Alexandre de Moraes. O cenário jogou o PSD como protagonista nas articulações para 2026. O presidente da legenda, Gilberto Kassab, já articula lançar o governador Tarcísio de Freitas, hoje no Republicanos, candidato a presidente pelo PSD, com Ciro Nogueira (PP-PI) de vice e o próprio Kassab disputaria o Governo de São Paulo. Nesse xadrez eleitoral, Ratinho Junior disputaria o Senado pelo Paraná, e pode surgir a coalizão nacional PSD-PP-União-Republicanos. A conferir.
Polarização tarifária
O tarifaço, longe de mobilizar o Congresso Nacional para ações concretas que possam reverter a decisão, tem estimulado os políticos para a autopromoção. Enquanto os governistas usam o ufanismo pela soberania nacional na tentativa de melhorar a popularidade de Lula da Silva, a oposição quer a anistia em troca de um freio em Trump, como se a Lei e o STF necessitassem da decisão do americano.
Cadê o urânio?
São tantos problemas, denúncias, crises, escândalos na fila da dramaticidade brasileira, que as autoridades se “esquecem” do sumiço de urânio na INB. Filipe Barros (PL-PR) aprovou na Comissão de Relações Exteriores da Câmara audiência para discutir o caso, e agora os deputados Cabo Gilberto (PL-PB), Delegado Caveira (PL-PA) e Delegado Ramagem (PL-RJ), querem convocar o ministro da Defesa, para tratar do assunto.
No alambrado
A investigação da Polícia Civil contra o presidente afastado do Corinthians Augusto Melo por supostas ilegalidades no contrato com a VaideBet teria violado direitos fundamentais da torcida e comprometido o administrativo do clube. A conclusão é do professor da UFRJ Willis Santiago Guerra Filho, em parecer anexado pelos advogados Sayeg na petição em que defendem a rejeição da denúncia apresentada pelo MP.
A guerra do trânsito
O problema não são as armas, e sim quem puxa o gatilho. O desarmamento é inevitável num País onde imbecis carregam armas. Nos últimos 30 dias, crianças de um ano e 11 meses e 10 anos morreram por disparos em brigas de trânsito. L.F.O. faleceu ontem, após lutar pela vida por um mês, atingida por policial penal em Porto Firme (MG). Em Areia Branca (SE), a bebê L.S.S.M. foi alvo dia 24 de junho de disparo de homem sem CNH e sem porte.
Gafe?
Os ministros da Justiça e Comunicações de nove países latino-americanos ficaram reunidos nos últimos dois dias (15 e 16) em Montevidéu para o encontro “Justiça e Telecomunicações: juntos no desafio da inovação”. Apesar de a bandeira do Brasil aparecer no banner promocional, ninguém do País confirmou presença no evento, organizado pelo Governo uruguaio, segundo testemunhas locais.
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Caixa-preta do ICL
Por Leandro Mazzini
Com Carol Purificação e Alexandre Braz
Em 2017, o então Sindicom – hoje o Instituto Combustível Legal, o ICL – entrou na mira do Tribunal de Contas da União pelo uso de R$ 150 milhões, boa parte oriundos da Petrobras. O dinheiro teria sido usado na contratação de investigações contra adversários de mercado das distribuidoras. As associadas Shell, Ipiranga e a Petrobras teriam financiado ações nada ortodoxas contra concorrentes nas ruas. O TCU identificou que o dinheiro saiu, principalmente, dos cofres da estatal. Os recursos custearam investigações privadas, consultorias de imprensa e bancas de advogados, tudo combinado para prejudicar outras marcas. E a prática não parou. O diretor-geral do ICL, Carlos Faccio, ex-Shell, mantém estrutura com assessores que transitam por gabinetes dos três Poderes em Brasília. A dúvida é: quem paga essa conta cara hoje? A Coluna questionou a Petrobras e o ICL sobre os financiamentos e suas aplicações, mas não obteve resposta até o fechamento.
Fator Eduardo
O imbróglio envolvendo Brasil e EUA e a guerra entre os bolsonaristas e o STF devem escalar mais. Na liderança do PL na Câmara já se discute a renúncia formal do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Ele já avisou que não volta ao Brasil. O parlamentar e expoentes do partido têm certeza de que haverá um pedido de prisão para Eduardo no inquérito comandado pelo ministro Alexandre de Moraes.
É a geopolítica
Na sexta-feira, enquanto o presidente Lula da Silva dobrava a aposta com Donald Trump, desferindo impropérios por conta da taxação, o embaixador André Veras Guimarães apresentava suas cartas credenciais em Teerã ao chanceler do Irã, Abbas Araqchi. O governo do país agradeceu o apoio incondicional de Lula. Isso irrita os americanos, que vêem o Brasil cada dia mais alinhado à Rússia e China. E ao Irã, claro.
Vai ter apito
Advogado de etnias indígenas que vivem na Aldeia Maracanã, no Rio, Arão da Providência é alvo de ação criminal movido pelo desembargador federal Alcides Martins, antigo relator do processo dos originários contra o Estado. Em discussão em audiência, Arão afirmou que não “contrataria o magistrado nem para despachante”. Hoje, faz sua defesa na 5ª Vara Criminal Federal, com presença dos amigos da aldeia.
Indenizaçõe$
Os pagamentos realizados pelo setor segurador aos consumidores e empresas totalizaram R$ 88,7 bilhões nos primeiros quatro meses de 2025, aponta o levantamento da Confederação Nacional das Seguradoras, a CNSeg. A alta foi de 15,5% na comparação anual. No mesmo período, o setor (com exceção da Saúde Suplementar) arrecadou estupendos R$ 140,7 bilhões.
País das pizzas
Brasileiros movimentaram R$ 4 milhões na compra de 340 mil pizzas congeladas nos supermercados entre maio de 2024 e maio deste ano, segundo levantamento realizado pela VR nos estabelecimentos que aceitam os cartões da marca. Já nas pizzarias tradicionais, cerca de 1 milhão de transações foram realizadas com o VR.
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É uma novela!
Por Leandro Mazzini
Com Carol Purificação e Alexandre Braz
A Câmara dos Deputados vive sua pior fase moral e parece um cenário de dramaturgia brasileira. Após um chute no traseiro de um cidadão revoltado, dado por parlamentar, agora passaram a mão no traseiro de uma excelência. No 1º episódio, no melhor estilo “Esqueceram de mim”, o federal Glauber Braga (PSOL-RJ) curte os dias de prêmio após a Mesa Diretora esticar, sem previsão, o prazo de 60 dias para votar em plenário sua cassação já aprovada na CCJ. Ontem, ouviu-se um grito de “passaram a mão na minha b…” – oficialmente foi um “me apalparam”. Era André Janones (Avante-MG) – que já escapou do Conselho de Ética por confessa rachadinha de salários, e está no alvo esta semana por xingar Nikolas Ferreira (PL-MG). Agora, Janones denuncia colegas que o acossaram num canto do plenário durante ataques verbais. Em outro capítulo de “Esqueceram de mim”, a federal cassada Carla Zambelli (PL-SP) curte dias de verão em algum canto rural de Roma, mas ela será capturada em breve pela Polícia de Estado, a PF italiana. Quieto em seu canto, por ora, para não chamar atenção, o boquirroto deputado Zé Trovão (PL-SC) virou chuvisco. E segue a novela.
Sorria…
Agentes da Polícia Rodoviária Federal já foram avisados que em breve terão de usar câmeras corporais nos uniformes, durante turno de serviço nas estradas e viaturas. Será ainda neste ano, a qualquer momento. As câmeras já passaram por testes em coletes e viaturas ano passado nas regiões de São José (SC), Uberlândia (MG), Cascavel (PR), Sorriso (MT) e Araguaína (TO).
A pior hora
A oposição, embora muito amiga do deputado, reconhece que a Moção de Louvor e Regozijo a Donald Trump, proposta por Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), veio na pior hora possível, junto com o tarifaço de 50%. A moção foi aprovada na Comissão de Relações Exteriores. Mas alguns já ensaiam a desculpa de que, se não fosse por ela, o aumento das tarifas seria muito maior. Claro, claro… Risos na plateia…
Sangue italiano
A Corte máxima da Itália está perto de dar um alívio a descendentes de italianos que perderam benefícios com a nova lei que dificultou, e muito, a obtenção de cidadania no país – principalmente para brasileiros. Os magistrados acolheram as dúvidas de inconstitucionalidade levantadas por juristas de Bolonha, Milão, Roma e Florença, e agora também por Turim, que reforçou o argumento de violação a direitos adquiridos.
Ameaça sanitária
O tarifaço dos EUA “mostra a vulnerabilidade das exportações do País diante de decisões externas” e “evidencia os riscos de medidas internas que podem agravar” o cenário. É a visão do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários. Eles ressaltam que é uma ameaça à credibilidade do Brasil a regulamentação da Lei do Autocontrole, que abre caminho para a privatização das inspeções sanitárias.
Saúde & cidadania
O deputado federal Hugo Leal (PSD-RJ) articula para obter sanção presidencial do PL 3.010/19, aprovado no Senado. O texto atesta a fibromialgia, síndromes da fadiga crônica e de dor regional como condições equiparadas à deficiência. Caso sancionado, os pacientes terão direitos previstos a deficientes, como reserva de vagas em concursos públicos, isenções fiscais e a programas de reabilitação.
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Ninguém avisou
Por Leandro Mazzini
Com Carol Purificação e Alexandre Braz
O anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aumentar em 50% as tarifas para produtos brasileiros deixou a turma brasileira de Nova York (Consulado) e Washington em apuros. A Embaixada do Brasil, a maior estrutura diplomática do País no exterior, não antecipou ao Palácio qualquer informação sobre o risco de o País ser super taxado, tampouco fez plano de emergência. Coube ao presidente Lula da Silva virar o timoneiro da nau e anunciar comissão Governo-Empresários para sondar os setores que mais exportam para os EUA. Dentro do Itamaraty, debitam na conta do assessor internacional Celso Amorim a teimosia de Lula da Silva em afrontar Trump. Diplomatas experientes lembram que Xi Jinping, líder da China – um à altura dos EUA – preferiu a cautela, a discrição e a negociação. Lula, agora, aparece com esse mote.
Xerife na pista
O NOVO do Rio de Janeiro tem conversado com Marcelo Itagiba, 1º delegado da PF a ocupar o cargo de Secretário de Segurança do Estado. A ideia é lançar o Xerife, apelido que ganhou, para o Governo ano que vem. A legenda é presidida no Rio por Rodrigo Rezende, irmão do técnico de vôlei Bernadinho. Tema que mais preocupa o povo, a segurança será decisiva no pleito, acredita a direção do partido.
Sinal de fumaça
A Comissão de Agricultura se reuniu para debater a posição do Brasil na COP 11 para o Controle do Tabaco, que será realizada em novembro, em Genebra. Durante os debates, vários deputados da Frente Parlamentar do Agronegócio afirmaram que a FPA, sozinha, não aprova nada no Congresso, “mas o Governo sem a FPA também não aprova coisa nenhuma”…
Chapa pantaneira
A chapa já está quente em Mato Grosso para a eleição de 2026, conta a bancada, cuja campanha começa daqui a um ano. De um lado, a priori, terá o senador Wellington Fagundes (PL) para o Governo, Jayme Campos e José Medeiros ao Senado. De outro, o vice-governador Otaviano Pivveta (Rep) para o Palácio, com Mauro Mendes (atual governador) e Cidinho Santos (ex-senador) à Casa Alta.
Muy amigos
Na Cúpula do Mercosul, o presidente Lula da Silva recebeu com um abraço forte do presidente da Bolívia, Luis Arce – que não concorrerá à reeleição. Para o petista, dor de cabeça a menos, já que ele e o PT torcem pelo aliado Evo Morales no poder outra vez, apesar de o cocaleiro estar inelegível. Arce derrubou no grito com um general um golpe de Estado ano passado, com Exército (ainda hoje) divido entre ele e Morales.
Muy amigos 2
Passou em branco. Rompendo uma tradição diplomática histórica, o Governo Brasil deixou de respaldar uma resolução na Organização dos Estados Americanos em defesa da soberania argentina das Ilhas Malvinas, sob controle da Inglaterra. Birra pura de Lula da Silva e Celso Amorim com o presidente da Argentina, Javier Milei.
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É a geopolítica
Por Leandro Mazzini
Com Carol Purificação e Alexandre Braz
Não tem a ver com Jair Bolsonaro. O presidente americano Donald Trump é protecionista, e quer fazer valer sua política internacional. A Coluna conversa com diplomatas de diferentes países que acompanham o cenário. Aos fatos: Trump tem uma agenda bem preparada pela assessoria. Havia espaço para dedicar 10 minutos ao Brasil. No pacote tinha afago ao ex-presidente Bolsonaro e cerco à China e Rússia, seus rivais diretos no livre mercado. E como seria? Através do Brasil, que se alinhou aos dois, ao Irã, e tem criticado os EUA nas falas do presidente Lula da Silva. A China ‘matou’ o Mercosul – negocia diretamente com os países do bloco – e em outra ponta engole os BRICS. Os EUA, que passaram para o 2° parceiro bilateral no Brasil, perceberam que vão perder mais ainda do comércio precioso com nosso País. Trump decretou a taxação para provocar o Brasil e pressionar Lula a negociar o que ele quer, como tem feito com outros países. O saladão do texto de Trump causou aqui a confusão que ele queria. Mas o Governo do Brasil sabe bem que o dedo do Tio Sam aloprado apontado para cá não é para defender Bolsonaro, e sim para preservar o bolso dos americanos.
Chance de Lula
A iniciativa tarifária do boquirroto presidente americano pode cair como uma luva para o plano eleitoral de Lula da Silva na tentativa de melhorar seus índices populares rumo à reeleição. Um grande empresário do Rio diz à Coluna que o petista tem a chance de alavancar uma campanha nacional (e pré-eleitoral) ufanista para unir empresários, terceiro setor e políticos de várias estirpes no discurso contra o imperialismo americano.
Americano$
Os americanos são os turistas com a média de gastos mais alta no Brasil, mostra estudo da Oxford Economics. Os gringos movimentaram mais de R$ 1 bilhão na economia apenas do Estado do Rio de Janeiro no 1º semestre de 2025. Passaram pela cidade maravilhosa, considerada uma das portas de entrada, 126.366 visitantes dos EUA entre janeiro e junho deste ano, aumento de 39% comparado ao mesmo período de 2024.
Bora trabalhar!
O deputado federal Arlindo Chinaglia (PT-SP) assumiu a presidência da Comissão Mista do MERCOSUL com a promessa de colocar todo mundo para trabalhar. O parlamentar, ex-presidente da Câmara, sabe que a Comissão é questionada por parte dos colegas, pois já existe o Parlasul, cuja sede é no Uruguai. Dos países membros, só o Brasil tem essa Comissão Mista.
Águas quentes
No apagar das luzes da atual gestão da CEDAE, o diretor financeiro Antônio Carlos tenta a recondução de três conselheiros da Fundação PRECE para, segundo fontes, manter a ingerência na empresa e no fundo de pensão. Os nomes foram indicados pelo presidente da PRECE, Antônio Carneiro, aliado de Antônio Carlos. A Cedae informa que “a Fundação é instituição independente, com autonomia jurídica e administrativa”.
Raios x do bolso
Estudo da Croma Consultoria “O futuro da relação do brasileiro com o dinheiro e as finanças”: 15% acreditam que a situação financeira não vai melhorar no País; 72% querem poupar mais que antes; e 78% cortariam gastos numa eventual crise. Isso, antes do tarifaço do Donald Trump contra o Brasil, que pode mexer com a economia.
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Que pasa!?
Por Leandro Mazzini
Com Carol Purificação e Alexandre Braz
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, deu um aperto no presidente Lula da Silva, e foi contundente na fala, diz quem presenciou a cena semana passada na Cúpula do Mercosul em Buenos Aires. Ele cobrou Lula respostas sobre a suposta espionagem da Agência Brasileira de Inteligência contra membros do seu governo, diretores da Usina Binacional de Itaipu. A sós, após o evento, Peña lembrou a Lula que as relações bilaterais não podem deixar de prescindir da confiança mútua. Nas entrelinhas, o paraguaio – que retirou seu embaixador de Brasília – deixou claro que Brasil e Paraguai devem seguir em tratativas abertas e transparentes com o novo Tratado de Itaipu. O presidente Peña subiu o tom depois que Mauro Vieira ignorou os apelos do país. Por aqui, o Governo aponta que a suposta espionagem começou na gestão de Jair Bolsonaro, porém os paraguaios suspeitam de que continuou na Era Lula III.
Bahia refém!
A Bahia está refém do crime. Casos de violência de facções e da Polícia explodem, diante de uma PM mal paga e insatisfeita. O tráfico está dominando principalmente cidades turísticas do litoral Sul. Há dias um turista morreu baleado em falsa blitz a caminho de Porto Seguro. Na região, foi metralhado carro de diretor de presídio e é praxe ver estradas bloqueadas em protestos por pessoas desaparecidas.
Soou o berrante
A turma do agro do Mato Grosso entrou na ofensiva contra o senador Wellington Fagundes (PL-MT) por ciumeira. Um grupo foi de mala e cuia encontrar no Rio o ex-presidente Jair Bolsonaro, que os recebeu. A turma voltou feliz para Cuiabá. No mesmo dia, Bolsonaro chamou para café o senador, que estava no Rio, e garantiu que ele, líder nas pesquisas, será seu candidato ao Governo – contrariando parte da bancada viajante.
Auxílio$-moradia$
O Conselho Nacional de Justiça barrou o pagamento de auxílio-moradia a juízes substitutos, com o entendimento de que a ausência de titularização dos magistrados inviabiliza o recebimento. O colegiado seguiu voto do relator, conselheiro Ulisses Rabaneda – para quem a revogação do benefício não afronta, claro, o devido processo legal. Uma falta de bom senso dos togados que não precisava parar no CNJ.
Hermanos…
Diplomatas argentinos que trabalharam nas agendas do Mercosul também reconhecem que o Brasil decidiu se afastar do governo de Javier Milei da Argentina, por meio do assessor especial de Lula da Silva, Celso Amorim, e do chanceler Mauro Vieira. Milei, no início da sua gestão, indicou como chanceler Gerardo Werthein, e a turma daqui, digamos, não lida bem com ele…
Brasília decolou
Atrás apenas dos Estados Unidos, o Brasil aparece como 2º País no ranking internacional dos 100 aeroportos mais bem avaliados do mundo, segundo levantamento da AirHelp Score. O Aeroporto Internacional de Brasília aparece entre os 10 melhores do mundo, ocupando a 4ª posição. Em 1º lugar está o Aeroporto da Cidade do Cabo, na África do Sul, seguido pelo de Hamad, no Catar, e o Rei Khaled, na Arábia Saudita.
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O maior desafio
Por Leandro Mazzini
Com Carol Purificação e Alexandre Braz
Os ministros palacianos correm contra o tempo para convencer deputados do Centrão – em especial – a evitarem ajudar a oposição a confirmar o PL 2159, que derrubou várias regras para facilitar o licenciamento ambiental no País. O projeto, já aprovado no Senado, foi para a Câmara e tem tudo para ser endossado no pior momento para o Governo cujo patrono preza tanto pelo meio ambiente: no ano da COP 30 em Belém. A recente derrubada da proposta de aumento do IOF, na qual o Palácio perdeu de lavada na Câmara, foi o primeiro sinal de que Lula será derrotado novamente em caso de veto futuro ao PL. Seu Governo e a ministra Marina Silva serão cobrados por ONGs que bancam o Fundo Amazônia, entre tantos outros Governos. O Brasil corre o risco de passar vergonha internacional e ter o evento esvaziado, diante de tantas outras dificuldades (até estruturais), na capital paraense.
Calma, gente
Repercutiu mal junto ao corpo diplomático do Mercosul a insistência do presidente Lula da Silva em visitar em Buenos Aires, na sua casa, a ex-presidente Cristina Kirchner, condenada por corrupção, quando a prioridade deveria ser a Cúpula do Bloco. Diplomatas argentinos se dizem decepcionados com o petista, e repetem que ele “nada tem de estadista, é só um populista”. Há milhões daqui (e de lá) que discordam.
Com toga, sem boton
Continua repercutindo entre portas de Embaixadas a reportagem da revista inglesa “The Economist” sobre a perda de relevância do presidente Lula da Silva interna e internacionalmente. Os diplomatas estrangeiros em Brasília corroboram com a revista em seus telegramas às suas sedes e enfatizam, na expressão mais repetida sigilosamente, que Lula “Governa com o STF, sem o Congresso”.
Brasil na rota
A Embratur comemora os números recordes do turismo estrangeiro no Brasil – muito desse cenário ajudado pelos eventos dos BRICS e pré-COP desde o último trimestre de 2024. O desafio será manter os índices para 2026. O Principado de Andorra, 6ª menor nação da Europa e com 80 mil habitantes, recebeu ano passado 9,7 milhões de turistas apenas no inverno, enquanto o Brasil inteiro foi visitado por 6,7 milhões em 2024.
Moro na ponta
O senador Sergio Moro (UNIÃO-PR) lidera em todos os cenários das estimuladas para governador no Estado do Paraná, segundo sondagem da Paraná Pesquisas divulgada ontem. No 1º cenário Moro aparece à frente com 43,8%, seguido pelo deputado federal e ex-governador Beto Richa (PSDB-PR) com 17,5%. Em outro cenário, com a presença do ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (19,5%) (PSD-PR), Moro surge com 38,2%.
No rigor da lei
Avança na Assembleia Legislativa do RS Projeto de Lei que regulamenta os cigarros eletrônicos, com relatoria do deputado Marcus Vinícius (PP-RS). Os dispositivos para fumar estão proibidos pela Anvisa no Brasil desde 2019. O texto propõe a adoção de regras semelhantes às do cigarro tradicional e incentivo à utilização da nicotina extraída do tabaco. Cerca de 70 mil famílias trabalham com o tabaco no Estado.
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